SÃO LUÍS – A recorrente falta d’água na Grande Ilha está diretamente relacionada a perdas significativas no sistema Italuís, ao crescimento urbano desordenado e à fragilidade das políticas de preservação ambiental. A avaliação é do mestre em desenvolvimento socioespacial e regional pela UEMA, Marco Silva, que analisou o cenário hídrico da capital maranhense em entrevista à Mirante News FM.
Segundo o especialista, embora o problema mais recente tenha sido por conta de um vazamento em uma das adutoras mais antigas do sistema, a situação revela falhas estruturais que se repetem ao longo dos anos.
“Foi necessário fazer uma intervenção para evitar um dano maior. Com o reparo, o bombeamento deve ser retomado, garantindo o abastecimento da cidade”, explicou.
Marco Silva destacou que o sistema Italuís é responsável por cerca de 60% do abastecimento de São Luís, captando e distribuindo aproximadamente 2.500 litros de água por segundo. No entanto, ao longo do trajeto entre Bacabeira e São Luís, a cidade perde cerca de 400 litros por segundo, sendo desperdiçado “um sistema Sacavém” inteiro.
Sangrias Clandestinas e Baixa Hidrometração
Entre os principais fatores para essas perdas estão as chamadas sangrias clandestinas, intervenções irregulares feitas diretamente na adutora para retirada de água. Além de prejudicar o abastecimento da capital, a prática coloca em risco a vida da própria população.
Outro ponto crítico destacado por Marco Silva é a baixa hidrometração na capital. Menos de 30% das residências de São Luís possuem hidrômetros, número muito inferior à média nacional, que já ultrapassa 90%. Para o especialista, a falta de medição contribui diretamente para o desperdício e dificulta o controle do consumo.
“Se combatêssemos as perdas e o desperdício, seria possível acabar com a intermitência que existe desde 1992”, avaliou.
Assista a entrevista na íntegra.
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