caso banco master

Daniel Vorcaro declarou pagamento de R$ 68 milhões a empresa citada pela PF

Valores aparecem na declaração de Imposto de Renda do dono do Banco Master e envolvem empresa investigada na Operação Compliance Zero.

Ipolítica, com informações da CNN

O banqueiro Daniel Vorcaro.
O banqueiro Daniel Vorcaro. (Banco Master)

BRASIL - O banqueiro Daniel Vorcaro declarou à Receita Federal ter realizado pagamentos que somam cerca de R$ 68,6 milhões à empresa Super Empreendimentos e Participações S/A. A companhia é citada nas investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.

Os valores constam na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda referente ao ano de 2023, entregue pelo empresário em 2024. No documento, os pagamentos aparecem na seção “Dívidas e Ônus Reais”, que registra operações financeiras vinculadas à empresa.

Compra de terrenos aparece entre as operações

Entre os registros informados por Daniel Vorcaro está o pagamento de R$ 31 milhões pela compra de três lotes no Condomínio Miguelão, localizado em Nova Lima, em Minas Gerais.

Segundo a declaração apresentada à Receita Federal, a dívida referente à compra dos terrenos foi totalmente quitada ainda em 2023.

Além dessa operação, o documento registra outras movimentações financeiras relacionadas à mesma empresa, incluindo:

  • aquisição de imóvel;
  • investimentos em fundos patrimoniais;
  • aportes empresariais.

Somadas, essas operações totalizam R$ 68.668.279,23 declarados como pagos ou quitados ao longo do ano.

Empresa aparece em investigação da Polícia Federal

A empresa Super Empreendimentos e Participações S/A aparece nas investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre a estrutura financeira ligada a Daniel Vorcaro.

Segundo decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, empresas associadas ao grupo investigado teriam sido utilizadas para movimentação de recursos financeiros.

De acordo com o despacho que autorizou a prisão preventiva do banqueiro na Operação Compliance Zero, essas companhias teriam servido para:

  • formalizar contratos fictícios de consultoria;
  • intermediar transferências financeiras;
  • estruturar investimentos;
  • realizar movimentações patrimoniais destinadas a ocultar a origem de recursos.

Investigação cita grupo de intimidação

As investigações da Polícia Federal também apontam que recursos movimentados por empresas ligadas ao grupo teriam sido usados para custear atividades de monitoramento e intimidação.

Segundo os investigadores, essas ações seriam conduzidas por um grupo chamado “A Turma”, apontado como responsável por levantar informações sobre adversários e pessoas consideradas ameaças aos interesses do empresário.

Para a Polícia Federal, a estrutura investigada indicaria a atuação de uma organização criminosa voltada à movimentação irregular de recursos e à proteção de interesses do grupo ligado a Daniel Vorcaro.

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