'A gente foi realizar um sonho'

Sobrevivente de acidente com ônibus em SP diz que quebrou janela para salvar o marido

A lavradora Maria Divina dos Santos estava no ônibus que transportava trabalhadores rurais do Maranhão para Santa Catarina.

Imirante.com

Atualizada em 25/02/2026 às 16h05
A lavradora Maria Divina é uma das sobreviventes do acidente que matou sete maranhenses em SP. Foto: Reprodução/TV Mirante
A lavradora Maria Divina é uma das sobreviventes do acidente que matou sete maranhenses em SP. Foto: Reprodução/TV Mirante

PRESIDENTE MÉDICI - As lembranças do acidente com um ônibus que transportava mais de 40 trabalhadores rurais na BR-153, em São Paulo, ainda emocionam a lavradora maranhense Maria Divina dos Santos. Ela e o marido sobreviveram à tragédia que vitimou sete pessoas do Maranhão.

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Sobrevivência e emoção

Maria Divina, o filho dela, o filho do marido e mais quatro moradores da Vila Conceição, em Imperatriz, estavam dentro do veículo. O grupo seguia para Santa Catarina, onde trabalharia na colheita de maçãs. Além da atividade no campo, Maria Divina também seria responsável por cozinhar para os trabalhadores.

“A gente foi pensando em realizar um sonho e aconteceu tudo isso, toda essa tragédia (...) Era para gente colher a maçã, eu ia classificar e fazer comida”, relembra a lavradora.

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Momentos de terror

Durante o acidente, Maria Divina quebrou a janela do ônibus para salvar o marido, ficando com as mãos feridas. As lembranças ainda a deixam bastante emocionada.

“Agradecer a Deus por nós estarmos vivos. Ao mesmo tempo, a gente fica triste pelos nossos amigos, pelos outros que morreram”, disse.

Ao todo, 45 pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave. (Foto: reprodução)
Ao todo, 45 pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave. (Foto: reprodução)

Tragédia na BR-153

O acidente resultou na morte de sete maranhenses que viajavam para trabalhar em Santa Catarina. O ônibus transportava mais de 40 pessoas, a maioria trabalhadores rurais em busca de oportunidades fora do estado.

Trabalhadores viviam da colheita do açaí

Todos os trabalhadores rurais maranhenses viviam da colheita de açaí na de Imperatriz. Das sete pessoas que viviam na Vila Conceição e estavam no ônibus, uma continua internada na UTI do Hospital das Clínicas, em Marília (SP). Ele foi identificado como Jonas da Costa Silva, de 21 anos.

Dois dos maranhenses mortos no acidente também viviam na Vila Conceição. São eles Gonçalo Lisboa, de 32 anos, que morreu no local do acidente e Santana Barros, de 30 anos, morreu no hospital um dia depois.

Os corpos de Gonçalo e Santana foram velados na sede da Associação dos Lavradores e Moradores da Vila Conceição II. Gonçalo foi sepultado ainda na quinta-feira (19). Santana foi enterrada na manhã de sexta (20), ambos em um cemitério da própria comunidade.

Os trabalhadores rurais não estavam com dinheiro durante a viagem. Eles relataram que cada um recebeu R$ 1 mil de um representante da empresa para pagar a viagem, mas esse valor seria descontado depois dos salários.

Corpos das vítimas chegam ao MA

Os corpos dos sete maranhenses mortos no acidente com um ônibus de trabalhadores rurais na BR-153, em São Paulo, chegaram ao Maranhão na quinta-feira (19). Seis vítimas desembarcaram pela manhã em Santa Luzia do Paruá. O corpo da sétima vítima chegou à noite. Todos já foram sepultados.

Outras cinco vítimas seguiram outros dois municípios. Quatro delas foram levadas para Presidente Médici, onde foi realizada uma homenagem em um ginásio municipal:

  • Edilson da Silva Lima, 43 anos;
  • Antônio da Silva Nascimento, 47 anos;
  • José Milton Ribeiro Reis, 49 anos;
  • Robson Rodrigues Alexandrino, 25 anos.

Já o corpo de Raimundo Nonato Sousa da Silva, de 41 anos, foi encaminhado para Araguanã, onde também foi sepultado.

 

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