COLUNA

Fora de timing

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h29

Foi estranha a forma como a Associação dos Magistrados do Maranhão (Amma) se posicionou a respeito de ataques pessoais e profissionais desferidos contra a juíza Anelise Reginato, que decretou a inelegibilidade do governador Flávio Dino (PCdoB) por abuso de poder cometido em 2016 na eleição para a Prefeitura de Coroatá.
Questionada diante das ofensas sofridas pela juíza, a entidade, por meio de sua assessoria, informou que só se posicionaria após reunião da Direção Executiva (sem data para ocorrer). Mas na manhã de ontem acabou por divulgar nota repudiando os ataques contra a magistrada. O apoio, contudo, só veio após nota da juíza Anelise Reginato se desligando da Amma, alegando omissão da entidade em sua defesa.
No cruzamento das notas, estranha-se as declarações do presidente da associação, Augusto Santos, ao afirmar que a juíza estava tendo toda a assistência da entidade. Mas por qual motivo Anelise Reginato pediria desfiliação da Amma se “toda a assistência” estava sendo prestada?
O fato é que a nota na Amma “a favor” da magistrada somente foi emitida após pressão da opinião pública e do próprio ato de Reginato de se desligar da associação. A defesa, contudo, não fez qualquer referência ao fato de o governador Flávio Dino ter chamado publicamente a decisão da juíza eleitoral de “frágil” e “factoide”.
Certamente, a magistrada esperava mais.

Sem reunião
Não foi necessário uma reunião da Diretoria Executiva para que a Amma emitisse nota em defesa da juíza Anelise Reginato.
A repercussão negativa causada pelo silêncio da entidade teria sido o real motivo que resultou na declaração de apoio à magistrada.
Quanto à ofensa de Flávio Dino chamando a decisão “factoide”, a associação decidiu apenas ignorar.

Se escondeu?
O governador Flávio Dino registrou na quinta-feira, 9, sua chapa majoritária que disputará as eleições de outubro.
O que chamou atenção foi a decisão do comunista de não ir ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) entregar seu pedido de registro de candidatura.
Ele o fez pela internet. Apesar de ser possível fazer o ato pela rede mundial de computadores, o registro de candidatura dos postulantes a mandato do Executivo se tornou um ato político para reforçar a intenção de ganhar a disputa.

Ficou reservado
Foi o próprio Flávio Dino quem acabou por chamar atenção para seu pedido de registro de chapa.
Assim que foi divulgada a decisão da juíza Anelise Reginato de torná-lo inelegível, Dino debochou da magistrada, disse que continuava candidato e que iria na quinta-feira, 9, ao TRE registrar sua candidatura.
Mas, diante da repercussão negativa da posição tomada contra a juíza, o comunista optou por meios eletrônicos, evitando holofotes de seu pedido de registro de candidatura.

Fake
Um dos jornais mais usados pelo Palácio dos Leões trouxe em sua capa da edição da sexta-feira, 10, uma fake news que teve somente a intenção de fazer uma ligação política com a decisão da juíza Anelise Reginato de tornar Flávio Dino inelegível.
Na foto de capa, o matutino estampa uma foto da desembargadora Nelma Sarney ao lado de uma juíza. Devido ao sobrenome, o jornal logo se apressou em dizer tratar-se de Reginato.
No entanto, na foto em questão estão a desembargadora Nelma Sarney ao lado de Mirela Freitas, juíza de Itapecuru, uma das magistradas com maior produtividade no interior do estado.

Justificativa
O presidente do PSL, vereador Chico Carvalho, tem reagido às declarações de que ele dificultou as alianças que sua pré-candidata ao governo, Maura Jorge, vinha tentando fechar.
Segundo Carvalho, como presidente do PSL, sua missão é atender o que determinou a direção nacional da legenda que é trabalhar para cumprir a cláusula de desempenho que exige percentuais de votação para que cada sigla continue existindo.
E para que isso pudesse ocorrer, o PSL não poderia se aliar com partidos que já tinham deputados federais concorrendo à reeleição como o caso do PSC de Luana Costa e do Podemos de Aluísio Mendes.

Condenação
O deputado estadual Wellington do Curso (PSDB) terá de retirar propaganda de veículo chamado de “gabinete móvel”.
Segundo o Ministério Público Eleitoral (MPE), como é candidato à reeleição, o veículo plotado com a foto e o nome do candidato configura-se propaganda eleitoral antecipada.
Pelo pedido do MPF, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) determinou a retirada da plotagem e caso a determinação não seja atendida, deve ser aplicada multa diária de R$ 5 mil.

DE OLHO

R$ 2 milhões foi o valor da obra de pavimentação asfáltica em Coroatá, anunciada em 2016, durante a campanha eleitoral. E foi este anúncio do programa Mais Asfalto que levou a condenação judicial de inelegibilidade de Flávio Dino.

E MAIS

• A chapa de Flávio Dino tem agora dois candidatos em crise com a Justiça. Além da dúvida envolvendo o vice Carlos Brandão, o próprio Dino agora terá de espantar o fantasma da inelegibilidade decretada pela juíza Anelise Reginato.

• E é essa incerteza que tem deixado os comunistas irritados com a decisão da juíza do Coroatá. Eles não queriam chegar à campanha com a mancha de ter usado dinheiro público para eleger um aliado prefeito.

• Por qual motivo o governador Flávio Dino insiste em escrever o nome de sua candidata ao Senado de forma errada? O comunista escreve sempre “Elisiane” com S. O nome dela é escrito com Z.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais Twitter, Instagram e TikTok e curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.