Manifestação

Ambulantes protestam por espaço para trabalhar em SL

Manifestantes foram atingidos por bala de borracha atiradas pela tropa de choque da Polícia Militar; Os vendedores informais foram retirados das Praças Deodoro e Pantheon e Alameda, ambas no centro da capital maranhense, devido à obra de requalificação do

Daniel Júnior / O Estado

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h32

[e-s001]Terminou em conflito com a Polícia Militar a manifestação de vendedores ambulantes, na manhã de ontem, 26, para reivindicar, à Prefeitura de São Luís, espaços adequados para exercerem suas atividades. Eles foram retirados do entorno das praças Deodoro e Pantheon, no Centro, por causa das obras de requalificação dos espaços públicos, custeadas pelo Governo Federal. Aos gritos de “Trabalhadores, unidos, jamais serão vencidos!” e “Queremos trabalhar!”, os ambulantes seguravam faixas e cartazes e interditaram a Rua do Passeio, na esquina com a Rua Grande. O trânsito ficou parado por muito tempo, causando transtornos para quem precisou se locomover nessa região.

Durante o ato, o Batalhão de Choque da Polícia Militar interveio e efetuou disparos com balas de borracha e bombas de efeito moral contra os manifestantes, com o intuito de dispersá-los e liberar o fluxo de veículos. Estabelecimentos comerciais da Rua Grande fecharam as portas, temendo uma confusão maior. Márcio Alves Batista, de 37 anos, e José Raimundo Silva, de 41 anos, foram dois dos ambulantes atingidos pelas balas de borracha.

Nova área
De acordo com Raimundo Jansen Veiga Filho, delegado do Sindicato dos Camelôs de São Luís, a área oferecida pela Prefeitura de São Luís, situada nas proximidades do Centro de Ensino Liceu Maranhense, não tem estrutura e não comporta a quantidade de trabalhadores que atuam na região.

“O espaço próximo ao Liceu não tem nenhuma estrutura e é muito quente. Além disso, é pequeno e não supre a quantidade de ambulantes. Não somos contra a obra de revitalização das praças e da Rua Grande, mas queremos garantia de um local para trabalharmos. Muitas pessoas sustentam suas famílias por meio do comércio informal. A Prefeitura deveria construir um camelódromo adequado, com estrutura, e próximo a um local movimentado”, sugeriu, indignado.

[e-s001]Sobre o confronto entre os manifestantes e a Polícia Militar, o coronel Pedro Ribeiro, responsável pelo Comando de Policiamento da Área Metropolitana 1 (CPM1), que acompanhou a manifestação, explicou os motivos pelos quais foi necessária tal atitude. “O protesto se tornou uma bagunça generalizada. Conversamos com todos os manifestantes para evitar transtornos à população que precisava chegar ao serviço ou à escola, mas continuaram fechando a via. Foi necessário desobstruir a rua dessa forma, com o uso da força, mas nada que venha causar danos a eles”, ressaltou.

Conforme o Sindicato dos Camelôs de São Luís, cerca de 400 vendedores ambulantes foram impedidos de trabalhar nas praças Deodoro e do Pantheon. “Os trabalhadores informais estão prejudicados. Todos nós precisamos trabalhar para sustentar nossas famílias. Somos a favor da reforma, mas queremos um espaço adequado para trabalhar. A Prefeitura deveria incluir a construção de um camelódromo nesta obra de revitalização”, explicou Elder Gonçalves, ambulante há mais de 20 anos.

O trânsito nas vias de acesso ao centro da capital ficou congestionado, e centenas de pessoas tiveram de descer dos coletivos e continuar o itinerário a pé, até o seu destino. “Vinha no ônibus Calhau/Litorânea e desci bem distante do meu curso. Preferi vir a pé para não me atrasar”, relatou a estudante de enfermagem Thayne Araújo dos Santos, de 20 anos.

Nova área
Sobre a situação ocorrida no Centro, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação (Semurh) informou, em nota, que realizou várias reuniões e mantém diálogo aberto e transparente com vendedores ambulantes e suas representações (Sindicato do Comércio Informal de São Luís e Associação do Comércio Informal) para tratar do processo de remanejamento provisório destes, em face das obras de requalificação urbanísticas. Assim, a realocação para a área lateral ao Colégio Liceu Maranhense, que foi preparada para recebê-los, foi decidida em comum acordo, e a Semurh vai assegurar todo o apoio necessário.

Aguardada há muito anos, a requalificação do Centro é realizada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan), como parte do programa PAC Cidades Históricas, em parceria com a Prefeitura de São Luís e o Governo do Estado. Os serviços abrangem as reformas das praças Deodoro e do Pantheon, das Alamedas Silva Maia e Gomes de Castro e o trecho que compreende a Rua Grande até o Largo do Carmo.

[e-s001]A reforma contempla ações de drenagem e de tratamento sanitário, colocação de novo calçamento, mobiliários e iluminação, fiação subterrânea, dutos de passagem de fibra ótica, banheiros públicos, sinalização, acessibilidade total, entre outros . Na Rua Grande, os serviços ocorrerão da Rua do Passeio e finalizados na Av. Magalhães de Almeida.
A obra é necessária para recuperação do patrimônio e a melhoria da infraestrutura, medidas que vão impulsionar a economia no maior centro de comércio da capital.

SAIBA MAIS

A requalificação urbanística da Rua Grande e das praças Deodoro e do Pantheon e Alameda Gomes de Castro foi iniciada em 9 de outubro de 2017, e a previsão é de que seja concluída em 8 de março de 2019. Em razão dessa intervenção, ambulantes foram impedidos de trabalhar na área.

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