Mobilidade

Crescimento urbano e malha limitada de transporte são desafios em São Luís

"Mobilidade urbana deve ter como diretriz prioritária o ir e vir dos pedestres", defende especialista.
Neto Cordeiro/Imirante.com26/12/2018 às 07h01
MA-201, a Estrada de Ribamar.

SÃO LUÍS – Nos trechos de ligação entre municípios que compõem a Região Metropolitana de São Luís, o que vemos é um conjunto que prédios que foram erguidos ao longo dos últimos anos. Estamos falando dos empreendimentos habitacionais nas Mas 201 e 202.

A Estrada de Ribamar (MA-201) e a Estrada da Maioba (MA-202) vêm ganhando cada vez mais moradores. Os condomínios se somam e dão nova dinâmica para estas rodovias estaduais que ligam São Luís a municípios como São José de Ribamar e Paço do Lumiar.

Prédio habitacional na Estrada da Maioba.

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Mas será que a infraestrutura destas regiões tem acompanhado este crescimento urbano? Nossa reportagem procurou o especialista em gestão de Trânsito, Francisco Peres Soares, que é coordenador do Observatório de Trânsito no Maranhão e conselheiro do Contran. Veja a entrevista:

Imirante.com: A partir de quais critérios ou prioridades o poder público deve pensar a mobilidade urbana nas regiões de adensamento populacional, como as MAs 201 e 202, ou seja, por onde começar?

Francisco Soares: Todo projeto de mobilidade urbana deve ter como diretriz prioritária o ir e vir dos pedestres. É irracional um projeto de mobilidade que apenas se preocupe com os veículos. Quando se trata de uma rodovia estadual que atravessa municípios, a gestão de mobilidade é mais complexa pois envolve o governo do estado e o governo municipal. O transporte público deve ser priorizado para atender os deslocamentos das populações vizinhas desse adensamento com estudos de origem/destino e oferta/demanda. O governo e o município envolvido deverão aprovar projetos a partir de audiências públicas que depois serão transformados em leis municipais.

Como a oferta de ônibus ou transporte alternativo pode ser ampliada sem saturar o fluxo nessas vias?

Francisco Soares: Os transportes alternativos realizados por vans e os chamados "carrinhos" devem obrigatoriamente assumir um caráter complementar, de alimentação dos terminais de integração ou de outros pontos geradores de fluxo de passageiros. É irracionalidade permitir que o transporte alternativo concorra com transporte convencional, pois possuem características antagônicas e bastante diferenciadas. É imperioso que o governo municipal envolvido no problema, invista na criação de faixas de rolamento exclusivas para transporte público, permitindo a circulação mais livre de ônibus, táxi, os carrinhos e vans!

É possível reorganizar estas vias de forma a inserir mais arborização, iluminação, ciclofaixas, sinalização e passeio público?

Francisco Soares: É possível melhorar e muito as vias urbanas e intermunicipais. Há muitas possibilidades de uso criativo e eficiente da caixa das vias. Tenho defendido uma redução da largura da faixa de rolamento como forma de diminuir a velocidade das vias, principal causadora de acidente de trânsito, e ao mesmo tempo possibilitar uma terceira via de escoamento para emergências e descongestionamento nos horários de pico. Tenho defendido também a criação de corredores virtuais para as motocicletas, uso compartilhado das motocicletas com as faixas exclusivas de ônibus e até mesmo a criação das chamadas motofaixa, ou seja, faixas exclusivas para motociclista. Mais da metade da frota de veículos no Maranhão é de motocicletas, motonetas e ciclo motores. Chegou a hora dos gestores de trânsito enfrentarem com criatividade esse problema que só tende a aumentar! A cada dia mais motocicletas aumentam a Frota oficial e clandestina do estado do Maranhão. Um dos estados com maior número de acidentes com mortes oriundos de motocicletas (13 mortes/100 mil pessoas por ano). É muito importante também a criação de zonas de retenção para motociclistas, de forma que na abertura no sinal de trânsito todos os condutores de motos estejam à frente dos veículos de quatro rodas.

Como a parceria entre as gestões municipais pode contribuir no setor de mobilidade nessas regiões de limites da Região Metropolitana?

Francisco Soares: O trânsito é dinâmico e se distribui de uma forma muito complexa no tecido urbano e não respeita fronteiras entre os municípios. Não se pode dizer que São Luís possui problemas estanques de trânsitos que não influenciam as cidades de São José de Ribamar, Paço do Lumiar ou até mesmo Raposa. O consórcio de municípios metropolitanos além de resolver o problema de uma forma mais sinérgica tem a possibilidade de reduzir os custos com tais investimentos. Existe orientação do próprio Conselho Nacional de Trânsito que o poder de polícia fiscalizatório do trânsito possa ser feito em regime consorciado entre os diversos municípios localizados na mesma região de impacto.

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