Dia Mundial da Água

Praias de São Marcos, Calhau e Olho d'Água são as mais poluídas de São Luís

Apesar de a Ilha de São Luís ter uma orla incrivelmente bonita, no Dia Mundial da Água não tem muito o que comemorar, porque muitos trechos não devem ser utilizados pelos banhistas, devido à contaminação da água.
Liliane Cutrim/Imirante.com22/03/2021 às 15h29

SÃO LUÍS - No Dia Mundial da Água a Grande São Luís não tem muito o que comemorar, pois, apesar de a Ilha ter uma orla incrivelmente bonita, há muitos trechos que não devem ser utilizados pelos banhistas, devido à contaminação da água.

Praias de São Luís são as mais poluídas da Grande Ilha.

Foto: Raunyr dos Santos/Imirante.com

Semanalmente a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) realiza, por meio do Laboratório de Análises Ambientais (LAA), a análise da qualidade da água em 22 trechos de praias, localizados nos municípios de São Luís, Paço do Lumiar, São José de Ribamar e Raposa.

O Imirante.com fez um levantamento com base nos últimos 10 laudos, divulgados entre os dias 6 de janeiro e 19 de março de 2021, e identificou as praias que mais apresentam trechos impróprios para banho na Grande Ilha. São elas: Praia Ponta d’Areia, Praia de São Marcos, Praia do Calhau e Praia do Olho d’Água, todas em São Luís.

Praias de São Luís são as mais poluídas da Grande Ilha. / Foto: Raunyr dos Santos/Imirante.com.

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Segundo a bióloga Andrea Azevedo Cutrim, que é professora do Departamento de Biologia da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e coordenadora do Laboratório de Biologia Vegetal e Marinha (LBVM/UEMA), um projeto realizado pelo LBVM nas praias da Grande São Luís, de 2014 até 2019, constatou que a poluição nas praias do Calhau e Olho d’ Água pode ter relação com a água contaminada dos rios.

“Habitualmente elas registram uma alteração na qualidade da água e é muito provável que isso deve acontecer devido a desembocadura de dois rios, como é o caso do Rio Calhau e Rio Pimenta, que deságuam próximo a essas praias e terminam contaminado a sua nascente e as margens desses rios. E eles desembocam próximos as essas praias, então há uma probabilidade maior de que elas (as praias) recebam a influência de poluição através da desembocadura desses rios”, explica a bióloga.

Já as praias com menos trechos poluídos, apontados nos laudos de balneabilidade da Sema são: Praia Ponta do Farol, em São Luís; Praia do Araçagy e Praia Olho de Porco, em Paço do Lumiar; Praia Olho de Porco e Praia do Mangue Seco, na Raposa.

Veja a quantidade de vezes que houve registro de trechos próprios e impróprios nas praias da Grande Ilha.

Arte: Imirante.com.

O último laudo, divulgado em 19 de março, aponta que, dos 22 trechos da orla da Ilha analisados, 14 estão impróprios para banho.

Veja o último mapa da Balneabilidade divulgado pela Sema.

Mapa de Balneabilidade da Grande São Luís. / Foto: Divulgação/Sema.

Os riscos da poluição

A bióloga Andrea Azevedo aponta que diversos fatores favorecem a poluição das praias na Região Metropolitana de São Luís, como esgoto e lixo.

“De uma maneira geral a poluição que chega até as praias em qualquer região litorânea é proveniente do lançamento de esgoto doméstico, especialmente naquelas localidades onde não existem estações de tratamento de esgoto. Outro tipo de poluição muito comum é por resíduo sólidos, que na realidade são lixos que não foram descartados da maneira correta e nem enviados à reciclagem. E, especialmente durante esse período de chuva, esses resíduos sólidos, plástico e metal, são transportados para regiões costeiras e terminam se acumulando nas praias”, explica a bióloga.

Praias de São Luís são as mais poluídas da Grande Ilha. / Foto: Raunyr dos Santos/Imirante.com.

Andrea Azevedo também destaca que a vida dos animais marinhos é afetada diretamente com o problema de poluição das praias.

“Com certeza os animais marinhos que vivem nessa região costeira das praias de São Luís eles terminam sendo influenciados negativamente, especialmente nos processos reprodutivos, então as curvas de crescimento desses animais podem ser alteradas. E também de organismos fotossintéticos como é o caso das algas. As microalgas são muito comuns nas praias de São Luís e é importante que elas se reproduzam e se multipliquem de maneira saudável”, afirma.

A bióloga também ressalta que, quando há a ocorrência de poluição na água das praias pode haver o crescimento de algumas algas mais resistentes, que podem produzir toxinas. Além disso, no caso dos animais, existem peixes, caranguejos e caramujos, que fazem parte da fauna natural das praias, que podem ter as taxas reprodutivas alteradas havendo uma diminuição do crescimento populacional desses animais.

Política de conscientização

Segundo a Sema, a emissão dos laudos de balneabilidade é importante para manter a população informada quanto às condições de banho nas praias da Ilha, além disso, a partir desse monitoramento é feito um trabalho de conscientização das pessoas quanto à poluição gerada nas praias.

“A Sema atua semanalmente no monitoramento da balneabilidade e mantém a população informada quanto às condições de banho nos 22 pontos de coleta da orla, além de realizar ações para caracterização de novas placas de sinalização, coletas de dados e amostras em ponto de lançamento de efluentes. A Sema executa, em caráter educativo, ações que visam a conscientização de vendedores ambulantes, donos de bares e banhistas quanto à poluição gerada nas praias, a responsabilidade compartilhada e explica acerca das sanções administrativas, a exemplo de notificações e multas, que podem ser aplicadas aos infratores”, explica a Secretaria.

Ainda de acordo com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, ela realiza, três vezes na semana, ações de fiscalização e envia os dados coletados à Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (CAEMA) para apurar as causas dos lançamentos irregulares de esgoto ao longo dos corpos hídricos e tomar as providências cabíveis, assim como à BRK Ambiental nos municípios de São José de Ribamar e Paço do Lumiar.

É feito, ainda, o monitoramento periódico, por meio do programa Qualiágua, de rios da Grande Ilha, tendo seus resultados divulgados no site da Sema na aba Serviços.

“Lembramos ainda que é crucial a sensibilização da população quanto aos resíduos gerados e descartados de forma irregular nas vias públicas, esgotos e praias, o que pode condicionar na qualidade das praias monitoradas”, destaca a Secretaria.

Praias de São Luís são as mais poluídas da Grande Ilha. / Foto: Raunyr dos Santos/Imirante.com.


A bióloga Andrea Azevedo destaca a necessidade de o poder público desenvolver políticas para amenizar os índices alarmantes de poluição da água das praias, sendo que essas políticas de saneamento sejam desenvolvidas com a integração de profissionais da saúde, profissionais do meio ambiente, universidades (que já trabalham nessa área) e, também, envolvendo a comunidade.

“É interessante que seja feito um trabalho de educação ambiental, que haja mobilização da população pra não jogar lixo de forma indevida, visto que a gente já tem vários ecopontos na nossa cidade. E também que os setores que trabalham diretamente com o ambiente, os setores ambientais, unam as mãos e desenvolvam projetos em conjunto, para que as forças sejam somadas e esse problema de poluição das praias possa ser diminuído”, afirma.

Dia Mundial da Água

Nesta segunda-feira (22), comemora-se o Dia Mundial da Água. A data, que celebra um dos recursos mais essenciais da natureza, foi criada pela Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED), com o objetivo de chamar a atenção para a importância da água doce e a necessidade de uma gestão sustentável dos recursos hídricos.

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