RISCO NO CAMPO

Mais de 220 comunidades são atingidas por agrotóxicos em 2026 no Maranhão, diz pesquisa

Os dados são do Laboratório de Extensão, Pesquisa e Ensino em Geografia e apontam um cenário de alerta em relação ao uso indiscriminado de agrotóxicos.

Imirante.com

Reportagem da TV Mirante contou a história de lavradores que tiveram plantação atingida por drone pulverizador. (Foto: Reprodução/TV Mirante)
Reportagem da TV Mirante contou a história de lavradores que tiveram plantação atingida por drone pulverizador. (Foto: Reprodução/TV Mirante)

SÃO LUÍS - Nos primeiros três meses desse ano, cerca de 222 comunidades rurais foram atingidas por pulverização de agrotóxicos no Maranhão. É o que aponta um levantamento divulgado nessa segunda-feira (06) pelo Laboratório de Extensão, Pesquisa e Ensino em Geografia da Universidade Federal do Maranhão (Lepeng-UFMA).

Os dados fazem parte de um balanço produzido pelo laboratório sobre os impactos graves à saúde, ao meio ambiente e à produção de alimentos que essas substâncias podem causar a curto e longo prazo.

De acordo com o relatório, janeiro foi o mês mais crítico, concentrando 142 comunidades afetadas, número superior a todo o registrado ao longo de 2025. Fevereiro registrou queda nos registros, mas especialistas alertam que isso pode estar ligado à subnotificação causada por medo e dificuldade de denúncia. Já em março, 45 comunidades foram afetadas em 11 cidades diferentes.

Problema atinge cidade que proíbem uso de agrotóxicos

Os municípios como São Benedito do Rio Preto, Chapadinha, Brejo, Anapurus e Timbiras estão entre os mais afetados por casos de pulverização de agrotóxicos. Mesmo em cidades que possuem leis proibindo a prática, como Brejo e Timbiras, os registros continuam ocorrendo.

Segundo o Lepeng, a maior parte das áreas atingidas está concentrada em comunidades vulneráveis. Mais de 75% dos casos envolvem populações tradicionais, quilombolas e indígenas.

Em Chapadinha, por exemplo, foram registradas 18 comunidades atingidas apenas em fevereiro deste ano, incluindo territórios quilombolas. Já em São Benedito do Rio Preto, 27 comunidades foram impactadas em janeiro, muitas delas também formadas por quilombolas, como Guarimã e Cancela. Há ainda registros em terras indígenas, como Alto Turiaçu e Bacurizinho, onde pelo menos sete aldeias do povo Guajajara foram afetadas.

TV Mirante mostrou realidade de lavradores atingidos por agrotóxicos

Em entrevista à TV Mirante, a lavradora Leci Martins dos Santos, moradora da comunidade Pau Darco, em Bacabal, relatou os danos que vem sofrendo depois que um drone de uma fazenda vizinha pulverizou defensivos agrícolas próximos à sua lavoura. Segundo ela, o receio de contaminação assusta e paralisa o trabalho na plantação.

“A gente não vende por medo. Porque a gente tem medo de afetar a saúde das pessoas”, confessou Leci.

O “Efeito deriva” é principal vilão da situação

Segundo a reportagem e investigações independentes, a intenção da fazenda era acabar com ervas que se espalhavam pelo pasto, mas ocorreu o chamado “efeito deriva”, ou seja, o produto químico foi carregado pelo vento para áreas não planejadas.

Em Parnarama, os relatos também aparecem. A TV Mirante entrevistou o lavrador Francisco Pereira Lima, morador do Quilombo Cocalinho. Segundo ele, quatro fazendas de soja nos arredores da comunidade pulverizam frequentemente as lavouras. É aí que o efeito deriva entra em ação e espalha a substância.

“No verão nós não plantamos, porque a enxurrada de água [das chuvas] deles não deixa”, comenta Francisco, falando a respeito da água contaminada por defensivos que sai das fazendas atinge as plantações do quilombo.

Problemas de saúde afetam pessoas atingidas por agrotóxicos

Segundo o Lepeng-UFMA, os moradores dessas áreas relatam sintomas logo após a exposição aos produtos químicos, como irritações na pele e nos olhos, falta de ar, náuseas, tonturas e vômitos. Em casos mais graves, há registros de convulsões e intoxicação severa.

O relatório do laboratório também alerta para efeitos de longo prazo, incluindo risco aumentado de câncer, problemas hormonais, doenças neurológicas e infertilidade, associados ao contato frequente com substâncias tóxicas usadas na agricultura.

Vinte e nove cidade são afetadas em todo o Estado

O relatório também traz informações sobre os municípios em que as 222 comunidades afetadas por contaminação de agrotóxicos. Confira a lista:

  1. Açailândia
  2. Alto Alegre do Maranhão
  3. Anapurus
  4. Bacabal
  5. Balsas
  6. Barra do Corda
  7. Brejo
  8. Centro Novo do Maranhão
  9. Chapadinha
  10. Codó
  11. Duque Bacelar
  12. Governador Newton Belo
  13. Grajaú
  14. Lago da Pedra
  15. Lago do Junco
  16. Lago dos Rodrigues
  17. Magalhães de Almeida
  18. Milagres do Maranhão
  19. Nina Rodrigues
  20. Peritoró
  21. Poção de Pedras
  22. São Benedito do Rio Preto
  23. São Bernardo
  24. São Domingos do Maranhão
  25. São Luís
  26. São Luís Gonzaga do Maranhão
  27. São Mateus do Maranhão
  28. São Raimundo do Doca Bezerra
  29. Timbiras

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