Vida Saúde

Barulho dos fogos de artifício pode causar perda auditiva em crianças

Para evitar danos à audição, um adulto deve ficar pelo menos a 20 metros da explosão dos fogos, enquanto as crianças devem ser mantidas de 50 m a 60 m; o som produzido durante a queima dos fogos pode causar danos irreparáveis

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h24
Som dos fogos pode causar danos aos ouvidos dos pequenos
Som dos fogos pode causar danos aos ouvidos dos pequenos (fogos de artificio)

Junho é o mês de aproveitar as tradicionais festas de Santo Antônio, São João e São Pedro. Quem não gosta? Em meio a guloseimas irresistíveis, outra tradição se destaca: os fogos de artifício e os rojões, que dão um colorido ao festejo. Mas embora lindos no céu, o barulho desses artefatos causa incômodos e traz sérios riscos à audição, especialmente dos bebês e crianças.

É que o som forte produzido durante a queima dos fogos pode causar danos irreparáveis ao sistema auditivo, como perda de audição severa, uni ou bilateral, temporária ou – nos casos mais graves – definitiva e irreversível. O principal sintoma de que algo está errado é o aparecimento imediato de um zumbido. Já as crianças podem manifestar, no choro, o que estão sentido. O pior é que na maioria das vezes os pais não percebem o estrago que os fogos po­dem ter acarretado ao sistema auditivo de seus filhos.

"Nesta época de festas juninas, há muitos casos de perda de audição em apenas um dos ouvidos. O maior problema é a intensidade de som dos fogos em um curto espaço de tempo. O prejuízo é imediato, se estivermos muito perto. O sintoma mais recorrente é o zumbido, transtorno que atinge milhões de pessoas no mundo. Se depois do estampido dos fogos houver zumbido ou sensação de ouvido tampado, é preciso procurar logo um médico otorrinolaringologista para avaliar a extensão e gravidade do dano auditivo", explica a fonoaudióloga Marcella Vidal.

Por isso, é tão importante manter as crianças longe dos fogos, uma vez que o ruído – principalmente dos rojões – pode atingir mais de 120 decibéis, mesmo a uma distância superior a três metros de onde o artefato está sendo aceso. O limite seguro de exposição aos sons é de 85 decibéis, de acordo com os especialistas.

"A imaturidade auditiva dos pri­meiros 18 meses pode fazer com que haja lesão na cóclea – órgão localizado na orelha interna – se a criança for exposta a sons muito altos ou passar muito tem­po em ambiente barulhento. Essa lesão pode passar despercebida no momento da festa. No entanto, pode dar início a um processo de perda de audição, uma vez que as células auditivas, quando morrem, não são repostas pelo organismo", explica Vidal, que é especialista em audiologia.

A fonoaudióloga lembra também que, na empolgação da festa, é comum os pais ficarem com bebês e crianças no meio do barulho. É preciso ficar atento aos sinais. "Irritação e choro são os principais sintomas de que o bebê não está confortável. Deve-se en­tão procurar locais mais tranquilos e manter a voz sempre em baixo volume, para que o bebê fique calmo, estimulando assim a plasticidade do nervo auditivo, que é importante nos primeiros meses de vida", explica a fonoaudióloga.

RECOMENDAÇÕES

Para diminuir o risco de perda auditiva como resultado do intenso ruído, a fonoaudióloga Marcella Vidal recomenda algumas precauções:
- Distância da fonte do som. Quanto mais distante você estiver da explosão dos fogos de artifícios, mais você e sua família estarão protegidas. Se um adulto está vendo uma explosão sucessiva de fogos, cujo ruído atinge 170 decibéis, por exemplo, precisa ficar a uma distância de 20 metros, enquanto para as crianças a distância segura é de 50 a 60 metros;
- Uso de protetores auriculares durante a explosão dos fogos. Se estiver acompanhando um show pirotécnico, é indispensável colocar protetores nos ouvidos;
- O ideal é não levar bebês e crianças a locais de queima de fogos e festas barulhentas; porém, se for inevitável, ficar o mais afastado possível do ruído.

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