Cidades | Transferência

Camelôs são retirados da Rua Grande para ocupar as vias transversais

Ambulantes serão transferidos aos poucos do local, em cumprimento à lei para o disciplinamento do espaço público e projeto de requalificação da área
Nelson Melo / O Estado08/08/2019
Camelôs são retirados da Rua Grande para ocupar as vias transversais Bancas de ambulante estão sendo retiradas da Rua Grande e ficarão nas transversais, até segunda ordem (De Jesus / O ESTADO)

SÃO LUIS - Uma intervenção da Prefeitura de São Luís, por meio da Blitz Urbana, em parceria com a Polícia Militar, resultou na retirada de vendedores ambulantes da Rua Grande, na manhã desta quarta-feira, 7. A ação ocorreu em razão da lei para o disciplinamento do espaço público e o projeto de requalificação urbanística da região central da cidade. O objetivo é deixar o lugar menos poluído visualmente e liberar as calçadas para a passagem dos pedestres.

As equipes chegaram logo cedo ao local para a realização da operação. Muitos trabalhadores não aprovaram a ação. Segundo informado por Arnoldo de Assis Bastos, superintendente de Fiscalização de Postura da Blitz Urbana, os camelôs foram avisados, desde o mês passado, de que teriam de deixar o local, para liberar as calçadas e tornar o ambiente mais agradável visualmente. “Não somente em agos­to, mas em julho, houve reuniões, nas quais eles foram informados de que seriam retirados por causa da entrega da obra de requalificação”, disse Bastos.

A questão é que muitos ambulantes, que aos poucos serão deslocados para as ruas transversais da Rua Grande, não querem deixar o local, temendo prejuízos financeiros com amudança. O Sindicato dos Vendedores Ambulantes de São Luís, inclusive, enviou uma documentação à Câmara Municipal de São luís, à Prefeitura e à Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação (Semurh), pedindo que os camelôs permaneçam na Rua Grande, mas com barracas padronizadas e sem precisar dividir o espaço com os pedestres. “A gente quer que todos permaneçam até que o shopping popular seja construído e entregue para todo mundo”, pontuou José Ribamar Ferreira, presidente do Sindicato dos Vendedores Ambulantes.

Barracas padronizadas
Pelo projeto de readequação do Complexo Deodoro, as barracas dos vendedores ambulantes serão padronizadas e ocuparão menos espaços. Elas terão 80 cm de largu­ra e 1,20 de altura. Ademais, os produtos vendidos pelos camelôs se­rão expostos em telas e grades.

Outras retiradas de camelôs
Esta não foi a primeira vez que camelôs foram retirados da Rua Grande. Em julho de 2018, por exemplo, eles tiveram que sair de um trecho da via, uma vez que estavam ocupando a calçada, o que gerava muitas reclamações dos pedestres e funcionários das lojas, pois não havia espaço para o trânsito de pessoas. Na época, a Blitz Urbana e a Polícia Militar realizaram a ação.

Em 2015, já havia ocorrido uma retirada de vendedores ambulantes do local, devido ao aumento do fluxo de pessoas na rua, em decorrência das festividades de fim de ano. Os camelôs foram deslocados para outros pontos da região naquela época. E a Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação aumentou a fiscalização em toda a extensão da Rua Grande.

Projeto de requalificação
O projeto é considerado um dos maiores investimentos de revitalização na região nos últimos 30 anos. O objetivo é preservar o local como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultu­ra (Unesco). No momento, há nove obras em andamento, mas, no total, são 44 ações, em um projeto de R$ 133 milhões oriundos de recursos federais, em parceria com a Prefeitura de São Luís e a Vale.

Dentro do programa, além da Rua Grande, há intervenções no Complexo Deodoro; na antiga Fábrica Santa Amélia, na Rua Cândido Ribeiro, e o antigo prédio da Junta Comercial do Maranhão (Jucema), na Praça Pedro II. Para o segundo semestre, estão previstas obras na Praça João Lisboa, Largo do Carmo e Praça das Mercês. A previsão de encerramento é de oito meses a um ano, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Com relação à Rua Grande, a obra de requalificação urbanística – orçada em R$ 31.404.149,09 - deverá promover a recuperação das redes subterrâneas de eletricidade, drenagem profunda e esgotamento sanitário. Bem como instalará um conjunto de postes metálicos com iluminação de LED, fiação elétrica subterrânea, pavimentação de toda a rua com piso de granito nas laterais, blocos no piso central e marcação de calçada.

Esse projeto teve início em novembro do ano passado, após liberação inicial de R$ 6 milhões pelo governo federal. Ainda dentro do cronograma de intervenções, está a reforma do prédio da Academia Maranhense de Letras (AML), situado na Rua da Paz. Para essa requalificação, serão investidos R$ 230 mil nessas obras de reparos do prédio, que abrangerão o telhado, que é muito antigo, a pintura e as infiltrações, que são constantes na estrutura do imóvel.

Nota da Semurh

A Secretaria Municipal de Habitação e Urbanismo (Semurh) informa que o remanejamento dos comerciantes informais da Rua Grande ocorre em cumprimento à lei para o disciplinamento do espaço público, a qual não permite a instalação de bancas de comerciantes informais nesse espaço, e que já vinha sendo tratada com os trabalhadores e seus representantes antes e durante todo o processo das obras de reforma do espaço, com quem a secretaria mantém diálogo permanente.

A Semurh esclarece que a solução definitiva no que tange ao disciplinamento do comércio informal do Centro ocorrerá com a construção do Shopping Popular, até lá todos os trabalhadores informais que estavam na Rua Grande estão sendo realocados para as transversais dessa via. O projeto do referido shopping já foi apresentado aos comerciantes e a licitação da obra ocorrerá neste semestre.

Por fim, a Semurh comunica que a conclusão da reforma da Rua Grande está prevista para este mês de agosto, proporcionando à região um conjunto de soluções urbanísticas e arquitetônicas com o objetivo de promover uma melhor acessibilidade e locomoção dos pedestres.

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