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Alerta diante do aumento nas vendas de fogos de artifício

Além das festas do período junino, a Copa do Mundo é aposta para lojistas; produtos são armazenados com cuidado e vendidos com instruções aos consumidores
Monalisa Benavenuto / O Estado07/06/2018

A venda de fogos de artifício e bombas se intensifica no período de festas juninas e Copa do Mundo. Nas tradicionais lojas do setor, localizadas na Rua Riachuelo, no bairro João Paulo, a expectativa é de que as vendas cresçam ainda mais após os primeiros jogos da Seleção Brasileira. Vendedores alertam para os ricos que estes produtos oferecem e orientam clientes sobre os cuidados necessários.

Durante o período junino, é co­mum a presença de fogos de artifícios e bombas de pequeno porte nos arraiais de São Luís. Mas, a grande aposta para os lojistas do setor é a Copa do Mundo. Segundo eles, as vendas desses produtos vêm crescendo significativamente, e a expectativa é de que se intensifiquem ainda mais após os primeiros jogos.

“Este ano, a venda está bem melhor, porque tem a Copa e o São João ao mesmo tempo. Já vendemos cerca de 30% a mais do que no ano passado. Depois do jogo [Brasil x Croácia], melhorou muito e a previsão é melhorar ainda mais”, destacou Maria Raimunda Gomes, gerente de uma loja especializada em fogos de artifícios, que funciona há 20 anos no João Paulo.

Segundo ela, a procura é maior por fogos do tipo “tiro”, estalinhos e bombas. Esclareceu também a diferença entre os tipos de fogos de artifício. “Fogos de artifício é o termo geral. Agora, há os fogos de cores e os de tiro. Mas popularmente os foguetes são os de tiro, e os de artifício as pessoas associam aos fogos de cores”, explicou Maria Raimunda Gomes.

Apesar da tradição, fogos de artifício e bombas oferecem diversos riscos tanto aos consumidores quan­to aos lojistas. Para evitar acidentes, os lojistas devem seguir uma série de normas e instruções do Corpo de Bombeiros, que realizam vistorias periodicamente para garantir o funcionamento regular e seguro das lojas. José Carlos Teixeira é proprietário de uma loja de fogos e segue rigorosamente as normas, que vão desde o armazenamento à venda dos produtos.

“Sempre temos muito cuidado. Não vender para crianças e menores de 18 anos. Sobre o armazenamento, tem de ter muito cuidado, porque o mau armazenamento pode ocasionar um acidente. Na loja, todas as instalações têm de ser canalizadas, com eletrodutos de ferro, e os extintores devem estar em dia. São diversos requisitos, e os bombeiros sempre fazem vistoria”, ressaltou José Carlos Teixeira.

Quem compra também deve se preocupar com o manuseio desses materiais. O vendedor Arnaldo Cos­ta da Silva comprou alguns enfeites para sua barraca junina e bombas para estourar no arraial, mas garantiu que toma todos os cuidados necessários para evitar acidentes.

“Eu gosto de estourar na rua, mas sempre sozinho, longe das crianças, porque elas podem ir pra cima e explodir. Às vezes, eu compro as de estalar porque são mais fáceis para as crianças”, contou.

Queimaduras
Segundo levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM), baseado em informações do Ministério da Saúde, de 2008 a 2016 ocorreram 4.577 internações de pacientes que se queimaram com artefatos explosivos. A média no país é de 85 atendimentos só nos meses de junho, o que corresponde a um ter­ço do total de ocorrências anuais.

Os fogos e explosivos, além de provocar queimaduras e mutilações podem deixar outras sequelas graves e irreversíveis. “Nós estamos falando de 4.500 pessoas que foram gravemente queimadas, porque a grande maioria não fica internada. Muitas delas ficaram com sequelas de perda de dedo e da mão. Às vezes, esses fogos atingem a retina e provocam uma cegueira. Ou o explosivo é tão intenso que rompe o tímpano e o indivíduo fica surdo pelo resto da vida”, explicou Jecé Brandão à Agência Brasil.

Os acidentes podem ainda levar à morte. Nos últimos 10 anos, ocorreram mais de 100 óbitos causados por queimaduras graves de fogos de artifício. Só em 2015, último ano que se tem registro de mortalidade por esta causa, foram 18 mortes, segundo o levantamento do CFM. A maioria das vítimas são homens e jovens.

Em caso de acidentes, se a queimadura for leve, quando a pele fica avermelhada ou com bolhas, deve-se lavar com água corrente, proteger com uma toalha limpa e procurar o médico o mais rápido possível não devem utilizados remédios caseiros e pomadas. Queimaduras profundas, que arrancam a pele, não devem ser lavadas. A orientação é proteger o local machucado com uma toalha limpa e procurar imediatamente o serviço de saúde especializado.

SAIBA MAIS

-Não compre fogos de artifícios clandestinos, pois na maioria das vezes não são testados. Esses fogos são vendidos de forma avulsa e não trazem as orientações do fabricante na embalagem;
-Siga as dicas do fabricante e peça orientações de como proceder no momento da compra do artefato;
-Compre artefatos que venham com a base para encaixar no suporte dos fogos de artifício, para que seja possível colocar no chão. Dessa forma, não é preciso segurá-los;
-Nunca deixe crianças soltar fogos;
-A distância para explodir os fogos com segurança é de 30 a 50 metros de pessoas, edificações e carros;
-Se os fogos não estourarem, não tente reaproveitá-los. Molhe-os para apagar o pavio e evitar acidentes e leve na loja em que comprou para trocá-los;
-Se for guardar fogos de artifício em casa, deixe-os em um local seco e longe de fogões, isqueiros e fumantes

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