Geral | Intolerância

Nota de repúdio é emitida após aluno da UFMA publicar declarações homofóbicas

Marcos Silveira, aluno do curso de química industrial, escreveu “Tá liberada a caça legal aos viadinhos!” e “Não vale atirar na cabeça, tá ok?” em comemoração a vitória do presidente Jair Bolsonaro
29/10/2018 às 16h44
Perfil de Marcos Silveira no Facebook, que foi desativado na madrugada desta segunda-feira (29)

SÃO LUÍS – O clima de hostilidade que se instalou em várias universidades públicas do país durante a campanha eleitoral tem refletido também na Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Depois de estudantes e professores protagonizarem uma acalorada discussão, que quase acaba em pancadaria, durante uma palestra sobre facismo, na semana passada, professores e alunos do curso de química industrial emitiram, nesta segunda-feira (29), uma nota de repúdio após o aluno do curso, Marcos Leite Silveira Júnior, publicar declarações homofóbicas, machistas e de incitação à tortura em uma rede social depois da vitória do presidente Jair Bolsonaro. A universidade também se posicionou de forma oficial, reconheceu a manifestação de alunos e professores, informou que vai apurar o caso e ressaltou a gravidade das declarações de Marcos, que, depois de apagar seus perfis em duas redes sociais, escreveu um pedido de desculpas no início desta tarde.

Horas depois da confirmação da vitória de Jair Bolsonaro, Marcos Leite Silveira Júnior, que é estudante de química industrial na UFMA, disparou vários cometários de cunho homofóbico, incitando o início de uma “caça legal” a homossexuais e fez postagens também exaltando o nome do já falecido coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, militar reconhecido pela Justiça como torturador durante o regime militar, além de alguns xingamentos e exaltação ao conservadorismo. Vários alunos e professores da UFMA se manifestaram depois das declarações de Marcos, em seguida ele apagou seus perfis no Facebook e no Instagram.

Nessa declaração Marcos faz apologia a homofobia

Na primeira postagem, o aluno escreveu: “Atenção, geral! Tá liberada a caça legal aos viadinhos! Não vale atirar na cabeça, tá ok? 1 caixa de Budweiser pra cada viadinho no chão”. Logo em seguida, ele voltou a escrever: “Agora chorem, fraquejadas, vagabundas. O Brasil é conservador”. Por últimos, Marcos postou: Ustra vive! Chora esquerda!”.

Com essas declarações circulando em várias redes sociais durante toda a madrugada e manhã desta segunda-feira (29), alguns professores do curso de engenharia química e alunos resolveram se manifestar, e emitiram uma nota de repúdio. O comunicado, além de repudiarem as declarações de Marcos Silveira, pede providência para o departamento do curso e para a universidade. Na notam, alunos afirmam também que Marcos já vinha sendo observado há algum tempo, principalmente por publicar declarações “machistas, racistas e homofóbicas”, segundo a nota.

O texto afirma também que Marcos tem causado constrangimento, repulsa e até medo em algumas pessoas dentro do curso. “Os depoimentos do discente tornaram-se cada vez mais radicais e portanto inaceitáveis, pois continham teores não só agressivos, mas também faziam apologias a atos que são incontestavelmente criminosos”, diz trecho da nota.

Posicionamento da UFMA

A assessoria de comunicação da UFMA informou que já tem conhecimento da nota dos professores e alunos do curso, e garantiu que "promoverá a apuração rigorosa dos fatos, considerando a gravidade das declarações".

"A UFMA reforça, fiel à sua história de 52 anos, sua incondicional defesa da democracia, acolhendo e respeitando os diferentes pontos de vista, mas se posicionando em colisão frontal com a agressão, seja ela física, simbólica ― verbal ou não verbal", diz a nota da universidade, que emenda: "Pela premente necessidade de um país melhor e mais habitável, a UFMA reitera seu repúdio, contundentemente, às postagens que fomentem o ódio, o solapamento do outro e o desrespeito aos diferentes segmentos sociais".

Desculpas

Depois da repercussão do fatos, Marcos Silveira usou novamente as redes sociais, mas desta vez para se desculpar. “Primeiramente gostaria de me dirigir a toda comunidade LGBTq+/feministas e pedir minhas mais sinceras desculpas por minhas declarações infelizes, fora do contexto e impensadas. Estou profundamente arrependido”, disse o aluno.

Mesmo após o pedido de desculpa de Marcos, alunos chegaram a espalhar na universidade cartazes com a uma foto dele, e com a frase: “Se facismo tem cara, vamos expor”.

Veja abaixo as declarações de Marcos Silveira

Galeria de fotos

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