Ah, o PT!

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h29

A decisão do PT maranhense de apoiar incondicionalmente a chapa majoritária do governador Flávio Dino (PCdoB) demonstra exatamente a que se resumiu o partido no estado. Sem força, sem nomes e somente com os interesses por cargos públicos de sempre, o PT disse sim a Dino, para reeleição, e à candidatura de Eliziane Gama (PPS) ao Senado. A mesma Eliziane que pediu a convocação do ex-presidente Lula na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras e classificou os governos petistas como os mais corruptos da história do Brasil.
Mas para o PT, na verdade para os petistas maranhenses, o que interessa é o cargo público, o parco espaço dado por Dino em seu governo e na Prefeitura de São Luís.
A desculpa para o PT maranhense aceitar tal humilhação? É o mesmo que usam os comunistas para justificar submeter o PT a Eliziane Gama e tantos outros que votaram a favor do fim do governo de Dilma Rousseff no Brasil e a prisão de Lula: evitar o maior adversário de Dino no Maranhão, que é Sarney.
Mas como assim, se o próprio Sarney sempre foi contra a prisão de Lula? O ex-presidente, assim como outros nomes da política maranhense, como o senador Edison Lobão, a ex-governadora Roseana Sarney e os deputados de seu grupo político, defendem Lula. Não cola a justificativa.
O fato é que, como se fosse “para inglês ver”, Dino defendeu Dilma Rousseff, Lula e o PT nas redes sociais e às vezes armou um circo no cenário nacional. Mas na prática, ele trabalha para ter o PT por baixo. Serve somente para o tempo de televisão. É uma mistura de vingança por não ter o PT ao seu lado em outras eleições e também o velho jogo político de primeiro para mim e, se sobrar, para os demais.
E nesse jogo serve até para quem contribuiu para a saída de Dilma do poder e agiu pela prisão de Lula, o petista que tanto serviu para os comunistas se manterem no cenário e que hoje é descartável para o inexpressível PCdoB que “ameaça” uma candidatura própria.
É o PCdoB com a síndrome da toga que Dino usou por 12 anos.

Vexame
Uma boa parte dos petistas do Maranhão preferiu se abster de votar no encontro da tática eleitoral do partido realizado ontem na Assembleia Legislativa.
Dos 260 delegados, 180 votaram no evento. A maioria esteve presente, mas preferiu se abster da vergonha de votar a favor do PT apoiar a candidata do governador ao Senado.
Nem Augusto Lobato, presidente do PT, e nem Zé Inácio, candidato à reeleição a deputado estadual, conseguiram apresentar todos os seus delegados para votar a favor de Flávio Dino.

Não adiantou
E o PT até esperneou bastante dizendo que apoiava Flávio Dino ao governo, mas somente se tivesse espaço na chapa majoritária.
Nada de pressão real. Apenas joguinhos para conseguir cargos públicos às alas que ainda não tinham sido contempladas no governo ou na Prefeitura de São Luís.
Depois do realinhamento dos cargos – quase sem expressão –, os petistas decidiram não atrapalhar a equação que Dino já tinha montado para sua chapa majoritária.

Sem noção
Maura Jorge, pré-candidata do PSL, acabou por perder seus pretendentes políticos. Ela tinha, pelo menos em mesa de conversa, nove partidos para compor a favor de sua candidatura ao governo do Maranhão.
No entanto, esqueceu que todos os partidos – incluindo o seu – são legendas pequenas, que nessa eleição têm mais um problema a resolver que é a cláusula de barreiras.
Ou seja, os partidos menores precisam se dedicar não somente à eleição majoritária, mas principalmente à proporcional, já que a legenda precisa ter agora 1,5% dos votos válidos à Câmara Federal para ter acesso a tempo de televisão e ao fundo partidário.

Jogada ruim
Maura Jorge tem hoje em seu rol de apoio somente o PRTB, que não saiu porque assinou um acordo de intenção com o PSL.
Estavam em negociação com a pré-candidata o PHS, PMN, Podemos, PSC, PSDC e até a Rede. No entanto, a promessa que Maura fazia era de chapão, o que desagradou o seu próprio partido e outras legendas também.
No fim, a pré-candidata parece ter de se conformar apenas com o PRTB.

Somando
Enquanto o PSL joga mal, a pré-candidata do MDB, Roseana Sarney, vem fechando acordos para ter mais partidos em sua coligação.
O PSC fechou com a emedebista e deverá indicar o candidato a vice-governador. Os pretendentes ao Senado, Sarney Filho (PV) e Edison Lobão (MDB), já têm seus nomes definidos faz um tempo.
A convenção do MDB, que terá a participação de outras siglas como PRP, PV, PSD e Podemos (ainda em negociação) acontece neste domingo, 29, no Espaço Renascença às 9h.

Definições
As chapas proporcionais do grupo de Flávio Dino foram definidas. Somente o PT ganhou como “prêmio de consolação” o direito de não coligar com qualquer outro partido de Dino.
O chapão para deputado federal ficou composto com PCdoB, PSB, PRB, PROS, SD, PEN, PTB, DEM, PTC, PPS e PPL. Na chapinha, ficaram PDT, PR e PP . E o PT sozinho.
Para deputado estadual ficou assim: PCdoB, PDT, PTC, PR, PP, DEM, PRB e PSB considerado chapão. E PEN, PPS, PROS, PTB e PPL formando a chapinha. PT e SD saírão sozinhos.

DE OLHO

R$ 3,1 bilhões é o valor já gasto pelo governo de Flávio Dino com a folha de pessoal. Isso representa cerca de 15% do orçamento anual somente com pagamento de funcionários.

E MAIS

• O candidato a vice-governador na chapa de Maura Jorge tem grande probabilidade de sair de Imperatriz.

• Esta deve ser uma das estratégias adotadas pela pré-candidata do PSL para alcançar os eleitores da Região Tocantina.

• A mesma estratégia deverá ser usada por Roberto Rocha, pré-candidato tucano ao governo do Maranhão.

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