Artigo

Sobre o 41º Guarnicê

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h30

Deixei passar algum tempo e baixar a poeira para poder me manifestar sobre o Festival Guarnicê deste ano, o de número 41...

O Departamento de Assuntos Culturais da Universidade Federal do Maranhão promove, desde 1977, o terceiro mais antigo festival de cinema do Brasil, e no início fez isso graças ao trabalho de visionários como Mário Cella, que contava com a colaboração de dedicados jovens cineastas como Euclides Moreira e Murilo Santos, e agora conta com a total devoção de Fernanda Pinheiro e seus colegas do DAC.

O festival passou por altos e baixos, como passa todo evento promovido sem o devido aporte financeiro. É bem verdade que no começo era muito pior, pois não havia quase nenhum recurso para realizá-lo, mesmo que ele tivesse um cunho apenas local, mas o evento foi crescendo e chamando a atenção de todo o Brasil.

O fato de o festival acontecer exatamente no sexto mês, época das festas juninas, atraiu para si o interesse de participantes de outros estados que aproveitavam a oportunidade para visitar nossa sempre hospitaleira São Luís.

O certo é que o tempo foi passando, o festival cresceu e de certa forma se “profissionalizou” no sentido de que ele é realizado com bastante “pontualidade”.

Participo do Guarnicê faz 34 anos, desde 1984, tempo em que ainda se chamava Jornada Maranhense de Cinema e Vídeo. O nome Guarnicê passou a ser utilizado, acredito que por ideia de Euclides Moreira Neto, apenas depois que a revista de mesmo nome, editada por mim, Celso Borges, Roberto Kenard, Paulinho Coelho e Érico Junqueira Ayres fechou as portas.

De lá para cá o festival só cresceu, mas devo reconhecer que o evento do ano passado, de comemoração dos 40 anos, foi muito melhor que o deste ano, até porque os apoios estruturais e financeiros do ano passado foram muito maiores. Em 2018 os recursos foram minguados e quase insignificantes, além de terem chegado na última hora.

As pessoas que realizam esse evento são funcionários da UFMA, que tem que cumprir normas da instituição. Este não é um festival promovido por um produtor de eventos independente, que tem a possibilidade de vender o festival como bem entender e não precisa cumprir normas específicas.

Ouvi várias críticas e reclamações sobre o festival e acredito que todas devem ser levadas em consideração, mesmo quando ela venha de um realizador que acredita que a sua obra merecia ter ganhado todos os prêmios colocados em disputa, mesmo quando a crítica tenha sido exposta de forma mal educada e espetaculosa, com a clara intenção mais de chocar, que de analisar as deficiências do evento. Nestes dois casos me pareceu claramente que as pessoas estavam olhando unicamente para seus umbigos. Um que viu seu filme que nem deveria ter sido selecionado, ganhar um prêmio que ele mesmo considerou menor e eu achei de bom tamanho e o outro que participou pela décima vez do festival e só naquela edição ganhou um prêmio que também considerava menor. Ah! Comprem um bode!...

Ouvi outras críticas, algumas delas podem parecer resultado de alguma mágoa ou ressentimento com o festival e sua organização, mas que mesmo assim devem ser levadas em consideração.

O certo é que o festival precisa afinar suas regras e parar de misturar gêneros e tipos de filmes. Curta é curta, longa é longa! Ficção e documentário são coisas diferentes! Os responsáveis pelos filmes são seus produtores! Só são seus diretores quando estes acumulam essas funções! As sessões de exibição devem ser impecáveis! Um filme não pode ter sua exibição prejudicada por problemas técnicos do festival! O cinema e os filmes podem ter os posicionamentos ideológicos e políticos que seus realizadores desejarem que tenham, mas o evento não pode! A formação de público deve ser meta prioritária do festival...

O certo é que há o que fazer para melhorar o festival, mas ele não é tão ruim quanto pintam alguns “insatisfeitos”.


Joaquim Haickel

Membro das Academias Maranhense e Imperatrizense de Letras e do IHGM

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