Desmatamento

Presidente da França acusa Bolsonaro de mentir sobre clima

Governo francês se opõe acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, fechado em junho, que prevê a implementação do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas e compromisso com proteção ambiental

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h23
Macron, presidente da França, diz que Bolsonaro mentiu no encontro do G20, no Japão
Macron, presidente da França, diz que Bolsonaro mentiu no encontro do G20, no Japão (AFP)

PARIS - As declarações do presidente brasileiro Jair Bolsonaro sobre a crise na Amazônia continuam tendo desdobramentos importantes na Europa na sexta-feira,23. O escritório do presidente francês Emmanuel Macron acusou Bolsonaro de mentir durante o encontro do G20 em Osaka, no Japão, ao minimizar as preocupações com o a mudança climática. Dado esse contexto, aponta o escritório, a França se opõe ao acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.

Macron não é o único a se opor ao acordo. O primeiro-ministro da Irlanda ameaçou votar contra se o Brasil não respeitar seus "compromissos ambientais", em meio a críticas ao presidente Jair Bolsonaro pelos incêndios que assolam a Amazônia. Segundo o primeiro-ministro Leo Varadkar, "De maneira alguma a Irlanda votará a favor do acordo de livre comércio UE-Mercosul se o Brasil não cumprir seus compromissos ambientais".

G20

Às vésperas do encontro do G20, a chanceler alemã Angela Merkel havia afirmado no parlamento alemão que via com "grande preocupação" as ações do governo brasileiro a respeito do desmatamento e que queria ter uma "conversa clara" com Bolsonaro.

Ao chegar ao encontro em Osaka, o presidente brasileiro disse que a Alemanha tem muito a aprender com o Brasil sobre questões ambientais. "Nós temos exemplo para dar para a Alemanha, inclusive sobre meio ambiente. A indústria deles continua sendo fóssil em grande parte de carvão, e a nossa não. Então, eles têm a aprender muito conosco", disse ele.

Durante o G20, Bolsonaro conversou com Merkel, e disse ter falado a ela que o Brasil é alvo de uma "psicose ambientalista".

"Conversei com ela, foi uma conversa tranquila. Em alguns momentos, ela arregalava os olhos, de maneira bastante cordial. Mostramos que o Brasil mudou o governo, e é um país que vai ser respeitado. Falei para ela também da questão da psicose ambientalista que existe para conosco", disse Bolsonaro em uma entrevista à imprensa na ocasião.

Outro chefe de Estado que, também antes do G20, manifestou preocupação com o compromisso de preservação ambiental do Brasil foi o presidente francês, Emmanuel Macron. Bolsonaro disse que teve com ele uma conversa parecida com a que teve com Merkel.

"Eu convidei [Macron] para conhecer a região amazônica. Falei para ele [de fazermos] uma viagem de Boa Vista a Manaus. É pouco mais de duas horas. A gente poderia até voar a uma altura mais baixa, demoraria mais tempo, em um avião da Força Aérea, para ele ver que não existe o desmatamento tão propalado", afirmou Bolsonaro.

Cláusulas ambientais

Fechado em junho deste ano, depois de mais de 20 anos de negociação – mas ainda dependendo da aprovação do parlamento dos países envolvidos – o acordo comercial UE-Mercosul prevê, segundo os europeus, a implementação efetiva do Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas, que inclui, entre outros assuntos, combater o desmatamento e a redução da emissão de gases do efeito estufa.

Os signatários se comprometem, ainda, com assuntos como proteção ambiental, que abarca conservação de florestas, respeito por direitos trabalhistas e promoção de condutas empresariais responsáveis.

'Crise internacional'

Na quinta-feira,22, Macron propôs que a "crise internacional" da Amazônia seja uma prioridade na cúpula do G7 neste fim de semana em Biarritz, no sudoeste da França. Macron disse em seu Twitter que "nossa casa está queimando".

A chanceler alemã Angela Merkel, manifestou apoio ao presidente francês por meio de seu porta-voz,considerando que os incêndios na Amazônia constituem uma "situação urgente" que deveria sim ser discutida durante a cúpula do G7, apesar das acusações de ingerência por parte de Bolsonaro. O presidente brasileiro acusou seu colega francês de ter "uma mentalidade colonialista" e de querer "instrumentalizar" o tema "para ganhos políticos pessoais".

O Reino Unido também está preocupado com os incêndios na floresta amazônica e o primeiro-ministro Boris Johnson vai dizer, no encontro de cúpula do G7, que é preciso renovar o foco na proteção da natureza, de acordo com afirmação de seu gabinete.

"O primeiro-ministro está gravemente preocupado pela alta da quantidade de incêndios na floresta amazônica e o impacto de trágicas perdas nesse habitat", disse um porta-voz.

Preocupação dos EUA

O governo americano está profundamente preocupado com os incêndios na Amazônia, disse na sexta-feira,23, uma autoridade da Casa Branca, conforme cresce a preocupação internacional com o número de queimadas na região neste ano.

O funcionário do governo afirmou que eles estão profundamente preocupados com o "impacto dos incêndios na floresta amazônica sobre as comunidades, a biodiversidade e os recursos naturais da região".

Há um encontro dos países do G7 agendado para o fim de semana em Biarritz, no sudoeste francês. O tema deverá entrar na pauta das discussões.




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