Barbárie

Massacre em escola de Suzano (SP) deixa 10 mortos e comove o Brasil

Onze feridos continuavam internados em hospitais até a noite desta quarta-feira (13); entre os que morreram, duas funcionários da Escola Estadual Raul Brasil e cinco eram alunos

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h26
Polícia faz perícia no carro usado pelos assassinos de Suzano
Polícia faz perícia no carro usado pelos assassinos de Suzano

SUZANO - Dois jovens, Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, mataram sete pessoas na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, e posteriormente se mataram ao se depararem com a polícia no local, na manhã desta quarta-feira (13). Antes de chegarem à escola ainda atiraram no tio de Guilherme, Jorge Antonio Moraes, que veio a óbito no hospital. A motivação para o crime ainda não foi divulgada. Os dois eram ex-alunos da escola e Guilherme estudou no colégio até o ano passado.

Entre os que morreram, estão duas eram funcionários da escola, Eliane Regina de Oliveira Xavier e Marilena Vieira Umezo. Cinco eram alunos do ensino médio: Pablo Henrique Rodrigues, Clayton Antonio Ribeiro, Caio Oliveira, Samuel Melquiades Silva de Oliveira e Doulas Murilo Celestino, que morreu no deslocamento para o hospital.

Onze feridos pelos atiradores na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, continuam internados em hospitais até a noite desta quarta-feira (13). Sete pessoas estão em hospitais estaduais, duas estão em hospitais municipais de Suzano e outras duas em hospital particular.

Duas pessoas estão internadas no hospital particular Santa Maria de Suzano. Um deles, ferido por arma branca, recebe atendimento pós-cirúrgico, está em estado grave, mas em evolução positiva, segundo o hospital. O outro foi ferido por arma de fogo, mas está estável.

Um dos feridos está internado na Santa Casa de Suzano e uma segunda pessoa está no Pronto-Socorro da cidade, de acordo com a prefeitura de Suzano.

Atirador Guilherme Taucci postou fotos em rede social antes do massacre
Atirador Guilherme Taucci postou fotos em rede social antes do massacre

De acordo com informações da Secretarial de Saúde do Estado, o Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes, está atendendo dois dos feridos. Um deles está em estado grave, mas estável, e passa por avaliação médica. Um paciente procurou o hospital junto à sua família com uma fratura no tornozelo e vai passar por procedimento cirúrgico, segundo a secretaria. O hospital Luzia de Pinho Melo chegou a receber mais uma pessoa, que não resistiu aos ferimentos e morreu.

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-USP), na capital paulista, atende no momento quatro feridos, ainda segundo a secretaria. O HC-USP recebeu uma quinta pessoa ferida no atentado, que acabou morrendo.

Uma paciente está sendo atendida pelo Hospital Geral de Itaquaquecetuba, com quadro clínico estável, informou a secretaria estadual de saúde.

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou ainda que foram enviados dois psiquiatras e um psicólogo para dar apoio no atendimento às famílias e demais envolvidos na ocorrência. Eles atuarão em conjunto com a equipe do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Suzano.

Atirados Luiz Henrique de Castro, de 25 anos
Atirados Luiz Henrique de Castro, de 25 anos

Debate

No episódio, a segunda tragédia com múltiplos mortos por armas de fogo em três meses em São Paulo e que intensificou o debate entre críticos e defensores do porte de armas, os criminosos usaram um revólver calibre 38, uma besta, um arco e flecha e uma machadinha, segundo a polícia.

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, general João Camilo Pires de Campos disse que os criminosos se mataram - possivelmente um deles matou o outro e posteriormente suicidou-se - ao se depararem com a força tática da polícia quando tentavam entrar em uma sala onde estavam dezenas de alunos.

A polícia investiga agora as motivações dos autores do massacre. A perícia está sendo realizada, testemunhas estão sendo ouvidas e buscas nas casas dos assassinos estão sendo realizada.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), visitou o local do massacre e decretou luto oficial de três dias no Estado. “É a cena mais triste que já assisti em toda minha vida, e fico muito triste que um fato como esse ocorra em nosso país e aqui em São Paulo”, disse Doria a jornalistas no pátio da escola.

Vizinhos

O massacre também deixou chocados os moradores que vivem nos arredores da escola. “Eu cresci ali, estudei ali minha vida toda. Tem uma parte de mim ali, uma parte da minha história”, disse o publicitário Igor Ribeiro, de 42 anos, que mora na lateral da escola Raul Brasil.

“Estava sentado aqui na varanda lendo e ouvi os estouros. Até pensei que fosse bombinha, mas logo vi as viaturas e a correria. Fui correndo e cheguei junto com as viaturas e logo já vi os corpos na entrada, muito sangue no chão, tinham três corpos. Os alunos ainda estavam saindo desesperados”, disse.

