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Cirurgias robóticas avançam com vantagens e benefícios aos pacientes

Tecnologia de ponta reduz tempo de internação, risco de infecções, sangramentos e complicações no pós operatório
13/02/2021
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São Luís - No Maranhão, o Programa de Cirurgia Robótica foi implantado em 17 de janeiro do ano passado pelo Hospital São Domingos (HSD). De lá para cá, foram feitas mais de 80 cirurgias de êxito com o auxílio de robôs de alta tecnologia. O quantitativo é motivo de comemoração devido às vantagens desses procedimentos para pacientes e equipes médicas em comparação aos métodos cirúrgicos convencionais. Por enquanto, apenas a rede privada de saúde conta com essa ferramenta, o que já é um avanço significativo nessa área.

Para operar o robô Da Vinci, os profissionais do HSD passam por treinamentos, avaliações, certificações específicas e supervisão de um proctor, denominação dada ao profissional com vasta experiência em cirurgia robótica. A equipe é formada por médicos cirurgiões, enfermeiros, técnicos de enfermagem e anestesistas que, no treinamento de formação teórica e prática, tiveram contato com o equipamento que simula o robô. A cada dia, novos profissionais são capacitados e se mantêm em constante atualização.

Durante o período de treinamento, são repassados aos cirurgiões desde os ensinamentos mais básicos, como os relacionados ao funcionamento do robô, até os mais avançados, que envolvem técnicas de segurança, caso ocorra algum imprevisto com o paciente. Todos os médicos treinados para usarem o Da Vinci devem estar aptos também para realizarem cirurgias convencionais abertas ou laparoscópicas. O que dá mais segurança ao paciente e familiares.

Vantagens da cirurgia robótica
Entre as vantagens da cirurgia robótica sobre a convencional (aberta) está o fato da robótica ser menos invasiva, já que os cortes são menores. Isso também reduz sangramentos, dores e risco de infecções, além de contribuir para a recuperação mais rápida do paciente. Em relação à cirurgia laparoscópica, as vantagens são de ter maior precisão em locais do corpo de difícil acesso, como nas regiões de pelve, diafragma e saída do esôfago. Ela também oferece melhor ergonomia, o cirurgião fica sentado em posição confortável, o que ajuda nas cirurgias longas. Além disso, a visão é tridimensional e o processo é mais intuitivo, porque o robô reproduz movimentos similares aos do cirurgião.

Na laparoscopia convencional, o mecanismo de movimentação dos instrumentos cirúrgicos é inverso. O cirurgião movimenta os dedos para a esquerda e a pinça se move para a direita. Para exemplificar, na prostatectomia radical robótica, para o tratamento do câncer de próstata, a maioria dos pacientes recebe alta no primeiro dia de pós operatório.

“A Cirurgia Robótica Minimamente Invasiva é indicada para o tratamento de diversas patologias e já mostrou que pode beneficiar pacientes na diminuição da dor e do desconforto no pós-operatório, na diminuição de perdas sanguíneas durante o procedimento, no menor tempo de permanência no hospital e no retorno mais rápido às atividades diárias”, explica o médico cirurgião, Sérgio Moura, urologista e professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), que faz parte do Programa de Cirurgia Robótica do HSD.

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O médico responde - Sérgio Moura - urologista e cirurgião

1- Quais são as inovações tecnológicas trazidas pelo robô Da Vinci para as cirurgias feitas no Maranhão?

Esse sistema composto por um console cirúrgico, uma torre automatizada controlada por esse console e quatro braços cirúrgicos dispõe de diversas pinças de tamanhos variados (5 e 8 mm). Trouxe como inovações uma câmera binocular que transmite imagens em 3D de alta definição, pinças cirúrgicas que se movimentam em três eixos, permitindo ao cirurgião múltiplos graus de liberdade para movimentá-las, e filtração de tremor, permitindo maior destreza cirúrgica e manipulação delicada dos tecidos. Os instrumentos multiarticulados captam o movimento do cirurgião cerca de 1300 vezes por segundo, filtrando tremores e movimentação escalonada, gerando movimentos nos instrumentos. O sistema de vídeo proporciona magnificação de 10 a 15 vezes e visão real em três dimensões.

2) A Cirurgia robótica é uma alternativa segura para os pacientes?

O robô não faz nada sozinho. Qualquer movimento realizado por ele foi feito pelo cirurgião no console. No entanto, diante de ações imprevistas pelo cirurgião, a tecnologia robótica aciona um comando de segurança que trava provisoriamente a máquina, evitando danos ao paciente. Se o médico tirar o rosto da tela de controle, o robô também para automaticamente. Por serem mais complexa​s, as cirurgias robóticas seguem também um protocolo de checagem de todos os itens de segurança a cada uma hora de cirurgia, aproximadamente. O Centro de Cirurgia Robótica, do Hospital São Domingos, conta apenas com profissionais especializados e muito bem treinados para a realização desses procedimentos, o que garante indicadores de segurança iguais ou superiores aos de outros tipos de cirurgias.

3- Como fazer para que casos com essa indicação não fiquem de fora ou demorem na fila de espera pelo procedimento, haja vista que só a capital possui o equipamento?

Apesar da expansão da cirurgia robótica em território brasileiro, os altos custos do equipamento ainda são obstáculos para que esse tipo de procedimento chegue ao Sistema Único de Saúde (SUS). Cada robô custa cerca de R$12 milhões e pesa mais de 500 quilos, necessitando de um amplo espaço dedicado somente a ele no hospital. Outro desafio para a popularização da cirurgia robótica no Brasil é a cobertura dos planos de saúde, já que grande parte dos convênios não cobre cirurgias robóticas. Somente aos poucos, os planos estão se conscientizando das vantagens dessa tecnologia e alguns já cobrem procedimentos dessa natureza total ou parcialmente. Quando essa tecnologia for acessível, certamente vai beneficiar a muitos. O mais importante é que os primeiros passos dessa longa caminhada foram dados.

SAIBA MAIS

Cirurgia Robótica - A cirurgia robótic​a pode ser co​nsiderada uma evolução da Cirurgia Minimamente Invasiva Laparoscópica. Ou seja, o cirurgião estabelece os acessos laparoscópicos e introduz a câmera e as pinças robóticas no interior do corpo do paciente por meio de pequenas incisões. Com isso, o médico controla os movimentos das pinças robóticas através de um console e tem uma excelente visão para realizar a cirurgia, além de contar com movimentos precisos dos braços de robôs, como o Da Vinci Surgical System.

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