Entenda o caso

Caso da doméstica agredida por patroa no Maranhão: veja a cronologia da investigação

Caso ganhou repercussão nacional após divulgação de áudios atribuídos à investigada. Vítima, de 19 anos, estava grávida de cinco meses e teria sido agredida dentro da casa onde trabalhava.

Imirante.com

Atualizada em 09/05/2026 às 08h56
Caso ganhou repercussão nacional após divulgação de áudios atribuídos à investigada. Vítima, de 19 anos, estava grávida de cinco meses e teria sido agredida dentro da casa onde trabalhava.
Caso ganhou repercussão nacional após divulgação de áudios atribuídos à investigada. Vítima, de 19 anos, estava grávida de cinco meses e teria sido agredida dentro da casa onde trabalhava.

SÃO LUÍS –  A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, de 36 anos, foi presa suspeita de agredir e torturar uma empregada doméstica grávida, de 19 anos, no Maranhão. O caso, registrado em 17 de abril, ganhou repercussão nacional nesta semana após a divulgação de áudios atribuídos à investigada, nos quais ela supostamente relata as agressões.

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Segundo a Polícia Civil do Maranhão (PC-MA), o crime teria sido motivado pelo desaparecimento de um anel avaliado em R$ 5 mil. A jovem, que estava grávida de cinco meses na época, teria sido agredida dentro da residência onde trabalhava, em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís.

Ainda de acordo com a investigação, as agressões teriam sido praticadas pela empresária e pelo policial militar Michael Bruno Lopes Santos. O anel que motivou a acusação foi encontrado posteriormente em um cesto de roupas sujas, dentro da própria casa.

Carolina Sthela foi presa na quinta-feira (7), em Teresina, no Piauí, durante uma tentativa de fuga com a família, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí. Ela é investigada por cinco crimes, entre eles tentativa de homicídio triplamente qualificado e cárcere privado.

O policial militar Michael Bruno também se apresentou à polícia. De acordo com a Polícia Civil, ele confessou participação nas agressões. O PM está custodiado na sede da Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Maranhão.

O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) informou que o processo tramita sob segredo de Justiça.

Entenda a cronologia do caso

Início de abril — Doméstica grávida aceita trabalho
17 de abril — Jovem é agredida após acusação de furto
18 de abril — Vítima e empresária registram boletins de ocorrência
5 de maio — Áudios atribuídos à empresária expõem agressões
6 de maio — OAB pede prisão e investigação revela processos anteriores
7 de maio — Doméstica relata rotina de trabalho; empresária é presa e PM se entrega
7 de maio — Empresária chega a São Luís e presta depoimento
8 de maio — Perícia confirma autoria dos áudios e Justiça mantém prisão

Como a jovem começou a trabalhar na casa da empresária

No início de abril, a jovem de 19 anos, grávida de cinco meses, aceitou trabalhar por cerca de um mês como empregada doméstica na casa de Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, em Paço do Lumiar, no Maranhão.

Segundo o relato da vítima, ela aceitou o serviço para juntar dinheiro e montar o enxoval do bebê. A jovem afirmou que começou a trabalhar sem combinar previamente o valor do pagamento com a patroa.

A rotina, conforme o depoimento, incluía limpar a casa, cozinhar, lavar e passar roupas, além de cuidar de uma criança de seis anos, filho da empresária. A jornada seria de segunda-feira a sábado, das 9h às 19h, com apenas 30 minutos de intervalo.

A acusação de furto e as agressões

No dia 17 de abril, por volta das 7h30, Carolina Sthela informou à empregada que receberia um amigo em casa. O homem foi identificado posteriormente como o policial militar Michael Bruno Lopes Santos, que, segundo a investigação, chegou armado ao local.

A empresária acusou a jovem de ter furtado um anel avaliado em R$ 5 mil. Em áudios obtidos pela TV Mirante, Carolina aparece narrando, em um grupo de aplicativo de mensagens, que a vítima teria sido submetida a mais de uma hora de agressões.

