Piso Salarial

CNTE comemora reajuste do piso do magistério; prefeitos contestam

CNTE celebra reajuste do piso do magistério para R$ 5,1 mil, enquanto prefeitos contestam impacto fiscal da medida provisória

Ipolítica, com informações da Agência Brasil

Segundo o governo, o reajuste garante ganho real de 1,5% acima da inflação, já que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2025 ficou em 3,9%
Segundo o governo, o reajuste garante ganho real de 1,5% acima da inflação, já que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2025 ficou em 3,9% (Bruno Peres/Agência Brasil)

BRASÍLIA – A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) comemorou o reajuste do piso do magistério para 2026, definido em medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O novo valor eleva o salário mínimo nacional dos professores da rede pública de educação básica para R$ 5.130,63, com jornada de 40 horas semanais, um aumento de 5,4%.

O piso anterior era de R$ 4.867,77. Segundo o governo, o reajuste garante ganho real de 1,5% acima da inflação, já que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2025 ficou em 3,9%.

CNTE vê reajuste do piso do magistério como conquista

Para a CNTE, o reajuste do piso do magistério representa uma vitória da mobilização da categoria. Em nota, a presidente da entidade, Fátima Silva, afirmou que a medida reforça a luta histórica pela valorização da educação pública.

A dirigente também citou dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que colocam o Brasil entre os países que pior remuneram professores, apontando um problema estrutural na carreira docente.

Segundo a confederação, o critério de reajuste foi debatido no Fórum Permanente do Piso e levou em conta princípios de previsibilidade e sustentabilidade orçamentária. A entidade afirma ainda que representantes de secretários estaduais e municipais de educação concordaram com a proposta, reforçando o caráter federativo da decisão.

Como funciona o piso salarial do magistério

O piso salarial do magistério é o valor mínimo que professores da educação básica devem receber no país. A legislação determina atualização anual com base em:

  • inflação medida pelo INPC do ano anterior;
  • 50% da média da variação da receita real dos entes federativos destinada ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) nos cinco anos anteriores.

 

A lei também estabelece que o reajuste nunca pode ser inferior à inflação do período.

Prefeitos contestam impacto financeiro

Responsáveis pelo pagamento dos salários em nível municipal, prefeitos reagiram ao reajuste do piso do magistério. Em nota, o presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, afirmou que o impacto pode chegar a R$ 8 bilhões para os cofres das prefeituras.

A entidade defende que aumentos reais nos vencimentos sejam negociados localmente, considerando as condições fiscais de cada município e os limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Na mesma linha, a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) manifestou preocupação com o reajuste. A federação alertou que a medida pode comprometer o equilíbrio fiscal dos entes locais e defendeu a necessidade de maior participação financeira da União em eventuais aumentos que extrapolem os parâmetros legais.

Validade da medida

Os salários dos profissionais da educação básica são pagos por estados e municípios com recursos do Fundeb e complementações da União. Por se tratar de uma medida provisória, o reajuste do piso do magistério tem validade imediata, mas ainda precisará ser aprovado pelo Congresso Nacional para se tornar definitivo.

A MP será publicada na próxima edição do Diário Oficial da União, nesta quinta-feira (22).

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