Decisão no STF

Mendonça homologa delação de empresário ligado a pagamentos para ‘Dark Horse’

O ministro André Mendonça homologou a delação de Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, sobre repasses milionários ao fundo Havengate e o caso Master.

Ipolítica, com informações do G1

- Atualizada em 09/09/2026 às 16h53
Mendonça homologa delação de empresário que fez repasses para fundo ligado ao filme “Dark Horse” e teria gerado dinheiro vivo para Vorcaro.
Mendonça homologa delação de empresário que fez repasses para fundo ligado ao filme “Dark Horse” e teria gerado dinheiro vivo para Vorcaro. (Reprodução)

BRASIL – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quarta-feira (9) o acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”. A decisão está sob sigilo.

Mineiro é dono da Entre Investimentos, empresa que, a mando do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fez repasses para o fundo Havengate, nos Estados Unidos. O fundo está relacionado ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

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O empresário também afirmou, em sua delação, que era responsável por “gerar” dinheiro vivo para a equipe de Vorcaro. Segundo o relato, os valores eram entregues em malas e seriam utilizados para pagamentos de propina.

O acordo de colaboração premiada foi assinado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de agosto.

Repasses para fundo nos Estados Unidos

De acordo com informações reveladas pelo blog da jornalista Andréia Sadi, Mineiro afirmou ter realizado sete repasses, a título de “subscrições de cotas”, para o fundo Havengate.

As transações ocorreram entre janeiro e setembro de 2025 e totalizaram US$ 12,333 milhões. Pela cotação de setembro daquele ano, o valor correspondia a aproximadamente R$ 62,8 milhões.

A subscrição de cotas ocorre quando um fundo emite novas cotas para ampliar seu patrimônio, recebendo recursos de investidores.

Segundo o empresário, os valores foram solicitados a Vorcaro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atualmente candidato à Presidência da República.

Audiência antes da homologação

Na terça-feira (8), Mineiro e sua defesa participaram de uma audiência com um juiz auxiliar de André Mendonça para avaliar o acordo de delação firmado com a PGR.

Durante a reunião, o juiz questionou se o empresário havia assinado o acordo de forma voluntária. Mineiro respondeu que sim.

A voluntariedade é um dos requisitos para a homologação de um acordo de colaboração premiada pelo magistrado responsável.

Delação no caso Master

A colaboração de Mineiro foi firmada no mesmo dia em que a delação de João Carlos Mansur, dono da gestora Reag, foi assinada com a PGR, também no âmbito das investigações do caso Master.

Mansur foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, em janeiro deste ano. Na mesma data, o Banco Central decretou a liquidação da Reag.

O grupo também já havia sido alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro para o crime organizado.

A delação de Antonio Carlos Freixo Junior agora passa a integrar as investigações conduzidas no Supremo Tribunal Federal.

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