Preocupação

Ambulantes estão amontoados e sem espaço no Centro

Os trabalhadores não se conformam com o fato de deixar os postos de trabalho e relatam que acumulam prejuízos por causa do impasse.

Daniel Júnior / O Estado

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h32

SÃO LUÍS - Com as bancas amontoadas e desorganizadas, vendedores ambulantes que atuam nos entornos das praças Deodoro e Pantheon e Alameda Gomes de Castro, no centro de São Luís, aguardam um posicionamento da Prefeitura sobre onde irão e quando serão retirados da área devido aos transtornos causados pela obra de requalificação dos logradouros públicos, custeada com verbas do Governo Federal. Os trabalhadores não se conformam com o fato de deixar os postos de trabalho e relatam que acumulam prejuízos por causa do impasse.

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De acordo com os ambulantes, a Prefeitura de São Luís informou que eles serão remanejados ao lado do Centro de Ensino Liceu Maranhense, mas os trabalhadores argumentam que o local oferecido não vai suprir a demanda e o fluxo de pessoas é muito baixo no local, o que pode acarretar queda nas vendas. Luciene Mendes, de 42 anos, trabalha há 15 anos como ambulante na área. Ela herdou a banca do pai, que já está aposentado. “Sustento meus dois filhos com o dinheiro dessas vendas e a ajuda do meu pai. Hoje nem sei como vamos ficar? Se nos colocarem ao lado do Liceu, não vai ter rendimento. Nós, ambulantes, estamos amontoados”, relatou.

“Acho certo fazer a obra nas praças, mas nos tirar é complicado. Está tudo desorganizado. Sustento meus filhos com essas vendas e agora ser despejada?”, indagou Kelciene Freitas da Silva, de 34 anos, que comercializa lanches nas imediações da Praça Pantheon.

Há 30 anos, João de Deus, de 51, é vendedor de água e outras bebidas no entorno da Praça Deodoro. Ele diz que todos os trabalhadores estão prejudicados. “A Prefeitura diz que está precisando do espaço para fazer a obra. Quem precisa somos nós para trabalhar. Como vamos ficar? Vamos deixar de ter nosso sustento? Essa obra deveria ser executada por etapas e não dessa forma desorganizada”, sugeriu.

“Estamos aqui sem saber mais de nada. Só vemos a colocação de tapumes e uns homens trabalhando. Acho errado nos tirar daqui, ainda mais os antigos, como eu, que trabalho há mais de 40 anos nesse ramo e sempre sustentei minha família com isso. Do jeito que está, vai ficar mais bagunçado. Os trabalhadores têm de ter prioridade”, explicou José Domingos Araújo, de 67 anos.

Mais reclamações

Em razão da obra, as paradas de ônibus que ficam na Praça Deodoro foram desativadas. Com isso, quem embarcava e desembarcava dos coletivos nesses pontos, precisam se deslocar a paradas nas proximidades. “Acredito que faltou planejamento para realizar essa obra. Eu antes descia na Deodoro quando vinha para o Centro, agora tenho de vir por aqui.
É até arriscado, principalmente a noite”, disse Fernando Amorim, de 32 anos. Outro problema é que os tapumes de alumínio que cercam a praça ocupam parte das calçadas e dificultam a mobilidade dos pedestres, que se arriscam às margens das vias.

SAIBA MAIS

No último dia 26 de fevereiro, vendedores ambulantes se reuniram e fizeram uma manifestação no centro de São Luís para reivindicar, à Prefeitura de São Luís, por espaços adequados para trabalhar. O protesto terminou em confronto com a Polícia Militar, e alguns trabalhadores foram atingidos pelas balas de borrachas disparadas pelo Batalhão de Choque.

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