Caso Luís Pablo

PF faz buscas contra Raimundo Cutrim em investigação sobre Luis Pablo

Operação foi autorizada por Alexandre de Moraes e apura suspeitas relacionadas à obtenção e divulgação de informações sobre veículos ligados a Flávio Dino

Ipolítica, com informações do g1

- Atualizada em 11/08/2026 às 18h51
PF cumpre mandados contra Raimundo Cutrim em investigação relacionada ao jornalista Luis Pablo. Medidas foram autorizadas por Alexandre de Moraes.
PF cumpre mandados contra Raimundo Cutrim em investigação relacionada ao jornalista Luis Pablo. Medidas foram autorizadas por Alexandre de Moraes. (Reprodução)

SÃO LUÍS – A Polícia Federal cumpriu, nesta terça-feira (11), mandados de busca e apreensão contra o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim e um advogado, em uma investigação que tem como origem o caso envolvendo o jornalista Luis Pablo.

As medidas foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da PF e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A operação é um desdobramento das investigações iniciadas depois de uma busca realizada em março contra Luis Pablo. Na ocasião, segundo a Polícia Federal, foram apreendidos o celular e o computador do jornalista. A análise do material teria levado os investigadores a identificar indícios envolvendo Cutrim e um advogado relacionado ao caso.

De acordo com a PF, desde novembro de 2025 Luis Pablo passou a publicar conteúdos com fotos e informações sobre o veículo funcional utilizado pelo ministro Flávio Dino, também do STF. As publicações questionavam o uso do veículo, oficialmente pertencente ao Tribunal de Justiça do Maranhão, por integrantes da família do ministro.

Suspeita sobre obtenção de informações

A Polícia Federal sustenta que Raimundo Cutrim teria utilizado a função pública que exercia para obter informações e imagens dos veículos posteriormente divulgadas pelo jornalista. Segundo os investigadores, os dados teriam sido acessados por meio de sistemas de acesso controlado.

A investigação também identificou conversas entre Luis Pablo e Diogo Diniz Lima, ex-secretário municipal de Urbanismo e Habitação de São Luís. A PF localizou ainda uma transferência de R$ 100 mil feita por Diogo Lima em favor do jornalista, mas depositada na conta de um terceiro.

Segundo trecho da decisão que autorizou as buscas, o valor estaria relacionado à compra de um imóvel pertencente a Danilo Cutrim Bezerra, realizada por Luis Pablo.

Cutrim está em prisão domiciliar

Raimundo Cutrim já cumpre prisão domiciliar por determinação do ministro Flávio Dino. A medida foi decretada em julho, quando ele ocupava o cargo de secretário extraordinário de Assuntos Legislativos do Maranhão.

O processo que levou à prisão está sob sigilo no STF. Conforme a PF, são investigados fatos ocorridos entre 2022 e 2026 que poderiam caracterizar obstrução à Justiça e coação no curso do processo, além de possíveis conexões com outros crimes.

Defesa diz que Cutrim é fonte jornalística

A defesa de Raimundo Cutrim afirmou que ainda não teve acesso aos processos relacionados às operações. Segundo os advogados, o ex-secretário é tratado pelos investigadores como fonte jornalística de Luis Pablo.

A defesa também contestou a apuração sobre os veículos utilizados por Flávio Dino e afirmou que as denúncias divulgadas pelo jornalista continuam sem investigação, na avaliação dos advogados.

Assessoria de Flávio Dino nega irregularidades

A assessoria de Flávio Dino negou que tenha ocorrido uso irregular de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão.

Segundo a nota, um carro blindado foi cedido por solicitação da Secretaria de Segurança do STF, dentro de um acordo de cooperação mantido com os tribunais do país. A assessoria afirmou ainda que não pode divulgar detalhes relacionados à segurança do ministro e de sua família.

O comunicado também afirma que investigações recentes apontaram que veículos particulares do ministro e de familiares eram monitorados e seguidos.

Luis Pablo fala em tentativa de criminalização

Luis Pablo também se manifestou sobre a operação. O jornalista afirmou estar preocupado com o andamento das investigações e disse que há uma tentativa de criminalizar o exercício da atividade jornalística.

Segundo ele, causa preocupação a identificação de uma fonte jornalística e o uso de informações sobre relações privadas para tentar atribuir uma conduta criminosa ao jornalista. A Constituição Federal garante o sigilo da fonte quando necessário ao exercício profissional do jornalismo.

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