Ainda segundo os relatos, o policial militar teria colocado a arma na boca da jovem e puxado seus cabelos para forçá-la a confessar o suposto furto. A vítima contou que sofreu puxões de cabelo, socos, murros e foi derrubada no chão.

Em entrevista à TV Mirante, a jovem afirmou que tentou proteger a barriga durante as agressões. Ela estava grávida de cinco meses.

Anel foi encontrado em cesto de roupas sujas

Após mais de uma hora de buscas, o anel foi encontrado dentro de um cesto de roupas sujas, na própria residência. Mesmo depois de a joia ser localizada, a vítima relatou à Polícia Civil que continuou sendo agredida e ameaçada pela empresária.

Uma viatura da Polícia Militar do Maranhão foi chamada ao local. Em um dos áudios atribuídos a Carolina Sthela, ela afirma que não foi conduzida à delegacia porque um dos policiais que atendeu a ocorrência seria seu conhecido.

No áudio, a mulher diz que o policial teria afirmado que ela deveria ser levada à delegacia porque a jovem estava “cheia de hematomas”. Na sequência, Carolina supostamente afirma que a vítima “não era para ter saído viva”.

Boletins de ocorrência foram registrados no dia seguinte

Em 18 de abril, um dia após as agressões, a jovem registrou boletim de ocorrência e passou por exame de corpo de delito. Imagens anexadas ao caso mostram marcas pelo corpo da vítima. Segundo ela, uma lesão na testa teria sido provocada por uma coronhada.

Carolina Sthela também registrou boletim de ocorrência. Segundo a Polícia Civil, ela afirmou que sentiu falta de joias que usava no dia a dia, procurou os objetos pela casa e não os encontrou.

Ainda conforme o relato da empresária à polícia, ela teria pedido para verificar a bolsa da empregada e encontrado as joias no local. Depois disso, segundo a versão apresentada por Carolina, a jovem teria corrido pelo condomínio.

Áudios ampliaram a repercussão do caso

O caso ganhou maior repercussão em 5 de maio, quando a TV Mirante divulgou com exclusividade áudios atribuídos à empresária. Nas gravações, a mulher narra detalhes das agressões contra a empregada doméstica.

Em um dos trechos, a suspeita afirma que a jovem passou “quase uma hora” sendo agredida. Ela também relata tapas, murros e outros atos de violência. Em outro momento, descreve a abordagem feita após o desaparecimento do anel.

No mesmo dia, a Polícia Civil iniciou as investigações. Procurada, Carolina afirmou que as acusações seriam “uma distorção do que realmente aconteceu” e que medidas jurídicas já haviam sido tomadas para esclarecer os fatos.

OAB pediu prisão e PMs passaram a ser investigados

Em 6 de maio, a Ordem dos Advogados do Brasil no Maranhão (OAB-MA) pediu a prisão preventiva de Carolina Sthela. A entidade classificou o caso como tortura agravada.

No mesmo dia, o Comando-Geral da Polícia Militar abriu um procedimento administrativo para apurar a conduta dos quatro policiais que atenderam a ocorrência no dia das agressões e não efetuaram a prisão da empresária.

A Polícia Civil também tentou intimar Carolina em sua residência, mas ela não foi encontrada. Segundo as investigações, havia apenas uma funcionária no local, contratada às pressas.

Processos anteriores contra a empresária

Com o avanço da investigação, a Polícia Civil informou que Carolina Sthela responde a cerca de dez processos.

Em um deles, de 2024, a empresária foi condenada por calúnia após acusar falsamente a ex-babá do filho de ter roubado uma pulseira de ouro. O processo tramitou no Juizado Civil e Criminal de Santa Inês, e a sentença foi proferida em outubro do ano passado.

Em outro caso, Carolina foi condenada em 2023 por furto qualificado contra a própria irmã. A condenação também envolveu o marido dela, Yuri Silva do Nascimento.

Segundo decisão judicial à qual a reportagem teve acesso, o casal desviou mais de R$ 20 mil de uma escola de natação em São Luís. O estabelecimento pertence a uma irmã de Carolina Sthela.

