Alternativo | Conversa

Língua portuguesa como elo entre Angola e Maranhão

Escritor angolano Pepetela falará ao Maranhão em live realizada pelo TJMA e AML, hoje, às 17h, com transmissão pelo Youtube
05/11/2020
Língua portuguesa como elo entre Angola e Maranhão  Pepetela é autor de “Mayombe” (Divulgação)

São Luís - O escritor angolano, Pepetela, um dos vencedores do Prêmio Camões (1997), pela riqueza de sua obra literária, é o convidado de uma live que ocorre hoje, às 17h. O evento é realizado pelo Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) e a Academia Maranhense de Letras (AML). A transmissão será pelo canal youtube/tjmaoficial. A condução do bate-papo terá como mediadores o presidente do TJMA, desembargador Lourival Serejo, e o advogado e escritor maranhense, Alexandre Lago.

Para o advogado, o evento tem objetivos imediatos e mediatos. “O imediato é a oportunidade de ouvir o que pensa esse profícuo autor angolano, que falará para o Maranhão. O mediato é contribuir para maior integração entre o mundo literário de língua portuguesa. Somos irmãos de mesmo idioma, semelhanças de identidade, porém, ainda conhecemos pouco nossas literaturas. Que, para mim, é a melhor maneira de nos conhecermos”, frisa Alexandre Lago.

Pepetela – cuja obra reflete a história contemporânea de Angola – é licenciado em sociologia e atua como docente na Faculdade de Arquitectura da Universidade Agostinho Neto, em Luanda, capital de Angola. A história angolana antes do colonialismo faz parte da obra literária de Pepetela, que inclui o romance “Mayombe”, que retrata a vida e o pensamento de um grupo guerrilheiro durante a guerra em Angola, que teve início em 1975 e continuou – com alguns intervalos – até 2002.

A trajetória de Angola narrada e analisada por Pepetela pode ser lida também nos livros “A Gloriosa Família” e “Lueji”. Sua obra mais ambiciosa é “Yaka”, um romance histórico publicado em 1984, que ganhou o prêmio nacional de literatura, em Angola.

Entre as obras escritas pelo escritor angolano incluem-se ainda “O Quase Fim do Mundo” – uma alegoria pós-apocalíptica – e “O Planalto e a Estepe”, que examina as ligações entre Angola e outros países ex-comunistas, além de “Muana Puó”, livro no qual ele examina a situação de Angola, através da metáfora das máscaras dos Côkwes, uma etnia daquele país africano.

O primeiro romance do Pepetela foi publicado em 1972, com o título “As Aventuras de Ngunga”, com uma análise sobre o crescimento revolucionário de Ngunga, um jovem guerrilheiro do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), com um tom épico e didático.

O romance introduz o leitor aos costumes, à geografia e à psicologia de Angola. Pepetela cria um diálogo entre a tradição angolana e ideologia revolucionária, debatendo quais tradições devem ser alimentadas, e quais devem ser alteradas. A obra marca a carreira de Pepetela, dono de uma obra extensa que inclui romances, peças, ensaios.

Um dado importante é o fato do romance ter sido escrito e publicado quando Pepetela lutava contra os portugueses na Frente Leste. A publicação da obra ocorreu somente após a independência de Angola, quando o escritor se tornou vice-ministro da Educação no governo do presidente Agostinho Neto. l

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