Cesar Gontijo - empresário e piloto

Voando para conhecer "Extremos do Brasil"

Empresário e piloto paulista realiza o projeto que inclui o Maranhão, com sobrevoos por São Luís, Lençóis, Imperatriz e Região Tocantina

Selma Figueiredo, coordenadora de Redação de O Estado

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h21
Empresário e piloto Cesar Gontijo durante sobrevoo em São Luís
Empresário e piloto Cesar Gontijo durante sobrevoo em São Luís

O Maranhão entrou na rota do projeto “Extremos do Brasil”, missão capitaneada pelo empresário paulista Cesar Gontijo, de 57 anos. Na quinta-feira, ele fez um sobrevoo em São Luís, registrando as belezas da Ilha; na sexta-feira, fez rasantes no exuberante Lençóis Maranhenses; e neste sábado, estará em Imperatriz e Região Tocantina, com direito a passagens por outros espaços do estado, como o lago Açu, na cidade de Conceição de Lago-Açu.

O material captado vai compor um documentário que apresentará os extremos geográficos do Brasil, com rápidos desembarques que também mostram os extremos sociais que marcam cada região e seu povo. A intenção é registrar em fotos e vídeos as realidades mais diferentes do país nos lugares mais isolados, onde nenhuma aeronave jamais pousou. E chegar aos pontos demarcados no mapa só está sendo possível por causa do modelo da aeronave que Gontijo utiliza, o Super Petrel LS, um avião anfíbio fabricado no Brasil, que permite pousos e decolagens em solo e na água.

O sobrevoo por São Luís teve céu de brigadeiro e muitos elogios ao que foi observado de cima. “Quando sobrevoei São Luís, tive a certeza de que, realmente, havia muitos motivos para incluir esse cenário no roteiro da Missão Extremos. Foi um dia de sol lindo, abençoado, que valorizou ainda mais a beleza do que pude ver”, declarou Gontijo.

A inclusão do Maranhão no roteiro do projeto, segundo ele, foi uma decisão acertada. “O Maranhão jamais poderia deixar de fazer parte desse documentário, com grandes riquezas históricas e culturais do Brasil, e que só podem ser testemunhadas aqui. São Luís, que tem um conjunto arquitetônico tombado pela Unesco - com o título de Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade - e os Lençóis Maranhenses, uma maravilha natural única no mundo”, relatou o piloto.

Cesar Gontijo diz ser um privilégio poder realizar um projeto tão grande e engrandecedor. “Eu sou um privilegiado por sentir tudo isso e muito mais por poder contar a todos que, o que parece nos distanciar, geograficamente, é o que mais nos une, em todos os cantos”, afirma.

Segundo ele, o contato com a população e com as diferenças registradas pelo país é o maior destaque a cada viagem. “Mais do que registrar a viagem em fotos, vídeos e entrevistas que vão contar o que foi essa Missão, eu devo dizer que as pessoas são o mais importante de tudo. É o que fica marcado de cada lugar onde eu chego: a alma do nosso país. Uma gente que sorri, seja na melhor ou nas condições mais adversas, na fartura ou na extrema precisão. No norte do Brasil, as pessoas me recebem com uma alegria como nunca vi antes. Aqui, no nordeste, a generosidade e hospitalidade me chamam muito a atenção’, avalia o empresário.

Centro Histórico de São Luís em registro de Cesar Gontijo
Centro Histórico de São Luís em registro de Cesar Gontijo

O projeto
“Extremos do Brasil” teve como ponto de partida o estado de São Paulo, saindo da cidade de Bragança Paulista. Já foram cumpridos, desde o início da viagem, 68 horas de voos e 12.500 quilômetros, passando pelas regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste do Brasil. O projeto está sendo feito por etapas, cada uma delas com duração de aproximadamente 10 dias.

São Luís foi a primeira capital do Nordeste a ser visitada nesta etapa da viagem. Antes do Maranhão, a Missão percorreu os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará, Amapá - onde ele registrou o ‘Marco Zero’, em alusão à imaginária Linha do Equador, que corta a cidade de Macapá e limita os hemisférios Norte e Sul. Entre os destaques, também fez o sobrevoo pela Fortaleza São José, construída pelos portugueses, inaugurada em 1792, e a maior edificação militar na América Latina.

