Salvamento

Mais da metade das mortes por afogamento ocorrem em piscinas

Dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático dão o alerta neste Mês da Segurança Aquática, pois os casos tendem a aumentar em períodos de férias

Evandro Júnior / O Estado

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h22

[e-s001]Dezesseis pessoas morrem afogadas diariamente no Brasil e 52% das mortes na faixa de 1 a 9 anos de idade ocorrem em piscinas. Os dados atualizados são da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), que acaba de divulgar novo boletim sobre afogamentos e incidentes aquáticos no Brasil. Os casos acontecem também em rios e mares. No dia 13 de outubro, um caso foi registrado no Maranhão, envolvendo um homem de 31 anos, que morreu após se afogar no Rio Munim, em Presidente Juscelino.

A pesquisa mostra ainda que, a cada dois dias, uma criança morre afogada em casa. Os dados já estão disponíveis na internet e endossam a campanha preventiva alusiva ao mês de novembro, referente à segurança aquática. Este mês foi escolhido para a campanha por anteceder o período de férias, quando o fluxo de banhistas em piscinas, praias e rios aumenta. Em São Luís, o alerta é dado, principalmente, pelas escolas de natação engajadas na luta pela redução desses incidentes fatais.

Segundo a professora de natação Denise Araújo, 47% dos óbitos ocorrem até os 29 anos. Ela atenta para o fato de que a ocorrência durante o lazer na piscina é duas vezes mais frequente do que a queda acidental. “É um problema seríssimo e é por isso que o mundo inteiro está nessa luta. Os dados divulgados objetivam documentar o tamanho do problema, identificar causas e, claro, apontar soluções de prevenção, resgate e mitigação, municiando a luta pela redução dos casos”, frisa Denise Araújo.

[e-s001]Monitoramento
Em São Luís, o esforço para evitar esses incidentes é grande, tanto nas praias quanto nas escolas, como forma de conscientizar principalmente crianças. Segundo o comandante do Batalhão de Bombeiros Marítimos, que monitora as praias de São Marcos, Calhau, Meio e Araçagi, este ano já foram feitas mais de 15 mil abordagens, quando os bombeiros dão dicas de segurança para a população. “São abordagens preventivas para evitar afogamento a partir da orientação correta”, disse ele, informando que esta semana está acontecendo um seminário nacional do Corpo de Bombeiros, com a inclusão do Campeonato Brasileiro de Salvamento Aquático.

Os dados da Sobrasa revelam ainda que crianças de 1 a 9 anos se afogam mais por queda em piscinas e espelhos de água em casa e em seu entorno. E mais: que as crianças que sabem nadar se afogam mais por incidentes de sucção pela bomba em piscina. Crianças maiores de 10 anos e adultos se afogam mais em águas naturais do tipo rios, represas e praias. Embora alguns países tenham demonstrado redução no número de óbitos e incidentes aquáticos, as Nações Unidas antecipam crescimento nos próximos anos, principalmente em países de baixa renda, se não houver intervenção drástica como o uso da prevenção.

A professora Denise Araújo explica que um dos projetos da escola de natação que mantém, executados no mês da segurança aquática, chama-se “Sopro de Vida”, que visa orientar crianças e adultos sobre os cuidados para evitar acidentes que provoquem a dificuldade ou impossibilidade de respirar. As dicas são dadas com a ajuda de um manequim recomendado pela Cruz Vermelha Internacional.

SAIBA MAIS

- A cada 92 minutos uma pessoa morre afogada no Brasil
- 47% dos óbitos ocorrem até os 29 anos
- 52% das mortes na faixa de 1 a 9 anos de idade ocorrem em piscinas e residências
- A cada 2 dias uma criança morre afogada em casa
- Mais de 90% das mortes ocorrem porque se ignora os riscos, não se respeita os limites pessoais e se desconhece como agir
- Considerando o tempo de exposição, o afogamento tem 200 vezes mais risco de óbito que os acidentes de transporte
- Os números de afogamento são ainda muito subestimados, mesmo em países desenvolvidos
- 44% dos afogamentos ocorrem de novembro a fevereiro

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