Busca e apreensão

Prefeita de Vitorino Freire, irmã de Juscelino Filho, é alvo da PF por supostos desvios na Codevasf

Luanna Rezende foi afastada do cargo. A PF cumpre 12 mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira (1º).

Imirante, com informações do g1 MA

- Atualizada em 01/09/2023 às 17h40
Prefeita de Vitorino Freire é alvo de investigação da PF.
Prefeita de Vitorino Freire é alvo de investigação da PF. (Foto: Reprodução/Facebook)

VITORINO FREIRE - A prefeita de Vitorino Freire (MA), Luanna Rezende, é alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga supostos desvios na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Ela, que é irmã do ministro da Comunicações, Juscelino Filho, foi afastada do cargo.

Juscelino Filho é investigado no caso, mas não é alvo de mandados nesta sexta.

Entenda o percurso dos recursos públicos, de acordo com a colunista Camila Bonfim:

  1. Juscelino destinava dinheiro de emendas para a cidade de Vitorino Freire;
  2. A irmã dele era a prefeita da cidade;
  3. E parte dos recursos era aplicada para o asfaltamento de uma rodovia que leva à fazenda da família.

 

Estão sendo cumpridos por policiais federais 12 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, nas cidades de São Luís (MA), Vitorino Freire (MA) e Bacabal (MA). Também estão sendo cumpridas medidas cautelares de prisão, afastamento da função pública, suspensão de licitações, vedação da celebração de contratos com órgãos públicos, bem como ordens de indisponibilidade de bens.

Os investigados poderão responder, caso as suspeitas sejam confirmadas, por fraude a licitação, lavagem de capitais, organização criminosa, peculato, corrupção ativa e corrupção passiva.

A Codevasf é uma estatal responsável por realizar obras e serviços em Estados do Nordeste, do Norte no Distrito Federal.

Os nomes de todos os alvos não foram divulgados. 

Resposta da Codevasf

"Em atenção a informações veiculadas na manhã desta sexta-feira (1º/9) sobre a operação Benesse, da Polícia Federal, a Codevasf informa que colabora com o trabalho das autoridades desde a primeira fase da operação Odoacro, realizada em julho de 2022.

No âmbito de apurações internas relacionadas às operações, a Codevasf demitiu um funcionário no mês de agosto após a conclusão de processo conduzido por sua Corregedoria.

A Companhia mantém compromisso com a elucidação dos fatos e com a integridade de suas ações — e continuará a prover suporte integral ao trabalho das autoridades policiais e da Justiça".

Resposta da defesa do ministro Juscelino Filho

“Toda atuação de Juscelino Filho, como parlamentar e ministro, tem sido pautada pelo interesse público e atendimento da população. É importante ressaltar que Juscelino Filho não foi alvo de buscas e que o inquérito servirá justamente para esclarecer os fatos e demonstrar que não houve qualquer irregularidade. Emendas parlamentares, vale dizer, são instrumentos legítimos e democráticos do Congresso Nacional e Juscelino Filho segue à disposição, como sempre esteve, para prestar esclarecimentos às autoridades”.

Operação Odoacro

A investigação, iniciada em 2021, teve a sua primeira fase deflagrada em 20 de julho de 2022 e a segunda em 5 de outubro de 2022. Esta nova fase visa alcançar o "núcleo público" da organização criminosa, informou a PF.

A principal empresa apontada no esquema é a Construservice, que tem como sócio oculto Eduardo Costa Barros, preso na primeira fase. Segundo a PF, ele comandava um esquema de lavagem de dinheiro realizado a partir do desvio de verba pública, por meio de fraudes em licitações.

Na prática, os criminosos criavam empresas de fachada e simulavam competições durante as licitações, com o propósito de fazer com que a empresa vencedora fosse sempre a de Eduardo.

A Construservice fechou contratos com a Codevasf para realização de obras de pavimentação com asfalto ou bloquetes, assinados entre 2019 a 2021, em 12 municípios. Somados, os contratos chegam a R$ 15 milhões.

A empresa foi a segunda que mais firmou contratos com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na segunda fase da Odoacro, um gerente da Codevasf foi afastado das suas atividades por suspeita de ter recebido cerca de R$ 250 mil das empresas envolvidas no esquema.

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