Cidades | Praias

Maré de sizígia invade a orla de São Luís várias vezes por ano

Especialistas dizem que, para evitar prejuízos, um quebra-mar resolveria; no ano passado, o Governo do Estado prometeu a obra, mas não chegou a executá-la; o Espigão Costeiro não foi feito para conter as altas ondas do mar
23/09/2016

Cada cheia que ocorre em São Luís, com as já famosas ma­rés de sizígia, traz a pergunta: o que pode ser feito para diminuir o impacto das ondas em determinadas áreas de São Luís e o que fazer com as cheias, decorrentes da grande quantidade de água do mar que banha a costa da capital maranhense durante esses períodos críticos?
No ano passado, por essa mesma época, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Sinfra), realizou vistoria em pontos da orla marítima de municípios da Região Metropolitana de São Luís afetados pelo fenômeno da maré de sizígia e afirmou que realizaria obras emer­genciais para conter as ondas. Mas isso não aconteceu.
Na época, o cientista ambiental e professor do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Márcio Vaz, afirmou que, para evitar os prejuízos com o avanço da maré na Ponta d’Areia, seria necessário construir um quebra-mar, ou, de forma mais emergencial, fazer uma barreira de pedras ao longo da parte aterrada, do lado da península, co­mo já existe na praia.
Márcio Vaz ainda explicou que os benefícios do Espigão Costeiro, na época construído há quatro anos, ainda não haviam chegado a essa parte da praia e só seriam observados plenamente em 10 anos de construído.
O professor Antonio Carlos Leal de Castro, doutor em engenharia ambiental e especialista em oceanografia, ressalta que o espigão é uma obra construída para conter o avanço natural no canal de acesso à foz dos rios Bacanga e Anil e o da erosão na praia.
Entre os benefícios diretos do espigão estão: o controle do assoreamento dos rios Anil e Bacanga e a restauração da navegabilidade do porto de São Luís, por meio da melhoria da profundidade na embocadura do estuário (foz).
Conforme explicou o especialista, se a obra não fosse executada, a desembocadura dos dois rios formaria um lago, restringido o acesso aos rios. “Em alguns, seria possível atravessar a pé até o Sítio do Tamancão, devido à quantidade de areia que iria se depositar no Rio Bacanga”, afirmou Antonio Carlos.
Ou seja, o espigão, ao contrário do que se pensa, não serviria para conter a fúria das ondas e do mar contra regiões costeiras, mas poderia ajudar. Isso se toda a areia que está se acumulando ao lado da construção fosse redistribuída ao longo da praia da Ponta da Areia.
Areia
Esse remanejamento, feito de forma mecânica, aumentaria substancialmente a faixa de areia na região, o que diminuiria o impacto das ondas que quebram na orla.
Fora isso, de acordo com o professor Antônio Carlos, a obra deveria ter monitoramento constantes por especialistas para saber como a intervenção vai se comportar com o passar dos anos. Hoje, sem esse acompanhamento não se tem condições de saber qual o futuro do espigão, se ele realmente vai suprir as necessidades para o qual foi criado, ou se será necessário realizar outras intervenções.
Há mais de 40 anos com um bar na Ponta da Areia, Aldenor Franco, o Dodô, como é conhecido na região, conta que não há muito o que se fazer com relação a essas cheias, a não ser “levar a vida”.

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