IMPERATRIZ – A Justiça do Maranhão determinou o pagamento de mais de R$ 810 mil em indenizações por danos morais aos familiares das duas crianças que morreram após consumirem um ovo de Páscoa envenenado em Imperatriz, no sudoeste do estado.
A decisão faz parte da sentença que condenou Jordélia Pereira Barbosa a 66 anos de prisão em regime fechado pelos assassinatos de Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evellyn Fernanda Rocha Silva, de 13. A ré também foi condenada pela tentativa de homicídio contra a mãe das crianças, Mírian Lira Rocha.
De acordo com a sentença, Mirian deverá receber indenização equivalente a 100 salários mínimos, valor estimado em aproximadamente R$ 162,1 mil. Ela também ingeriu o chocolate contaminado, ficou internada em estado grave e passou vários dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Veja abaixo os desdobramentos do caso:
- Ovo de Páscoa envenenado: mãe achou que ligação recebida era de loja confirmando entrega - Imirante.com
- Mulher intoxicada por ovo de Páscoa é extubada e apresenta melhora no estado de saúde, dizem familiares - Imirante.com
- Suspeita de envenenar três pessoas da mesma família com ovo de Páscoa é presa - Imirante.com
- Mãe de criança que morreu ao comer ovo de Páscoa recebeu ligação após ganhar o chocolate: 'Você vai saber quem é' - Imirante.com
- Mãe e irmã de criança que morreu após comer ovo de Páscoa seguem internadas em estado grave - Imirante.com
- Imagens mostram suspeita de ter envenenado família...
- Criança que morreu após comer ovo de Páscoa é enterrada em Imperatriz - Imirante.com
- Suspeita de envenenamento viajou mais de 380 km para cometer crime em Imperatriz - Imirante.com
- Suspeita de envenenamento usou identidade falsa e teve prisão convertida em preventiva - Imirante.com
- Depoimentos e câmeras levam à prisão de suspeita por envenenamento no MA - Imirante.com
- Quem é a mulher suspeita de envenenar uma família com ovo de Páscoa no MA - Imirante.com
- Suspeita de envenenar ovo de Páscoa é transferida para presídio em São Luís - Imirante.com
Já os pais das vítimas, Mirian Lira Rocha e Antônio Alves Barbosa Filho, terão direito, juntos, a uma indenização correspondente a 400 salários mínimos, totalizando cerca de R$ 648,4 mil.
Crime chocou o Maranhão
O caso ocorreu em abril de 2025 e ganhou repercussão em todo o país. Segundo as investigações, Jordélia Pereira Barbosa enviou à residência da família um ovo de Páscoa contaminado com chumbinho, substância usada clandestinamente como veneno para ratos.
O doce foi entregue por um mototaxista e acompanhado por um bilhete com a mensagem: "Com amor para Mirian Lira. Feliz Páscoa!!!".
Após consumirem o chocolate, Luiz Fernando e Evellyn passaram mal e morreram. Mirian também ingeriu o produto, mas sobreviveu após receber atendimento médico.
Crime foi motivado por vingança
Segundo o Ministério Público do Maranhão (MPMA), o crime teve motivação passional. Jordélia era ex-companheira do homem que mantinha relacionamento com Mírian na época dos fatos.
As investigações apontaram que a acusada saiu de Santa Inês para Imperatriz com o objetivo de executar o plano. Ela teria se hospedado em um hotel utilizando identidade falsa e contratado um motoboy para realizar a entrega do ovo de Páscoa.
Quando foi presa, em Santa Inês, a polícia encontrou com ela objetos considerados importantes para a investigação, incluindo perucas, recipientes com vestígios de chocolate e comprovantes de viagem.
Jurados reconheceram homicídio qualificado
Durante o julgamento, os jurados reconheceram que Jordélia praticou duplo homicídio qualificado contra as duas crianças. Entre as qualificadoras reconhecidas estão motivo torpe, emprego de veneno, dissimulação e o fato de as vítimas serem menores de 14 anos.
No caso de Mirian, o Conselho de Sentença entendeu que houve tentativa de homicídio qualificado pelos mesmos motivos.
Ao longo do processo, a defesa alegou que Jordélia apenas comprou e enviou o chocolate, negando ter colocado veneno no produto. A versão, no entanto, foi rejeitada pela Justiça diante das provas reunidas durante a investigação.
Com a condenação, Jordélia deverá cumprir pena de 66 anos de prisão em regime fechado, sem direito de recorrer em liberdade.
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