Cidades | Mãe é tudo

Na pandemia, o amor de mãe é um alento para o conforto dos lares

Em tempos difíceis, de tamanha dor, é preciso valorizar as relações mais puras e humanas do mundo; e não há relação mais forte dentro da família do que o contato entre a mãe e os seus filhos
Thiago Bastos / O Estado08/05/2021
Franciele tem a sobrinha Maria Eduarda como filha

São Luís - A pandemia do coronavírus, que assola parte da população mundial e que atingiu as famílias brasileiras e, em específico, maranhenses, há pouco mais de um ano estimula valores e sensações das mais negativas. É um misto de angústia, desespero e tristeza por ver, ao nosso lado, alguém perder um ente querido ou amigo próximo.

Em tempos assim, de tamanha dor, é preciso valorizar as relações mais puras e humanas do mundo. E não há relação mais forte entre famílias do que o contato entre a mãe e os seus filhos. A responsabilidade de gerar um filho ou filha no contexto atual são desafios que vão além do pensamento ou planejamento financeiro e passam por construção de valores e de caráter.

A missão de ser mãe é tão genuína e ampla que permite licenças sem abalar a definição de ser uma na essência. Mesmo as mulheres que, por contingências da vida, não podem gerar filhos são tão mães quanto outras, por suas atitudes e, principalmente, por se portarem como tais, sem levar em consideração o aspecto de afinidade biológica.

Atualmente, de acordo com dados do Instituto Data Popular, o Brasil tem aproximadamente e de forma reconhecida, 67 milhões de mães. Destas, um terço são solteiras. A grande maioria deste perfil pertence à chamada classe média, mas o objetivo desta reportagem não é traçar um modelo do que seria uma mãe brasileira.

A meta é venerar uma missão divina (para quem crê na presença de Deus) e glorificar uma data especial. Neste domingo, dia das Mães (9 de maio), a obrigação é abraçar a sua mãe e dizer a ela o quanto foi importante para a sua criação. Quem não tem esta chance – seja por motivo de falecimento ou outra razão qualquer – deve manter o respeito por quem, independentemente dos atributos, foi responsável por colocar você no mundo.

Como não é possível falar de todas as mães do planeta nestas próximas linhas, O Estado escolheu algumas mães consideradas especiais para contar as suas histórias e exemplificar o modelo de tantas outras que existem neste mundo. Mesmo na pandemia, em que o simples abraço é motivo de preocupação devido à contaminação, ser mãe tornou-se ainda mais um desafio.

Amor de mãe é único e não vê sangue ou origem
O sentimento de mãe é democrático e não vê face, coração e às vezes caráter. O filho ruim para um pode ser “o príncipe” ou a “princesa” para a mãe, dependendo de seu laço com aquela pessoa. O amor de mãe deve ser respeitado, independentemente do pensamento de terceiros.

O ser mãe, em determinados momentos, passa pela transmissão de amor que seria de um filho ou filha gerado pelo ventre para outras crianças. Jovens que, em determinados momentos, são colocados em carência de amor e, em outros casos, por contingência da vida, perdem alguém próximo.

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No caso de Franciele Sousa Leite, profissional de saúde que está na chamada “linha de frente” do coronavírus, o seu amor de mãe a ser compartilhado com seus filhos naturais migrou para outra jovem belíssima. A incapacidade (infelizmente no caso) de gerar em seu próprio ventre a fez reproduzir o seu amor de mãe para a sua sobrinha, Maria Eduarda, de 11 anos.

Após essa fase da vida, Franciele ajudou na criação dos filhos de sua “parente”, dona Jéssica Lopes e de sua irmã, Odiléia Leite. “Eu, na verdade, tenho esse sentimento de mãe dentro de mim, em meio a tanta tarefa a ser realizada por mim, em termos profissionais. É um amor único, grandioso, que nasce naturalmente e que decidi alimentar dentro de mim por todos estes anos, até ser reproduzido em crianças que, para mim, são meus filhos de coração”, disse.

O fato de não poder gerar filhos (o que é um mero detalhe e não distingue quem é ou não é melhor mãe de alguém) não frustra a jovem Franciele. Ela – que não desistirá do projeto de ser mãe – disse a O Estado que outras mulheres que, porventura, desejam ser mães lutem por este intuito.

