Ato religioso

Missas, live-show e moto-carreata marcam encerramento do festejo de Nossa Senhora da Conceição

Tradicional evento religioso teve programação modificada este ano, para seguir as normas sanitárias e evitar a proliferação da Covid-19; mesmo de longe, fieis fizeram o que puderam para demonstrar sua devoção à santa

Ismael Araújo / O Estado

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h18

[e-s001]São Luís - Atos de devoção, celebração de missas, reza de terços, orações, live-show e moto-carreata marcaram o encerramento do festejo de Nossa Senhora da Conceição, que ocorreu na terça-feira, 8, seguindo as normas sanitárias para evitar a proliferação da Covid-19. O evento religioso é realizado há mais de 200 anos em São Luís, e este ano teve como tema “Para que todos sejam um”, iniciado no dia 29 de novembro, com a celebração da santa missa, no Santuário Nossa Senhora da Conceição, no bairro do Monte Castelo.

Na manhã de ontem, os devotos e a comunidade participaram de uma moto-carreata, que teve ponto de concentração na Via Expressa, nas proximidades da entrada do Vinhais Velho. Centenas de carros e motocicletas enfeitados fizeram um longo cortejo. Alguns veículos estavam com a imagem da santa no para-brisa, enquanto outros fiéis colocaram a santa no teto do seu carro.

Também era possível observar veículos com balões azul e branco, crianças e adultos utilizando roupas de anjos e devotos com velas, pagando promessas. “Este ano recebi uma graça de Nossa Senhora, então, estou aproveitando para pagar esse bem agraciado”, afirmou Maria Cristina Silva, de 67 anos.

O padre do Santuário de Nossa Senhora da Conceição, Carlos Silveiro, conhecido na comunidade como Carlinhos, disse que a programação do festejo deste ano teve várias modificações por causa da pandemia do novo coronavírus, por isso foram atendidas rigidamente as medidas sanitárias preventivas. Uma das alterações foi a substituição da tradicional procissão, que começava após a celebração da missa campal na praça Maria Aragão, pela realização da moto-carreata. “O evento foi realizado, mas seguindo as normas sanitárias, para evitar o coronavírus”, frisou o pároco.

Moto-carreata
A moto-carreata teve como ponto de partida a Via Expressa e seguiu pelas avenidas Daniel de La Touche, Jerônimo de Albuquerque, Professor Carlos Cunha, Camboa, Senador Vitorino Freire, Kennedy, Getúlio Varga, com encerramento no Santuário de Nossa Senhora da Conceição, no Monte Castelo.

As pessoas, mesmo dentro dos veículos, cantaram, rezaram e gritavam louvores à santa. Fiéis mostravam a imagem de Nossa Senhora da Conceição pela janela do carro e terços, como sendo uma forma de devoção e fé.

Uma das participantes foi Maria Castro, de 69 anos. Ela disse que no período da manhã de ontem já tinha participado da oração do terço no Santuário do Monte Castelo, mas levou toda a família para participar da carreata. “Sou devota da santa e trouxe os meus familiares para participarem da carreata. No período da noite, participarei da santa missa”, declarou a devota.

[e-s001]Leandro Jesus Barros, de 40 anos, também é devoto. Ele contou que há duas décadas participa do festejo da santa e sempre vai acompanhado do filho, Rômulo Barros, de 16 anos. “Hoje, tenho uma casa, no Turu, foi fruto da promessa feita para Nossa Senhora, a mãe de Jesus”, disse o fiel.

Durante seu percurso, a moto-carreata chamou a atenção de muitas pessoas, principalmente devotos da santa. Alguns fiéis aguardaram pela passagem da santa nos bairros. “Estava esperando a santa passar para poder pedir graças”, disse o aposentado Antônio Silva, de 69 anos.

Os veículos que chegavam da moto-carreata foram abençoados pelo padre Carlinhos. “Todos os veículos, que participaram desse ato religioso, estão sendo abençoados e tendo a proteção divina de Deus e de Nossa Senhora da Conceição”, frisou o pároco.

Atos de devoção

Ainda durante o dia de Nossa Senhora da Conceição, 8 de dezembro, feriado municipal, ocorreram vários atos de devoção no santuário. A coordenação da igreja escolheu uma criança para coroar a imagem da santa, diante dos fiéis. Umas das devotas, Sílvia Helena Martins, de 39 anos, desejou felicidades a essa criança e pediu saúde para toda a comunidade. “Estou aproveitando o momento para pedir a santa pela saúde da população, principalmente aos nossos idosos”, frisou.

Cláudio Antônio Cruz, de 56 anos, aproveitou o momento da coroação da santa para agradecer as graças recebidas no decorrer deste ano. “O ano está sendo difícil para todos nós, por causa do novo coronavírus, mas, eu e os meus filhos fomos curados dessa doença, pela fé que temos na santa e em Deus”, frisou o fiel.

[e-s001]Também ontem, ocorreram missas presenciais, transmitidas pela internet, oração do terço e um live-shom em todas as plataformas online do santuário, com a participação de artistas da terra. Entre eles, Cecília Leite, Tereza Canto, Marcos Duailibe e outros.

SAIBA MAIS

Santa

O primeiro altar dedicado à Imaculada Conceição, em São Luís, foi erguido pela irmandade de Nossa Senhora da Conceição dos Mulatos na lateral da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, na Rua do Egito. Lá, foi depositada a imagem esculpida em madeira vinda de Portugal, a mesma que ainda hoje é venerada no Santuário de Nossa Senhora da Conceição, no bairro Monte Castelo.

Somente em 1762 a santa ganhou igreja própria. Os fiéis uniram-se para construir uma capela no local onde hoje fica o Edifício Caiçara, na Rua Grande. Segundo o historiador Jomar Moraes, na frente da igreja havia um pequeno largo. O fundo era voltado para a Rua de São Pantaleão e o lado direito para a Rua Grande.

Em 1939 a capela foi demolida por interesses comerciais do então presidente da província. O terreno tornou-se trajeto dos bondes, instalados para modernizar o transporte da capital. Amargurado, o vigário morreu dois anos depois.

Ainda de acordo com o historiador, antes da demolição as imagens, altares e painéis de azulejos foram transferidos para a vizinha Igreja de Santana. Em busca de local para erguer a nova igreja, o padre Ribamar Carvalho, acompanhado dos fiéis, conseguiu um terreno no bairro Monte Castelo, onde está até hoje.

A construção foi custeada pelos devotos, que se revezavam na venda de artigos religiosos e lanches, para angariar recursos. Enquanto se encaminhavam os trabalhos da obra, as missas eram rezadas em uma casa cedida naquele mesmo bairro. No ano de 1971, finalmente, a nova igreja foi inaugurada, tornando-se destino de fiéis de todo o Maranhão, o que lhe rendeu, sete anos atrás, o título de Santuário.

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