Vítima relatou jornada de quase 10 horas

O depoimento da empregada doméstica também trouxe detalhes sobre a rotina de trabalho na casa da empresária. A jovem afirmou que recebeu R$ 750 por pouco mais de duas semanas de serviço.

Segundo a vítima, ela acumulava funções domésticas e também cuidava de uma criança. O pagamento teria sido feito de forma fracionada, por meio de transferências em nome de terceiros.

A jovem relatou ainda que trabalhava quase 10 horas por dia, com intervalo de apenas 30 minutos. Ela disse que aceitou o emprego para conseguir dinheiro para o enxoval do bebê.

Prisão da empresária e entrega do policial militar

Em 7 de maio, a Justiça do Maranhão decretou a prisão preventiva de Carolina Sthela e do policial militar Michael Bruno Lopes Santos.

Horas depois, Carolina foi presa em um posto de combustíveis em Teresina, no Piauí. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí, ela estava hospedada na casa de um parente na cidade.

A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão informou que a empresária disse ter ido a Teresina para deixar o filho na casa de familiares. No entanto, como ela foi encontrada abastecendo o carro, acompanhada do marido e do filho, a polícia afirmou que havia indícios de tentativa de fuga.

A defesa de Carolina declarou que ela não pretendia se omitir e que cumprirá as determinações judiciais, respondendo pelo que for comprovado no devido processo legal, nas esferas cível e criminal.

No mesmo dia, o policial militar Michael Bruno Lopes Santos se entregou à polícia em São Luís. Ele também teve a prisão preventiva decretada pela Justiça do Maranhão.

Segundo a Polícia Civil, o PM confessou participação nas agressões. Já em depoimento à Corregedoria-Geral da Polícia Militar, ele teria negado envolvimento nos crimes, embora tenha admitido que esteve na casa de Carolina no dia do ocorrido, a pedido do marido dela.

Empresária foi transferida para São Luís

Após ser presa no Piauí, Carolina Sthela foi transferida para São Luís. Ela chegou à capital maranhense algemada, em um helicóptero da Polícia Civil do Maranhão.

A empresária foi levada para a 21ª Delegacia de Polícia do Araçagy, onde prestou depoimento por pouco mais de uma hora.

Durante o depoimento, Carolina negou ser a dona da voz nos áudios divulgados e afirmou estar grávida de três meses. A Polícia Civil solicitou perícia oficial nas gravações e exames de corpo de delito na empresária. Até o momento, as autoridades não confirmaram a gestação.

Ainda no depoimento, a empresária afirmou que o anel que teria motivado a acusação contra a doméstica era avaliado em R$ 5 mil.

Perícia confirmou autoria dos áudios

Em 8 de maio, o Instituto de Criminalística da Polícia Civil confirmou que os áudios divulgados são da empresária Carolina Sthela, segundo a investigação. Nas gravações, ela teria narrado agressões contra a empregada doméstica grávida.

A confirmação contrariou a versão apresentada por Carolina em depoimento, quando ela negou ser a autora das falas. A defesa, por sua vez, afirmou que a empresária confessou envolvimento nas agressões.

O material será anexado ao inquérito que apura o caso.

Justiça mantém prisão preventiva

Ainda em 8 de maio, a Justiça do Maranhão manteve a prisão da empresária Carolina Sthela. Ela passou por audiência de custódia na 2ª Central das Garantias da Comarca da Ilha de São Luís.

Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP), Carolina será encaminhada para uma unidade prisional feminina do Sistema Penitenciário em São Luís, onde ficará à disposição da Justiça.

O policial militar Michael Bruno Lopes Santos permanece custodiado na sede da Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Maranhão.

O processo segue sob segredo de Justiça.

Caso da doméstica agredida por patroa no Maranhão: veja a cronologia da investigação. Infográfico: Gerado por IA/ Imirante.
Caso da doméstica agredida por patroa no Maranhão: veja a cronologia da investigação. Infográfico: Gerado por IA/ Imirante.

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