SAIBA MAIS

Outros casos

Em dezembro do ano passado, um atirador abriu fogo na Catedral Metropolitana de Campinas (SP), matando cinco pessoas no total. O atirador se suicidou após os disparos. Já em abril de 2011, um homem armado invadiu uma escola no Rio de Janeiro e disparou contra estudantes, matando 12 alunos antes de ser atingido pela polícia e cometer suicídio.


Solidariedade, luto e debate sobre desarmamento

O episódio em Suzano gerou repercussão no mundo político, e a Câmara dos Deputados cancelou sua sessão plenária desta quarta-feira (13) em razão do massacre.

O massacre em Suzano também intensificou o debate sobre partidários do armamento da população e defensores do desarmamento.

O senador Major Olimpio (PSL-SP) criticou o Estatuto do Desarmamento durante reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa e disse que a tragédia poderia ter sido evitada se houvessem pessoas com armas regulares no local.

“Se houvesse um cidadão com uma arma regular dentro da escola, professor, um servente ou policial aposentado que trabalha lá, ele poderia ter minimizado o tamanho da tragédia”, disse o parlamentar.

Já o coronel da reserva da PM de São Paulo e ex-secretário nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva Filho, afirmou que armar os funcionários pode gerar outras tragédias.

“Quanto mais armas existirem, mais tragédias como essas vão acontecer”, disse. “Funcionários armados sem o preparo que o policial tem pode colocar ainda mais gente na linha de fogo. Pode criar outras situações de tragédia como essa. Imagina se um aluno tem um bronca com um funcionário, ou se existe um bate-boca entre aluno e professor”, avaliou.


Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro classificou o massacre que deixou 10 mortos, incluindo os dois agressores, em Suzano nesta quarta-feira (13) de “uma monstruosidade e covardia sem tamanho”.

“Presto minhas condolências aos familiares das vítimas do desumano atentado ocorrido hoje na Escola Professor Raul Brasil, em Suzano, São Paulo. Uma monstruosidade e covardia sem tamanho. Que Deus conforte o coração de todos!”, escreveu o presidente em sua conta no Twitter.

Entidades educacionais

Em nota, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, rede que reúne dezenas de organizações, lamentou profundamente o massacre ocorrido nesta quarta-feira. "A violência que assola as cidades brasileiras precisa ser enfrentada. Para tanto, é preciso também fortalecer a educação para a paz e a justiça social, bem como promover a cultura de paz e a resolução pacífica de conflitos na sociedade brasileira, inclusive nas escolas", diz.

"A recorrência desses tristes episódios em território brasileiro não pode naturalizá-los. Desse modo, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação se coloca à disposição para a busca de soluções políticas e pedagógicas de fortalecimento dos espaços escolares e de construção da democracia e da paz", acrescenta.

O Todos pela Educação recebeu com pesar a notícia. "Nos faz pensar no quanto ainda temos que caminhar por uma verdadeira cultura de paz e pela valorização da escola. Nossa solidariedade às famílias e a toda comunidade escolar".

Policiais em ação na porta da Escola Estadual Raul Brasil
Policiais em ação na porta da Escola Estadual Raul Brasil

Brasil reúne histórico recente de tragédias em escolas

Tragédias envolvendo tiroteios e ataques em escolas são contabilizadas na história recente do país. O episódio registrado hoje na Escola EStadual Professor Raul Brasil, em Suzano, na Grande de São Paulo, junta-se a outros. Conforme matérias publicadas pela Agência Brasil, o caso mais recente ocorreu no Colégio Goyases, em Goiânia, quando adolescente de 14 anos assediado por bullying matou dois colegas de 13 anos e feriu outros com a arma da mãe, policial civil.

Na apuração das razões do crime, o autor dos disparos disse à polícia que se inspirou no atentado ocorrido em 1999 na escola de Columbine (Estados Unidos), com quinze mortos e 24 feridos, e no massacre ocorrido em Realengo, no subúrbio carioca, em 2011 – quando um adulto (23 anos) efetuou mais de 60 disparos e matou 12 crianças na escola municipal Tasso da Silveira.

Os dois casos são os que registram os maiores números de vítimas. No mesmo ano do episódio em Realengo, uma criança de 10 anos em São Caetano do Sul (SP) atirou em sua professora (4ª série) e depois se matou. Em abril de 2012, um adolescente de 16 anos da cidade de Santa Rita (PB) atirou em três alunas quando tentava acertar um outro estudante.

Há registro de mortes de estudantes também por arma branca, como o assassinato por facada contra um adolescente por um colega de sala em uma escola rural em Corrente (PI).

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