BRASÍLIA – O Banco Central abriu uma investigação interna para apurar a condução do caso do Banco Master, com foco em eventuais falhas no processo de fiscalização e na decisão de decretar a liquidação extrajudicial da instituição financeira controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
A auditoria é um procedimento sigiloso dentro do Banco Central e teve início logo após a liquidação do banco, ocorrida no ano passado. O principal objetivo é entender por que a área técnica demorou a identificar o crescimento das operações consideradas de risco realizadas pelo Banco Master.
Sindicância foi aberta em dezembro
A abertura da sindicância foi determinada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ainda em dezembro. Segundo relatos, processos de liquidação extrajudicial são considerados fatos graves e exigem registro detalhado e apuração interna.
Embora a auditoria tenha começado no fim de 2025, a informação só veio a público nesta quinta-feira (29), por se tratar de um procedimento protegido por sigilo institucional.
Mudanças na área de supervisão bancária
Desde a abertura da auditoria, dois diretores deixaram os cargos no Departamento de Supervisão Bancária (Desup), área responsável por acompanhar a saúde financeira das instituições supervisionadas. Saíram do comando do departamento Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza.
O Desup é o setor encarregado de identificar riscos, acompanhar operações financeiras e apontar irregularidades no sistema bancário.
Liquidação extrajudicial do Banco Master
A crise envolvendo o Banco Master começou após suspeitas relacionadas a operações financeiras da instituição, que levaram o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial em novembro do ano passado.
Na prática, a liquidação extrajudicial significa o encerramento das atividades do banco, com a nomeação de um liquidante para assumir o controle da instituição e conduzir o fechamento das operações até sua extinção. A partir desse momento, o banco deixa de integrar o sistema financeiro nacional.
No ofício assinado por Gabriel Galípolo, a decisão foi justificada pela situação econômico-financeira da instituição e pela infração às normas que regem a atividade bancária.
Questionamentos do TCU ampliaram o caso
A decisão do Banco Central passou a ser questionada em outras instâncias. O Tribunal de Contas da União determinou inicialmente a realização de uma inspeção para analisar documentos relacionados à liquidação do banco.
O Banco Central apresentou recursos contra a decisão, mas, dias depois, o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, reuniu-se com Gabriel Galípolo para tratar do impasse. Em 12 de janeiro, o BC retirou os embargos.
Segundo o Banco Central, a retirada do recurso fez parte de uma saída negociada para encerrar o conflito institucional. Como resultado, BC e TCU acordaram que as próximas etapas envolverão diligências técnicas sobre a documentação, em vez de uma inspeção formal.
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