“Eu sou mulher, tenho o sonho de ser mãe, mas me sinto mãe de várias crianças. É algo subjetivo, pessoal, um sentimento que carrego e que ninguém poderá tirar. Em tempos de pandemia, em que sentimentos mais nobres devem ficar ainda mais fortes, o amor de mãe somente ajuda, para a gente superar este momento tão difícil”, afirmou.

Lorena com seus filhos, Gabi e Leo

“Meus filhos foram gerados no coração, além dos 9 meses”
O coração de mãe não se engana. Quem quer ser mãe, é mãe ainda que haja impedimento biológico ou natural. As mulheres aprenderam a capacidade de estender sentimentos, de se apegarem a crianças que nem mesmo foram geradas em seus úteros. Uma capacidade que somente reforça o quão é valoroso ser mãe.

E exemplos de mulheres que infelizmente não puderam gerar seus filhos em seus próprios úteros são muitos. Mas a força de vontade destas representantes femininas faz crer que tudo é possível, até mesmo exteriorizar o sentimento de mãe em tempos tão sombrios de pandemia.

A história de Lorena Vieira Nogueira Campelo, profissional de saúde, é surreal e linda. Ao lado do marido, Patrick Peixoto Campelo, foram várias tentativas (infelizmente frustradas) de tratamento para gerar um filho através do processo natural de gestação. No entanto, não foi possível.

O sentimento negativo que faz cair a autoestima de qualquer mulher deu lugar à uma confiança e geração de expectativa diante de uma nova porta aberta pela vida. O processo natural foi substituído pela migração de um amor que se personificou em “Gabi” e “Léo”, duas lindas crianças adotadas por eles.

Essa gestação ocorreu no coração de uma mãe que tem um amor tão imenso por seus filhos que dói positivamente falar sobre o tema. “Decidimos adotar depois de algumas tentativas com tratamentos para engravidar que não deram certo. Mas tínhamos o desejo muito forte da maternidade e paternidade. Então, decidimos correr atrás desse lindo sonho de outra forma, foi quando abrimos nosso coração para a adoção. Caminho não menos curto para a maternidade tão sonhada”, disse Lorena.

A primeira “a ser trazida pela cegonha” da vida foi Gabriela. Ela chegou no lar de Lorena e do esposo, Patrick, com apenas 4 dias de vida.

“Dizem que quando uma criança nasce, nasce junto uma mãe. Mas nem sempre é verdade, eu demorei quatro dias para nascer depois que a minha filha nasceu. E foi o dia mais feliz da minha vida! Chorei, desabei em lágrimas em tê-la em meus braços. Finalmente, o dia tão esperado havia chegado. Deus havia me dado meu maior presente, a razão da minha vida, a extensão daquilo que nós somos! ”, afirmou.

Ela se lembra até hoje desta data e do quanto foi sofrida a espera, alimentada por forte expectativa. “E eu lutei tanto, tanto por ela, até com a própria vida para simplesmente, ser mãe. Simplesmente não, por que não foi tão simples”, disse Lorena Vieira.

Outro sonho lindo
Após dois anos e quatro meses da chegada de “Gabi” ao lar, outro raio de luz foi trazido para a vida de Lorena Vieira. Uma ligação da Vara da Infância confirmou a formalização da adoção de Leonardo, o “Léo”. Sua adaptação foi rápida e tanto o amor de mãe, quanto a cumplicidade e aceitação da irmã, Gabriela, foram imediatos.

“Amor de outras vidas. Um mundo de descoberta de novos sentimentos se abria. Um amor construído e divino. Em poucos dias [Léo] foi para casa com a gente alegrar mais ainda o nosso lar! Meu príncipe, cheio de vida, de energia, de doçura. Meus filhos são bênçãos de Deus”, disse.

A menção do sonho de mãe somente se valida se há a cumplicidade do companheiro. “Agradeço ao meu marido Patrick Campelo viver esse sonho comigo. Sem ele ao meu lado eu não conseguiria ser mãe”, afirmou.

NÚMEROS

11 milhões de mulheres no Brasil são mães solteiras
36% foi o aumento do número dos nascimentos para mães entre os 30 e os 44 anos nos últimos três anos no país

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

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