Cidades | Falta espaço

3 mil ambulantes atuam no Centro e reclamam de situação

Comerciantes informais se amontoaram no entorno do Centro de Ensino Liceu Maranhense e na Rua do Outeiro ao serem retirados das praças Deodoro e Pantheon e Alameda Gomes de Castro, em razão da obra de revitalização
Daniel Júnior / O Estado04/04/2018

Cerca de 3 mil comerciantes informais atuam no centro São Luís, de acordo com o último levantamento realizado pela Associação dos Vendedores Ambulantes e Similares da capital maranhense. Com a obra de requalificação que contempla as praças Deodoro e do Pantheon, Alameda Gomes de Castro e Rua Grande, principais espaços onde esses trabalhadores exerciam suas atividades, muitos foram deslocados e estão amontoados ao lado do Centro de Ensino Liceu Maranhense e na Rua do Outeiro.

"Por causa do desemprego, as pessoas encontram a única alternativa no comércio informal. Fizemos esse levantamento, mas a cada mês aumenta o número desses trabalhadores, não só aqui no Centro, mas na cidade de São Luís de forma geral. O Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico e Nacional - responsável pela execução da obra] deveria também conversar conosco para dialogar sobre a nossa situação. Ninguém está aqui porque quer. Todos precisam. Os locais para onde a Prefeitura quer nos deslocar são os piores", explicou Carlos Cunha dos Santos, representante da Associação dos Vendedores Ambulantes e Similares de São Luís.

Há 30 anos atuando como vendedor ambulante, José Lima, de 60 anos, encontrou na atividade a única forma de sustentar a família. "Levo o meu pão de cada dia vendendo essas bolsas por R$ 25,00. Eu trabalhava na Deodoro e por causa desses serviços me jogaram para a Rua do Outeiro. O que eu posso fazer? Tive de vir, porque preciso muito trabalhar. Deveriam fazer pelo menos um galpão para os ambulantes trabalharem", relatou Lima, enquanto organizava sua banca.

Lanches, camisas de time, frutas, bolsas, cintos, artesanato, óculos, uma variedade de produtos está disponível à população que circula na Rua do Outeiro. Ao lado da barraca do José Lima Santos, José Catarino Aguiar Souza, de 56 anos, comercializa óculos e variedades. "Essa obra não ficou boa para nós, porque ficamos sem espaço para trabalhar. Agora, os ambulantes estão todos amontoados e muito perto uns dos outros", reclamou Souza.

Vendedora de artesanato, Cícera Medeiros Alforo, de 48 anos, está indignada com a situação dos ambulantes. "Acho um absurdo, falta de consciência e organização urbana por parte da Prefeitura de São Luís. Era para fazer um espaço definitivo para nós, comerciantes informais, e não está tudo bagunçado. Não tem organização alguma. Mas como precisamos, o que vamos fazer?", indagou Alforo.

Sob pressão
O sol quente, chuva e a falta de um banheiro está causando incômodo aos ambulantes que estão ao lado do Centro de Ensino Liceu Maranhense. "Colocaram a gente aqui sem nenhuma estrutura. Sofremos muito por causa do clima quente, mas não podemos ficar sem trabalhar. Deveriam fazer uma coberta. Prometeram instalar um banheiro, mas até agora nada foi feito. Um absurdo o que estão fazendo com a gente", declarou a comerciante informal Marta Pereira.

Em breve, os ambulantes que atuam na primeira quadra da Rua Grande terão de sair do espaço também, devido ao início da obra de requalificação na via, que deve ser iniciada neste mês - o Iphan não informou a data. Até o fechamento desta edição, a Prefeitura não respondeu aos questionamentos sobre remanejamento de ambulantes.


SAIBA MAIS

A requalificação urbanística da Rua Grande e das praças Deodoro e do Pantheon e Alameda Gomes de Castro é realizada com recursos públicos provenientes do Governo Federal, por meio do PAC Cidades Históricas, e foi iniciada em 9 de outubro de 2017. A previsão é de que seja concluída em 8 de março de 2019. Em razão dessa intervenção, ambulantes estão impedidos de trabalhar nessas áreas.

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