O trajeto está sendo cumprido por períodos intercalados desde dezembro de 2016, quando o piloto Gontijo cumpriu um feito: chegou ao extremo nordeste do país, a aproximadamente 500 km do continente, nesta mesma aeronave. Foi o menor avião a pousar na Ilha de Fernando de Noronha. Depois de muito planejamento e dezenas de horas de estudo sobre os lugares a serem visitados, a Missão Extremos do Brasil foi retomada no dia 12 de julho de 2019.

Entre os pontos de destaque, a visita ao extremo Oeste do país, na tríplice fronteira Brasil-Peru-Colômbia. A bordo do Petrel, o piloto contornou as fronteiras do país chegando até a Bolívia e também à Guiana Inglesa. Um dos momentos mais emocionantes, segundo o piloto, aconteceu ao chegar à fronteira do Brasil com a Venezuela. No extremo Norte do país, Cesar Gontijo testemunhou um dos cenários mais imponentes da natureza, o Monte Roraima.

Na visita à Floresta Amazônica, ele registrou, em vídeo, depoimentos de famílias e comunidades indígenas que estão completamente isoladas dos centros urbanos, mostrando seus costumes, necessidades e, principalmente, seus sonhos.

O objetivo é descobrir até onde existe interferência humana nesses pontos e tentar chegar a lugares do Brasil onde ninguém foi antes, por causa das distâncias e da impossibilidade de se ir com outro meio de transporte.

“É uma troca de experiências, mas o aprendizado é todo meu... é uma oportunidade de sentir a imensidão da vida que nos cerca”, comenta o empresário e piloto. Para quem quiser conferir, posts do perfil pessoal, com relatos e fotos da “Missão Extremos” estão disponíveis no Facebook (https://www.facebook.com/1086855491/posts/10216227683699905?sfns=mo).

Gontijo na visita ao extremo Oeste do país, na tríplice fronteira Brasil-Peru-Colômbia
Gontijo na visita ao extremo Oeste do país, na tríplice fronteira Brasil-Peru-Colômbia

Saiba Mais

O sonho de ser piloto

O empresário paulista Cesar Gontijo, de 57 anos, voou pela primeira vez aos 19 anos e, depois da primeira decolagem, decidiu que aprenderia a pilotar. Assim foi. Gontijo pilota há 30 anos e há 6 anos adquiriu o Super Petrel, avião modelo anfíbio fabricado no Brasil. Ele aproveitou a vantagem desse tipo de avião para sobrevoar locais como a Floresta Amazônica, desbravando parte do território brasileiro que é pouco conhecido, com pousos nas águas do Rio Amazonas, seus afluentes e até igarapés.

Dentro do projeto “Extremos do Brasil”, nos pontos planejados para aterrissagem, o piloto fez algumas pausas do voo e se embrenhou a pé pelas matas, registrando o modo de vida de comunidades ribeirinhas. O resultado será conferido em documentário, ainda sem data de lançamento definida.

“Contemplar, do alto, o contorno de rios, o verde vibrante da vegetação, desenhos impressionantes formados por árvores, registrar a devastação, as queimadas. Essa é uma das certezas que o avião anfíbio me dá: que é possível rever limites. Quem voa sabe que eles vão muito além da terra e do céu”, declara Gontijo.

Cesar Gontijo está à frente do projeto
Cesar Gontijo está à frente do projeto

O Petrel Turbo


O avião anfíbio Super Petrel LS Turbo, que anda sobre as águas como se fosse uma lancha, proporciona uma sensação única. É um modelo de fabricação brasileira. Com tecnologia de última geração, a linha de montagem da aeronave está baseada na Scoda Aeronáutica, que fica em Ipeúna, município de São Paulo. O ultraleve anfíbio tem design moderno, espaço para duas pessoas (piloto e passageiro), é confortável e possui autonomia de até 5 horas de voo, podendo pousar e decolar em solo ou água.
No painel de controle há um super GPS, o mais moderno já utilizado para este tipo de aeronave, um Garmim G3X. O equipamento possibilita, entre várias ações, a navegação com maior segurança e precisão, informando as condições climáticas favoráveis para o voo.

Com ele, também é possível fazer a viagem por meio do piloto automático. Atualmente, existem pelo menos 200 modelos Petrel voando no Brasil, mas quando se fala em alcance de mercado, a aeronave brasileira já fez voos altos. Pilotos da Europa, dos Estados Unidos e do Canadá compraram o Super Petrel LS Turbo e fizeram ampliar as chances desse barquinho que voa conquistar novos espaços aéreos no mundo.

Com informações da assessoria

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