Geral | Mensagens de ódio

Agressor pediu “pena de morte” para político e fez curso de tiro

Na primeira declaração pública após ter sido esfaqueado em ato de campanha, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) disse que "nunca fez mal a ninguém"
Estadão Conteúdo07/09/2018 às 09h05
Agressor pediu “pena de morte” para político e fez curso de tiroBolsonaro agradeceu a equipe médica, Deus e disse ser inofensivo. (Divulgação)

SÃO PAULO – Preso na noite dessa quinta-feira (6), por ter ferido com uma facada o candidato Jair Bolsonaro (PSL), o servente de pedreiro Adélio Bispo de Oliveira, de 40 anos, usou as redes sociais para disseminar mensagens de ódio contra o deputado nos últimos meses, entre elas, uma em que pedia "pena de morte" ao presidenciável, chamado "traidor", "judas" e também xingado.

A mensagem, postada no dia 16 de julho, reproduz um vídeo editado em que o deputado fala sobre a Amazônia e a base espacial de Alcântara (MA) e é acusado de pregar a entrega do patrimônio nacional aos Estados Unidos. Sobre essas imagens, enquanto o parlamentar fala, surge a inscrição: "Jair Bolsonaro traidor - judas pena de morte pra esse fdp (sic)".

Em outra publicação, ele reproduziu gravação em que Bolsonaro e a também deputada Jandira Feghalli (PCdoB-RJ) debatem na TV sobre a ditadura militar. Oliveira comentou: "Dá nojo só de ouvir dizer que a ditadura deveria ter matado pelos uns 30 mil comunistas".

Antes da mensagem em que prega a pena de morte ao candidato, Oliveira praticou tiros no Clube e Escola de Tiro.38, em São José (SC), no dia 5 de julho. O clube é frequentado por dois filhos de Jair Bolsonaro - Carlos, vereador no Rio de Janeiro (PSL), e Eduardo, deputado federal (PSL-SP). Ao jornal O Estado de S. Paulo, o Clube 38 confirmou que Adélio praticou tiros com a supervisão de um instrutor.

Em 2013, Oliveira foi acusado pelo crime de lesão corporal no município de Montes Claros (MG), onde morava. Segundo o major Flávio Santiago, porta-voz da Polícia Militar de Minas Gerais, o caso envolveu a agressão a outro homem por causa de uma cobrança de dívida.

Simpatizante de ideologias de esquerda e símbolos comunistas, ele foi filiado, entre 2007 e 2014, ao PSOL de Uberaba (MG), e incentivava protestos na cidade. Também chegou a participar de manifestações contra a corrupção na cidade e em Brasília, em frente ao Congresso Nacional. Publicou ainda imagens de pessoas que defendem a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado na Operação Lava Jato.

Em maio, Oliveira postou foto na qual aparece ao lado de uma placa em que se lê "políticos inúteis". No mesmo dia, ele divulgou outra imagem em que pedia a renúncia do presidente Michel Temer.

Em seu perfil, o servente de pedreiro usou a seguinte frase para se definir: "Não importa em que partido tu militas, nem a ideologia que acreditas ou fé que tu praticas, se você tens (sic) prazer no triunfo da Justiça, então somos irmãos".

“Nunca fiz mal a ninguém”, disse Bolsonaro após facada

Na primeira declaração pública após ter sido esfaqueado em ato de campanha, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) disse que "nunca fez mal a ninguém". Após passar a madrugada no Hospital da Santa Casa, em Juiz de Fora (MG), o senador e pastor capixaba Magno Malta (PR-ES) publicou na manhã desta sexta-feira (7), imagens e um breve depoimento do candidato, que está na UTI.

Bolsonaro agradeceu a equipe médica, Deus e disse ser inofensivo. "Será que o ser humano é tão mau assim? Eu nunca fiz mal a ninguém", disse o presidenciável do PSL. "Eu estava muito preocupado. Parecia apenas uma pancada na boca do estômago, mas já levamos bolada no futebol. A dor era insuportável. Por isso parecia que tinha algo mais grave acontecendo. Essa equipe maravilhosa e abençoada evitou que o mal maior acontecesse", complementou Bolsonaro, com voz baixa.

"Muito obrigado aos médicos e enfermeiros de todo o Brasil por ter colocado essas pessoas certas nesse dia, às vésperas do nosso 7 de setembro", disse. Ele lamentou ainda não poder participar das festividades da data no Rio. Bolsonaro comentou ainda que já se preparava para um momento como esse.

Assista ao vídeo:

Magno Malta, apoiador declarado de Bolsonaro, também gravou vídeos sobre sua chegada ao hospital. Em um deles, fez uma oração ao lado do leito de Bolsonaro e seus filhos. Mais cedo, disse que o ataque era um "acinte contra a nação".


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