Bebê

Triagem neonatal salva vidas e evita atrasos no desenvolvimento

Saiba quais são os cinco exames mais importantes para recém-nascidos. E entenda como eles ajudam a garantir a saúde do bebê.

Portal Brasil 61

Os testes são exames clínicos ou laboratoriais realizados nos primeiros dias de vida do bebê.
Os testes são exames clínicos ou laboratoriais realizados nos primeiros dias de vida do bebê. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

BRASÍLIA - No Brasil, todo bebê tem o direito de ser submetido à realização de cinco exames gratuitos muito importantes para a saúde, logo após o nascimento. São os chamados “exames da triagem neonatal”: teste do pezinho, teste do olhinho, teste da orelhinha, teste da linguinha e teste do coraçãozinho. Esses exames diagnosticam doenças que, quanto mais cedo forem identificadas, apresentam melhores chances de tratamento, podendo salvar vidas ou prevenir sequelas graves.

A triagem neonatal foi iniciada no Brasil na década de 1980 e institucionalizada em 2001, com a criação do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), criado para aumentar o número de doenças identificadas e de ações para a prevenção, o tratamento e o cuidado integral. 

Os testes são exames clínicos ou laboratoriais realizados nos primeiros dias de vida do bebê. Hoje, os cinco exames são gratuitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

  • Teste do olhinho: também chamado de pesquisa do reflexo do olho vermelho, serve para identificar doenças como glaucoma, tumores intraoculares e catarata infantil. Deve ser feito na maternidade antes da alta. 
  • Teste do coraçãozinho: é a oximetria de pulso, medição do nível de oxigênio do sangue com o objetivo indicar se o bebê apresenta alguma doença cardíaca grave. 
  • Teste da orelhinha: triagem para avaliar se há perda na função auditiva do bebê. Pode ser realizado quando o bebê ainda está na maternidade ou após a alta. Deve ser feito até o sexto mês, mas como uma recomendação de uma melhor prática de ser feito até o segundo mês de vida. 
  • Teste da linguinha: mais recente, é realizado para identificar se há alteração em uma membrana na língua chamada frênulo. Essa membrana causa o que chamamos popularmente de língua presa, e pode gerar problemas de sucção e mastigação. Quanto mais precoce for identificado, melhor para o bebê, para não interferir na amamentação. 
  • O teste do pezinho: é um teste muito conhecido que identifica o tipo sanguíneo da criança, verifica se há hemoglobinopatias e fibrose cística. São doenças que, quando tratadas rapidamente, possuem um desfecho mais favorável.  

Segundo o coordenador de UTI pediátrica Thallys Ramalho, esses exames são fundamentais para garantir a segurança futura do bebê. “Todos esses testes, eles identificam doenças que, quando tratadas, eles promovem uma qualidade de vida muito melhor para o bebê. Então, por exemplo, o teste do olhinho, que identifica a catarata infantil, a criança a partir do momento que ela é levada para o hospital, onde é feito o tratamento para a doença ela pode ter um desenvolvimento muito próximo do normal, ou seja, ela vai ter um desenvolvimento neuropsicomotor muito superior ao que ela não teria se não tivesse tratado a doença.” 

Para a funcionária pública e mãe de primeira viagem, Paola Botelho, os cuidados preventivos são essenciais. “Pelo que eu tenho aprendido, tenho estudado e pelo que eu estudei no curso de doulas, realmente existem esses cuidados inerentes que devem ser feitos assim que o bebê nasce, então, realmente é preciso para a saúde do nosso filho, do nosso bebê”.

Além dos testes preventivos, é preciso adotar cuidados importantes nos primeiros dias de vida do recém-nascido, incluindo o processo de amamentação. “Existem também outros cuidados que os pais devem ter, que é com a higiene do coto umbilical, a posição para dormir, que deve ser sempre de barriga para cima. Deve-se pensar também no transporte do hospital para casa. Algumas vacinas podem ser dadas dentro da maternidade, e um cuidado que hoje é fundamental pelo tempo que estamos vivendo, que é evitar visitas”, explica o médico pediatra Thallys Ramalho. 

Prevenção da Síndrome de Morte Súbita

Desconhecida por muitos, a síndrome da morte súbita infantil (SMSI) é principal causa de morte entre bebês com menos de um ano e, embora afete várias famílias todos os anos, a origem ainda é desconhecida. 

Dentre as condições associadas à morte súbita estão: dormir de barriga para baixo, utilização de travesseiros e protetores de berços muito acolchoados, compartilhamento de leito com os pais, o histórico de um irmão com morte súbita do lactente, o uso de álcool, cigarro ou drogas pela mãe durante a gestação, o baixo peso ao nascer e a prematuridade, entre outros.

A Síndrome de Morte Súbita pode ser evitada com cuidados simples. “O ideal é que se evite compartilhamento de leitos, que coloque o bebê para dormir sempre de barriguinha para cima, com a cabeça centralizada ou lateralizada, que se evite o uso de drogas, álcool e cigarro durante a gestação e que se tenha um pré-natal bem-feito, bem acompanhado para que o bebê nasça com bom peso, com uma boa idade gestacional. Também deve-se evitar os colchões, travesseiros e enchimentos e outros adereços que possam ocupar espaço do berço e dificultar a respiração do bebê”, explica o médico pediatra Clodoaldo Abreu da Silveira Júnior.

Vacinação Pediátrica

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) aprovou o uso da vacina da Pfizer para bebês de seis meses a quatro anos, no fim de novembro (29). Atualmente, a imunização deste grupo só está autorizada para crianças com comorbidade. Segundo o Ministério da Saúde, a partir desta semana o tema será submetido à consulta pública durante 10 dias, e depois retornará à Conitec para uma decisão final. 

De acordo com dados do Ministério da Saúde, levantados pelo Observa Infância (Fiocruz/Unifase), cerca de 938.411 crianças de três e quaro anos tomaram a primeira dose da vacina contra a Covid-19, enquanto 323.965 tomaram as duas doses do imunizante. No total, cerca de 5,9 milhões de crianças nessa faixa etária moram no Brasil e devem receber as duas doses da vacina. 

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