Em Vargem Grande

Trabalhadores mantidos em condições análogas a de escravidão são resgatados no Maranhão

Segundo a polícia, os trabalhadores, que são do Estado do Ceará, foram iludidos e atraídos até Vargem Grande com a falsa promessa de receberem alimentação e salários dignos.
Imirante.com, com informações da Polícia Civil14/07/2021 às 14h58
Foto: Divulgação/Polícia Civil do Maranhão.

VARGEM GRANDE – Um grupo de 14 trabalhadores, que era mantido em condições análogas a de escravo, foi resgatado na noite dessa terça-feira (13), no povoado Mucambo, na cidade de Vargem Grande, a 172 km de São Luís.

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O resgate foi realizado pela Polícia Civil do Maranhão, com apoio da Guarda Municipal. Segundo a polícia, os trabalhadores também foram vítimas do crime de tráfico de pessoas, pois foram iludidos em sua terra de origem, o interior do Ceará, e atraídos até Vargem Grande com a falsa promessa de receberem alimentação e salários dignos, além de estadia e condições de trabalho salubres.

“As denúncias davam conta de que trabalhadores eram mantidos em condições análogas a de escravidão, com parca alimentação, condições sanitárias péssimas no alojamento. Não tinham água, não tinham banheiro e alimentavam-se de mortadela e ovos. A denúncia chegou ao conhecimento da polícia pelos próprios trabalhadores que foram até uma das fazendas pedir ajuda e conseguiram conectar o Wi-Fi nos seus celulares e avisaram aos familiares no Ceará, que provocaram uma ação nas forças de segurança do município”, explicou o delegado Bruno Sobreira, da Delegacia Regional de Vargem Grande.

Segundo as investigações preliminares da Delegacia, ao chegarem na cidade, as vítimas foram submetidas pelos contratantes a uma jornada extenuante de trabalho de 12 horas diárias, sendo acomodadas em alojamentos imundos, sem água encanada ou banheiros, além de uma alimentação indigna.

"A Polícia Civil e a Guarda Municipal de Vargem Grande foram até o local e confirmaram que, de fato, procedia a denúncia. Lá eles (os trabalhadores) foram encontrados em péssima situação, com fome, não tinham como tomar banho. Eles tomavam banho em um açude próximo que servia de criadouro de peixe, ou seja, havia resto de ração, eles entravam nessa água e saiam se coçando”, relatou o delegado sobre as condições degradantes às quais os trabalhadores eram submetidos.

Foto: Divulgação/Polícia Civil do Maranhão.

Ainda de acordo com as investigações, como sempre acontece nesse tipo de crime, muitos desses trabalhadores contraíram, antecipadamente, dívidas com seus empregadores a título de adiantamento, e por isso eram obrigados a trabalhar em outro Estado nas condições degradantes em que foram encontrados.

As vítimas relataram que só receberiam os respectivos salários quando retornassem ao Ceará, após três meses de trabalho, durante esse período, não tinham acesso a qualquer outro recurso, e, por isso, não poderiam de outra forma regressar às suas cidades de origem.

No local, foi preso um dos representantes dos empregadores das vítimas, um homem de 41 anos de idade, pela participação nos crimes.

De imediato, o capataz, o pré-posto do empregador, ele ouviu voz de prisão no local e foi encaminhado pra delegacia de Polícia Civil, onde foi autuado em flagrante por participar do crime de redução de pessoas a condição análoga a de escravo. São 14 trabalhadores originários da cidade de Uruoca, no interior do Ceará”, disse o delegado Bruno Sobreira.

Dentre as vítimas, havia uma mulher, duas pessoas menores de idade e um senhor de 59 anos, que era obrigado a caminhar pelo matagal por até duas horas em busca da palha de carnaúba.

A polícia afirma que as investigações continuam no sentido de identificar e responsabilizar os demais traficantes e agenciadores, que reduziram as vítimas à condição análoga a de escravos.

As vítimas resgatadas foram encaminhadas à Secretaria de Assistência Social de Vargem Grande, onde receberão o devido amparo.

“Os empregadores foram qualificados, apesar de não estarem no local. Irão responder sim em suas circunscrições e o fato está sendo oficiado ao Ministério do Trabalho. Esses trabalhadores serão devolvidos, serão trasladados para as suas cidades de origem no Ceará. E contamos com a ajuda da Secretaria de Assistência Social do município, que irá alimentá-los e acomodá-los em um alojamento digno, até que aconteça esse traslado”, destacou o delegado.

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