Congresso Nacional

Câmara avalia permitir acúmulo de salário e aposentadoria para deputados após reajuste a servidores

Projeto já consta no Orçamento de 2026 e prevê impacto de R$ 18 milhões; proposta voltou ao debate após reunião de líderes.

Ipolítica, com informações do g1

Deputados federais no plenário da Câmara dos Deputados.
Deputados federais no plenário da Câmara dos Deputados. (Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

BRASIL - Após a aprovação de projetos que reajustaram os salários de servidores da Câmara e do Senado e autorizaram gratificações acima do teto constitucional, deputados federais passaram a discutir a possibilidade de permitir o acúmulo do salário parlamentar com a aposentadoria para congressistas já aposentados.

O tema foi tratado em reunião recente de líderes partidários com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Apesar da discussão, Motta afirmou que não há, até o momento, compromisso de levar a proposta à votação.

“Não tem previsão de pauta, só houve o pedido”, disse o presidente da Câmara à GloboNews.

Impacto previsto no Orçamento

Mesmo sem data para apreciação, o projeto já aparece na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, com previsão de impacto financeiro de R$ 18 milhões. O texto foi apresentado em junho do ano passado e é assinado por integrantes da Mesa Diretora da Casa, incluindo o próprio Hugo Motta.

À época, a proposta chegou a ganhar destaque, mas acabou não avançando devido à repercussão negativa.

O que muda na regra atual

Atualmente, a legislação impede que deputados no exercício do mandato recebam simultaneamente o salário parlamentar e a aposentadoria do regime previdenciário dos congressistas, salvo se optarem por um dos benefícios e abrirem mão do outro.

O projeto propõe revogar esse trecho da lei, permitindo o acúmulo dos rendimentos. Na justificativa, os autores alegam que a regra vigente representa uma “exceção arbitrária” e uma “discriminação indevida” contra parlamentares aposentados.

Segundo líderes partidários, o assunto ganhou força principalmente diante da situação de deputados mais idosos e teria sido apresentado pela deputada Benedita da Silva (PT-RJ).

Resistência e momento político

Apesar do avanço nas discussões internas, parlamentares avaliam que o momento político pode dificultar a votação da proposta, especialmente após a reação negativa da opinião pública aos recentes reajustes aprovados para servidores do Legislativo.

“Sou a favor do mérito, mas não nesse momento”, afirmou uma liderança presente à reunião, sob reserva.

Reajuste da verba de gabinete

Na mesma reunião, os deputados também trataram do reajuste da verba de gabinete, atualmente em R$ 133 mil, para R$ 165 mil por parlamentar. O valor é utilizado para a contratação de assessores e secretários parlamentares.

Segundo integrantes da cúpula da Câmara, o ato que autoriza o reajuste já foi assinado pela Mesa Diretora, mas ainda aguarda publicação oficial. Hugo Motta afirmou que a medida só será divulgada após a sanção presidencial dos projetos que reajustaram os salários dos servidores do Congresso.

Parlamentares defendem que a atualização da verba de gabinete é necessária para acompanhar os aumentos concedidos aos servidores das Casas Legislativas.

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