JUSTIÇA ELEITORAL

Cármen Lúcia alerta que inteligência artificial pode comprometer liberdade do voto

Ministra do STF afirma que avanço da inteligência artificial cria desafios inéditos para a Justiça Eleitoral e ameaça a estabilidade democrática.

Ipolítica, com informações de O Globo

Cármen Lúcia alerta que a inteligência artificial pode comprometer a liberdade do voto e gerar desafios inéditos à Justiça Eleitoral.
Cármen Lúcia alerta que a inteligência artificial pode comprometer a liberdade do voto e gerar desafios inéditos à Justiça Eleitoral. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

BRASIL – A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia afirmou nesta terça-feira (9) que o avanço da inteligência artificial representa um dos maiores desafios já enfrentados pela Justiça Eleitoral. Segundo a magistrada, o uso da tecnologia para criar e disseminar conteúdos falsos pode comprometer a liberdade de escolha dos eleitores e gerar instabilidade democrática.

As declarações foram feitas durante um debate sobre inteligência artificial e eleições. A ministra destacou que tribunais eleitorais de diferentes países têm enfrentado dificuldades para acompanhar a velocidade com que conteúdos produzidos por inteligência artificial são compartilhados.

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Esse é o desafio da Justiça Eleitoral, do Poder Judiciário brasileiro e do Poder Judiciário em todo o mundo”, afirmou.

Inteligência artificial amplia desafios da Justiça Eleitoral

De acordo com Cármen Lúcia, a rápida disseminação de conteúdos gerados por inteligência artificial dificulta a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização e pelo combate à desinformação.

A ministra ressaltou que, muitas vezes, quando a vítima toma conhecimento da informação falsa e busca auxílio judicial, o conteúdo já alcançou milhares de pessoas.

Além da propagação de notícias falsas, ela alertou para os impactos da tecnologia na formação da opinião dos eleitores.

Temos realmente o fator de desestabilização do direito das pessoas votarem com liberdade, crítica e escolha pessoal”, declarou.

Risco para o processo democrático

Durante o evento, Cármen Lúcia afirmou que a inteligência artificial pode influenciar comportamentos e comprometer liberdades cívicas, especialmente em períodos eleitorais.

Segundo a ministra, a preocupação aumenta diante da popularização de ferramentas capazes de produzir vídeos, imagens e áudios sintéticos com aparência de autenticidade.

Ela destacou que o tema ganha relevância em um cenário em que a Justiça Eleitoral se prepara para futuras eleições marcadas pelo uso cada vez mais intenso da inteligência artificial.

Mulheres são alvo frequente de desinformação

A ministra também chamou atenção para o uso da inteligência artificial em ataques direcionados a mulheres que disputam cargos públicos.

Segundo ela, conteúdos falsos e campanhas de desinformação costumam atingir candidatas de forma mais intensa, reproduzindo práticas discriminatórias e sexistas.

Eu assisti à gravidade dessa desinformação e da criação, pela IA, de falseamento de dados, fatos e de mentiras criadas e espalhadas”, afirmou.

Confiança no sistema eleitoral

Cármen Lúcia também relacionou o debate sobre inteligência artificial às campanhas de desinformação que, nos últimos anos, buscaram desacreditar o sistema eleitoral brasileiro.

A ministra lembrou que o país construiu, ao longo de décadas, elevados índices de confiança nas urnas eletrônicas, mas que esse cenário passou a ser alvo de ataques organizados.

Já tivemos 94% da população brasileira confiando no sistema de votação. Mas houve campanhas feitas de forma direcionada para desconstituir essa confiança”, declarou.

Para a ministra, o fortalecimento dos mecanismos de combate à desinformação e o monitoramento do uso da inteligência artificial serão fundamentais para garantir a integridade das próximas eleições.

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