Política | Crise

Novas mensagens sugerem orientação de Moro em processo

Revista trouxe novas mensagens que supostamente teriam sido trocadas entre o ex-juiz Sergio Moro e os procuradores que atuaram nas ações da Lava Jato, que foram orientados pelo magistrado a anexar provas em denúncia apresentada pelo MPF
06/07/2019
Novas mensagens sugerem orientação de Moro em processoReprodução

BRASÍLIA - A Revista Veja, em parceria com o site The Intercept Brasil, divulgou na última sexta-feira, 5, novos diálogos atribuídos ao então juiz Sergio Moro e a procuradores. A revista afirma que as supostas conversas no aplicativo Telegram mostram que Moro orientava de forma ilegal ações da Lava Jato.

Veja afirma que foram analisadas 649.551 mensagens. A revista diz, na seção Carta ao Leitor, que analisou dezenas de mensagens trocadas ao longo dos anos entre membros da revista e os procuradores. E que todas as comunicações seriam verdadeiras, palavra por palavra.

A revista diz que numa conversa de 28 de abril de 2016, Moro teria orientado os procuradores a tornar mais robusta uma peça. O suposto diálogo se refere a Zwi Skornicki, representante do estaleiro Keppel Fels, que tinha contrato com a Petrobras. O engenheiro foi condenado por corrupção ativa a 15 anos, 6 meses e 20 dias.

No suposto diálogo, o procurador Deltan Dallagnol teria dito à procuradora Laura Tessler: "no caso do Zwi, Moro disse que tem um depósito em favor do Musa (Eduardo Costa Vaz Musa, ex-gerente da Petrobras) e se for por lapso que não foi incluído ele disse que vai receber amanhã e da tempo. Só é bom avisar ele". Laura teria respondido: “Ih, vou ver”.

A revista afirma que, no dia seguinte, o Ministério Público Federal (MPF) incluiu um comprovante de depósito de US$ 80 mil feito por Skornicki a Musa. E que Moro aceitou a denúncia minutos depois do aditamento e que, na sua decisão, mencionou o documento que havia pedido. Segundo a revista, isso demonstraria que ele claramente ajudou um dos lados do processo a fortalecer sua posição.

Em outra suposta conversa de 2 de fevereiro de 2016, Moro avisa Dallagnol que a Odebrecht entrou com uma petição sobre determinada questão. E que abriria prazo de três dias para os procuradores se manifestarem.

No dia 5, segundo a revista, o procurador Dallagnol teria mandado pelo aplicativo Telegram a manifestação do Ministério Público quase pronta. A revista afirma que a situação é completamente irregular porque o Dallagnol teria enviado a Moro uma versão inacabada do trabalho para que o juiz pudesse adiantar a sentença.

A revista destaca outro suposto diálogo em que o chefe da força-tarefa, Deltan Dallagnol, daria dicas a Moro sobre argumentos para garantir uma prisão. O diálogo seria de 17 de dezembro de 2015, quando Moro teria informado ao procurador que precisava da manifestação do Ministério Público Federal no pedido de revogação da prisão preventiva de José Carlos Bumlai, pecuarista e amigo de Lula. Dallagnol teria respondido sobre o prazo: “Até amanhã meio dia". E o procurador, segundo a revista, teria acrescentado: “Seguem algumas decisões boas para mencionar quando precisar prender alguém…”

Em outro diálogo atribuído a Moro e a Dallagnol, o juiz teria perguntado sobre rumores de uma delação de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados. Dallagnol teria respondido que tudo não passa de rumores e que, sempre que Moro quisesse, colocaria o então juiz a par. Segundo a revista, Moro teria reiterado ser contra a delação.

A revista ressalva que a proposta de delação atingia políticos com foro privilegiado e que a palavra final para assinar o acordo com Cunha passaria para a Procuradoria Geral da República e a homologação ao ministro do STF Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato. Segundo a revista, um dos procuradores teria dito que a ideia era analisar a proposta em conjunto com os colegas para uma decisão de aceitar ou rejeitar a delação. Dois dias depois, o procurador Ronaldo Queiroz teria dito que o material é fraco. A revista afirma que, no dia seguinte, outro procurador, provavelmente Orlando Martello Júnior, teria expressado o posicionamento de Curitiba, que a revista destaca ter sido o mesmo de Moro: "Achamos que o acordo deve ser negado de imediato”.

Obsessão

Na reportagem, a revista Veja afirma que uma das obsessões de Sergio Moro seria manter os casos da Lava Jato em Curitiba. E que, nesse esforço, o então juiz teria mentido a um ministro do Supremo ou na hipótese mais benigna ocultado dele uma prova importante. A revista conta então que a defesa do preso Flávio David Barra (ex-executivo da Andrade Gutierrez) pediu ao ministro do STF Teori Zavascki a suspensão do seu processo tocado pela 13ª Vara de Curitiba, alegando que Moro não tinha competência para julgar o caso por haver indício de envolvimento de parlamentares, entre eles o então senador Edison Lobão (MDB-MA). Segundo a revista, Teori cobrou explicações a Moro, que disse não saber nada sobre o envolvimento de parlamentares. Mesmo assim, afirma a revista, o ministro do STF suspendeu em 2 de outubro as investigações, o que forçou o então juiz a remeter o caso de Curitiba para Brasília três dias depois.

