Caso Master

Investigadores veem situação de Toffoli como insustentável e alertam ministros do STF sobre agravamento do Caso Master

Avaliação é que permanência do ministro à frente do inquérito amplia desgaste e pode levar STF ao centro de crise política

Ipolítica, com informações do g1

Relator do processo desde dezembro, quando decidiu levar ao Supremo as investigações sobre supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, Toffoli passou a ser alvo de questionamentos internos e externos
Relator do processo desde dezembro, quando decidiu levar ao Supremo as investigações sobre supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, Toffoli passou a ser alvo de questionamentos internos e externos (Reprodução)

BRASÍLIA – Investigadores que acompanham o Caso Master avaliam que a situação do ministro Dias Toffoli à frente do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) é insustentável e tende a se agravar nas próximas semanas. O diagnóstico já foi levado a outros ministros da Corte, com alertas sobre o risco de o caso extrapolar a esfera individual e gerar um desgaste institucional mais amplo.

Relator do processo desde dezembro, quando decidiu levar ao Supremo as investigações sobre supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, Toffoli passou a ser alvo de questionamentos internos e externos por decisões tomadas no curso do caso.

Decisões de Toffoli aumentam desconforto

Entre os pontos que causaram estranheza está a determinação para que o material apreendido na segunda fase da Operação Compliance Zero fosse enviado ao STF, e não à Polícia Federal (PF). Para investigadores, a medida reforçou a percepção de concentração excessiva do caso no Supremo.

O desgaste aumentou após a revelação de que fundos ligados ao Banco Master adquiriram participação de irmãos do ministro em um resort localizado em Ribeirão Claro, no Paraná. Na avaliação de investigadores, não há um ponto específico que encerre a crise, mas sim uma sequência de desdobramentos que independe das decisões do próprio relator.

Frentes fora do STF ampliam risco

Segundo fontes da investigação, parte relevante das apurações segue fora do controle direto de Toffoli e do STF. Em São Paulo, por exemplo, investigações envolvendo fundos de investimento e estruturas financeiras ligadas ao caso continuam em andamento e podem gerar novos fatos a qualquer momento.

A avaliação é que, mesmo com tentativas de organizar o processo no Supremo, o desgaste pode vir de fora, ampliando a pressão sobre o relator e sobre a Corte como um todo.

Esse cenário já foi apresentado a ministros do STF, com o alerta de que o caso tem potencial para “arrastar o tribunal para a lama”, transformando um problema individual em um risco institucional.

Primeira instância é defendida

Nos bastidores do Supremo, parte dos ministros defende que o Caso Master desça para a primeira instância. A alternativa é vista como uma saída técnica e pragmática, descrita como o “feijão com arroz” jurídico.

Segundo essa avaliação, a medida:

  • não cria tese nova;
  • é defensável do ponto de vista técnico;
  • retira Toffoli do centro do caso;
  • reduz a pressão direta sobre o STF.

Ministros reconhecem que não se trata de uma solução honrosa, mas consideram que seria a menos traumática para a Corte diante do cenário atual.

Resistência e falta de articulação interna

Outra possibilidade, a de Toffoli deixar espontaneamente a relatoria, é vista como improvável. Nos bastidores, ministros afirmam não acreditar que ele aceitaria se afastar voluntariamente.

Há também uma crítica interna de que faltou uma tentativa institucional coordenada para buscar uma saída antes que a crise ganhasse dimensão própria. Segundo essa leitura, não houve uma conversa direta e articulada para tentar construir um caminho menos desgastante.

STF entra no radar eleitoral

O resultado do impasse, segundo investigadores e ministros, é que o Supremo passou a ser tema político antecipado. A avaliação nos bastidores é que o tribunal foi colocado “na linha de tiro da campanha”, deixando de ser apenas alvo da extrema-direita e passando a integrar o debate eleitoral de forma mais ampla.

Para uma ala da Corte, manter o caso no STF concentra o desgaste em Toffoli e amplia o risco de o tribunal ser visto como juiz em causa própria, especialmente diante da possibilidade de novos fatos surgirem fora do alcance do relator.

A leitura predominante é que esticar a crise agrava a situação do STF e empurra a Corte para o centro de uma disputa política permanente. Segundo investigadores e ministros, a crise envolvendo Toffoli não tem prazo para acabar, apenas a possibilidade,  ainda aberta, de ser contida antes de contaminar toda a instituição.

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