Reparação Histórica

Justiça anula demissão de promotor que acusou baronesa no século XIX no Maranhão

Decisão judicial anula punição de 1878 contra Celso Magalhães, promotor perseguido após denunciar crime contra criança escravizada.

Imirante

- Atualizada em 04/11/2026 às 15h25
Celso Magalhães e o ato que determinou sua demissão, em 29 de março de 1878, no Maranhão.
Celso Magalhães e o ato que determinou sua demissão, em 29 de março de 1878, no Maranhão. (Foto: Divulgação/MPMA)

SÃO LUÍS – A Justiça determinou a anulação da demissão do promotor público Celso Magalhães, ocorrida em março de 1878, em uma decisão histórica que reconhece perseguição funcional no estado do Maranhão. A sentença atende a uma Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público estadual e estabelece a reparação da memória institucional do promotor, que havia sido punido após acusar uma baronesa pela morte de um menino escravizado de sete anos.

O caso remonta ao período em que Celso Magalhães atuava em São Luís e denunciou criminalmente Ana Rosa Viana Ribeiro, conhecida posteriormente como Baronesa de Grajaú, por maus-tratos que resultaram no falecimento da vítima, chamada Inocêncio. Conforme os autos do processo, a demissão foi consumada em caráter de retaliação política apenas um dia após o marido da acusada, Carlos Fernando Ribeiro, assumir a chefia da Província.

Reconhecimento e patrimônio cultural

Na decisão proferida pelo juiz Douglas de Melo Martins, o magistrado rejeitou as alegações de prescrição e destacou que a medida visa resgatar a verdade histórica e proteger o patrimônio cultural imaterial. A sentença estabelece a reintegração simbólica do jurista aos quadros do Ministério Público, a remoção da expressão desabonadora dos registros antigos e a declaração de sua trajetória como patrimônio cultural maranhense.

Apesar do forte impacto simbólico e moral, o entendimento judicial pontua que a reparação possui caráter exclusivamente histórico e declaratório, não gerando quaisquer reflexos financeiros, indenizatórios ou previdenciários para os cofres públicos atuais. Nascido em uma região que hoje compreende o município de Penalva, Celso Magalhães faleceu no ano seguinte à sua demissão, aos 29 anos de idade, deixando também um legado expressivo na literatura, no jornalismo e na pesquisa da cultura popular.

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