A revista diz que o comportamento de Moro perante Teori Zavascki foi impróprio e baseia essa opinião num diálogo registrado no Telegram 18 dias depois entre o procurador Athayde Ribeiro Costa e a delegada Erika Marena, da Polícia Federal. No suposto diálogo, eles teriam se referido a Moro pelo apelido de "russo". E usado o termo "eprocar" como sinônimo de protocolar o documento no sistema da Justiça, o E-proc.

Moro diz não reconhecer autenticidade de supostos diálogos

O ministro da Justiça e Cidadania, Sergio Moro, divulgou nota na manhã desta sexta-feira, 5, para rebater a nova leva de supostas conversas envolvendo o seu nome e de pessoas relacionadas à Operação Lava Jato, divulgada pela revista Veja, em parceria com o site The Intercept Brasil.

O conteúdo sugere, mais uma vez, que na ocasião em que atuava como juiz federal em Curitiba, Moro teria orientado procuradores da Operação Lava Jato a anexar provas para fortalecer a parte acusatória num desses processos. O ministro afirma que não reconhece a autenticidade dessas supostas mensagens.

Além de não reconhecer a autenticidade, Moro diz que sempre foi e será um defensor da liberdade de imprensa. Mas, repudia com veemência "a invasão criminosa dos aparelhos celulares de agentes públicos com o objetivo de invalidar condenações por corrupção ou para impedir a continuidade das investigações".

O ex-juiz critica o que considera "divulgação distorcida e sensacionalista de supostas mensagens obtidas por meios criminosos e que podem ter sido adulteradas total ou parcialmente, sem que previamente tenha sido garantido direito de resposta dos envolvidos e sem checagem jornalística cuidadosa dos fatos documentados, o que, se tivesse sido feito, demonstraria a inconsistência e a falsidade da matéria".

Bolsonaro: irei com Moro ao jogo da seleção e povo dirá se estamos certos ou não

O presidente Jair Bolsonaro disse na manhã desta sexta-feira, 5, que pretende assistir à final da Copa América entre Brasil e Peru, no Maracanã, no Rio de Janeiro, neste domingo, dia 7, ao lado do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

Questionado sobre a publicação de uma nova leva de supostas conversas envolvendo o ministro e pessoas relacionadas à Operação Lava Jato, Bolsonaro disse que caberá ao povo avaliar se o presidente e Moro estão "certos ou não".

O conteúdo, divulgado na sexta-feira, 5, pela revista Veja, em parceria com o site The Intercept Brasil, sugere, mais uma vez, que, quando atuava como juiz federal em Curitiba, Moro teria orientado procuradores da Operação Lava Jato a anexar provas para fortalecer a parte acusatória num desses processos. O ministro afirma que não reconhece a autenticidade dessas supostas mensagens.

“Pretendo domingo não só ir assistir à final do Brasil com Peru, bem como, se for possível, se a segurança me permitir, irei com o Sergio Moro junto ao gramado. E o povo vai dizer se nós estamos certos ou não", disse Bolsonaro a jornalistas. O presidente participou de solenidade de comemoração do 196º Aniversário da criação do Batalhão do Imperador e o 59º de sua Transferência para a Capital Federal. O evento foi realizado no Batalhão da Guarda Presidencial, em Brasília.

Questionado sobre as vaias direcionadas a ele por torcedores no último jogo da equipe brasileira, o presidente disse que o alvo era a seleção argentina de futebol. "Houve vaia quando a seleção da argentina entrou. E aí jogaram a câmera para cima de mim, queriam o quê? Acham que de imediato, eu, com paletó e gravata, no Mineirão enorme, uma vaia estrondosa de repente para mim? Não tem cabimento isso. Quem por outro lado sabia que era eu? Não sabia. A vaia foi para a seleção da Argentina", rebateu. O presidente afirmou ainda que se um dia for alvo de vaias vai "logicamente" pensar onde está errando.

A final da Copa América será a quinta ida de Bolsonaro a estádio como presidente. No dia 6 de junho, ele assistiu à vitória da seleção brasileira de futebol contra o Catar, no Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília.

Seis dias depois, no mesmo estádio, acompanhou, ao lado de Moro, o jogo entre CSA e Flamengo. No dia 14 de junho, Bolsonaro foi ao estádio do Morumbi para assistir à partida de abertura da Copa América entre Brasil e Bolívia. O jogo mais recente que ele acompanhou foi a vitória da seleção brasileira em cima da equipe argentina, nesta terça-feira.

Ainda como presidente eleito, Bolsonaro foi convidado pelo Palmeiras para entregar aos jogadores o troféu de Campeão Brasileiro em dezembro. Torcedor da equipe paulista, ele foi convidado pela diretoria alviverde para ir ao Allianz Parque, em São Paulo, e acompanhar a partida contra o Vitória no camarote da presidência do clube.

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