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A importância de não esconder as emoções

As pessoas não estão acostumadas a dar ouvidos às emoções e se permitirem lidar com elas, mas isso é imprescindível para o crescimento emocional
01/03/2020 às 00h00
A importância de não esconder as emoçõesNão reprima seus sentimentos e não tente fingir que não está sentindo (Divulgação)

São Paulo - Não temos como controlar tudo que acontecerá conosco, as situações difíceis que surgirão ao longo da vida e, muito menos, como nos sentiremos em relação a elas. As emoções não podem ser inibidas, ao contrário, o ideal é senti-las na sua totalidade e aprender a gerenciá-las. O modo de vida de hoje permite cada vez menos olharmos para dentro de nós, já que a todo tempo somos estimulados a olhar para fora, para as coisas externas como trabalho, estudo, família, dinheiro e, até mesmo, ao celular sempre cheio de notificações. As distrações são muitas e, na verdade, olhar para si é um exercício que boa parte das pessoas não foi ensinada a fazer.

Hoje em dia parece muito difícil estar em silêncio, focar nas suas percepções, emoções e se permitir ouvir o que elas podem nos dizer. Pouco tempo que ficamos mais introspectivos ou quietos já é suficiente para nos deixar entediados, então buscamos artifícios como uma playlist para ouvir, uma série para maratonar ou ver as redes sociais, por exemplo.

Por acharmos muitas vezes, que não vamos conseguir lidar com as emoções, somos tentados a varrer tudo que sentimos para debaixo do tapete. “A verdade é que temos medo do que vamos encontrar se olharmos muito para dentro, que provavelmente é algo muito difícil de enfrentar e que não daremos conta. Diante disso pensamos: não posso demonstrar o que estou sentindo, não posso ficar triste, preciso sair para me distrair ou fazer alguma coisa”, explica a Camila Cury, psicóloga, presidente e fundadora da Escola da Inteligência - programa de educação socioemocional, idealizado por Augusto Cury.

Nesse movimento de evitar sentir as coisas acabamos com um acúmulo de sentimos que não conseguimos enfrentar e que, potencializados, nos fazem tomar certas atitudes impulsivas como responder de maneira um pouco mais agressiva sem ter motivo aparente, brigamos com as pessoas sem justificativa plausível ou mesmo ficamos tristes sem saber direito o porquê.

A Teoria da Inteligência Multifocal, que embasa o programa da Escola da Inteligência, diz que todos possuem um “Eu” que tem mecanismos inconscientes responsáveis por construir os pensamentos e esse “Eu” precisa ser colocado para trabalhar. É necessário que ele assuma o comando, principalmente quando sentimentos antes reprimidos forem admitidos. “A primeira coisa a se fazer é colocar o nosso ‘Eu’ em ação para reconhecermos o que estamos sentindo, seja raiva, tristeza, angústia ou qualquer outro sentimento e o que me fez senti-lo”, orienta Camila Cury.

Como muitas vezes não há recursos emocionais para se nomear o que está sendo sentido e isso está atrapalhando de alguma forma, a dica é usar os três Passos da Gestão de Emoção:

1 - Pare e sinta essa emoção: Não reprima seus sentimentos e não tente fingir que não está sentindo. Todas as emoções são importantes e precisam de um espaço para serem sentidas.

2 - Perceba as reações que ela causa no seu corpo: Se pergunte o que esse sentimento está trazendo de consequência para sua vida. Uma emoção não gerenciada, independentemente se positiva ou negativa, pode trazer muitos resultados não desejados.

3 - Pense na emoção que está sentindo: Descubra de onde veio essa emoção.

Com a gestão da emoção, o “Eu” pode começar a buscar o que fazer com esse sentimento para se sentir melhor. “Esse exercício ajuda a não descontarmos nossa frustração nos outros, o que poderia causar mais problemas. A prática de reconhecer as próprias emoções ajuda, também, a aprender a perceber as emoções dos outros e isso colabora muito com nossos relacionamentos interpessoais”, diz a porta-voz.

Por fim, Camila Cury explica que esses três passos não precisam ser colocados em prática apenas quando as emoções desconfortáveis surgirem, mas quando a sensação for de felicidade também. Assim, é possível identificar o que faz bem e perceber qual foi o estímulo que levou àquela emoção prazerosa para buscá-la novamente.

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