Dica de saúde

Insuficiência hepática aguda: saiba o que é e como tratar

Dia mundial de alerta para riscos das Hepatites.
Divulgação/Assessoria17/07/2014 às 18h26

SÃO LUÍS - Uma das principais funções do fígado é ajudar na desintoxicação do organismo. O fígado metaboliza substâncias potencialmente nocivas ao corpo, tornando-as inócuas. É por isso que a insuficiência hepática aguda, embora seja uma patologia de ocorrência muito rara, deve ser prontamente detectada, pois deteriora muito rapidamente a saúde e apresenta altas taxas de mortalidade e morbidade e afeta, principalmente, as pessoas mais jovens. É causada principalmente por uma hepatite viral e por medicamentos como o paracetamol e o diclofenaco, entre outros. Uma pessoa com insuficiência hepática aguda deve ser encaminhada, rapidamente, a uma unidade de terapia intensiva e, geralmente, é candidata a um transplante de fígado (25% dos casos).

A médica Maria Luisa Yataco, especialista do Departamento de Transplantes da Divisão de Gastrenterologia e Hepatologia da Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, aborda os principais aspectos da doença.

O que é Insuficiência Hepática Aguda

É a deterioração rápida da função do fígado, de uma forma súbita e intensa. Manifesta-se como icterícia, o amarelamento da pele e das mucosas, em decorrência do aumento de bilirrubina no organismo. Essa manifestação é seguida de encefalopatia hepática, que é degeneração da função cerebral, devido à incapacidade do fígado de eliminar as toxinas do sangue. Essa última condição se apresenta dias e até semanas depois da presença da icterícia e na ausência de dano hepático prévio.

Causas

A Insuficiência Hepática Aguda pode ser causada por vários fatores. Pode se apresentar como uma consequência de uma hepatite viral aguda, uma dose excessiva de paracetamol ou uma reação idiossincrásica a algum medicamento. A causa também pode ser envenenamento por ingestão de cogumelos não comestíveis, do tipo amanita; por uma hepatite autoimune; nas mulheres, a esteatose hepática ou fígado gorduroso durante a gravidez; ação de agentes químicos; enfermidades como a doença de Wilson ou a síndrome de Budd-Chiari aguda; infiltração neoplásica no fígado (metástase do câncer) e também, lamentavelmente, por causas que a medicina ainda não consegue determinar.

Sobre as Hepatites

No caso da hepatite viral, a insuficiência hepática aguda pode ser causada pelo vírus A, B, C, D ou E, dependendo, em muitos caos, do país em que se apresenta. Nos Estados Unidos, por exemplo, predomina a hepatite B, seguida da A. No Japão, predomina o vírus B (40% dos casos) e, na Índia, o vírus B e o E causam 60% das hepatites que levam à insuficiência hepática aguda. A hepatite viral pode ser causada também por uma reativação do vírus B em pacientes sem doença hepática crônica, devido à quimioterapia ou imunossupressão; ao vírus do herpes simples, varicela ou herpes-zoster, citomegalovírus e outros similares, como o vírus Epstein-Barr e o parvovírus.

· A hepatite aguda A é a mais benigna; raramente causa uma insuficiência hepática aguda e tem uma taxa de sobrevivência de 75%, sem necessidade de transplante de fígado, sendo de melhor prognóstico em pacientes mais jovens.

· A hepatite aguda B é mais severa; se apresenta só, ainda que em casos excepcionais pode vir acompanhada do vírus D. A sobrevivência do paciente está muito ligada ao transplante de fígado (77%, contra 23% se este não se realiza).

· Enquanto isso, a insuficiência hepática aguda, causada pelo vírus herpes, é muito mais infrequente e, usualmente, se apresenta em pacientes com imunossupressão ou em grávidas, no último trimestre da gravidez. Essa hepatite não apresenta icterícia, tem lesões cutâneas somente na metade dos casos e uma biópsia do fígado é muito útil para um diagnóstico correto.

· A “hepatite autoimune” pode se apresentar como uma hepatite comum aguda. É mais frequente se há presença do anticorpo LKM-1, que implica também problemas renais, geralmente sem a presença de anticorpos antimúsculo liso. Deve ser feita uma biópsia hepática se houver suspeita de que o caso é de hepatite autoimune.

Diagnóstico

Avalia-se a história pessoal do paciente e os fatores de risco, como contato sexual, gravidez, consumo de drogas “recreativas” (êxtase, metanfetamina, cocaína, cogumelos alucinógenos, narcóticos em geral), exposição a tóxicos – se no ambiente de trabalho ou por consumo de cogumelos – herpes labial recente e presença de icterícia, viagem recente com pessoas doentes e ingestão de remédios sem controle médico, incluindo os de livre aquisição.

Em nível clínico, a presença de anorexia, fezes pálidas, urina escura, náuseas e/ou vômitos, dor no quadrante superior direito do abdômen. Além disso, um exame físico para determinar se há doença hepática preexistente, icterícia, aumento do tamanho do fígado e, em menores de 40 anos, anéis de Kayser-Fleischer, que indicaria doença de Wilson. Também se pedem exames de laboratório para medir o tempo de coagulação do sangue, o tipo sanguíneo, gases no sangue, e para verificar a presença de drogas, HIV, marcadores de hepatite viral e autoimunidade e teste de gravidez, tratando-se de mulheres em idade fértil. Se o médico considerar necessário, pedirá também exames por imagem, como Doppler, tomografias computadorizadas do abdômen e do tórax, e ressonância magnética do abdômen. A biópsia hepática é reservada apenas para o caso em que persistirem dúvidas sobre o diagnóstico.

Transplantes

Os transplantes de fígado são, hoje, uma alternativa bastante importante para este paciente em estado mais grave. Porém é preciso detectar rapidamente se o paciente é candidato ou não a esse procedimento. É um caso de urgência e, portanto, o paciente com insuficiência hepática aguda deve ter a primeira prioridade para transplante. Acima de 65% dos transplantados sobrevivem depois do ano da cirurgia. O período crítico é o período dos primeiros três meses, quando ocorre a maior parte das mortes, devido à sépsis ou complicações neurológicas.

O transplante não é recomendado para os pacientes que apresentam dano cerebral irreversível, doença cardiovascular subjacente, infecção ou sépsis, falha multiorgânica, elevação incontrolável da pressão intracraniana. Somemos a eles o que abusam do consumo de bebidas alcoólicas ou de drogas, os que apresentam patologias psiquiátricas, mal controladas ou tratadas.

Outros meios de tratamento

Existem alguns sistemas bioartificiais de apoio, para a purificação extracorpórea do sangue, como o equipamento alemão “Prometheus”, que é um sistema de diálise da albumina e que é utilizado em patologias hepáticas como as descritas. Além disso, permitem melhorar os parâmetros de encefalopatia, função renal e hemodinâmica, com o que se dá apoio ao paciente, até que seu próprio fígado se recupere ou até que se disponha de um órgão compatível para o transplante.

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