Impactos na comunidade

Moradores relatam coceiras e problemas respiratórios após vazamento de fertilizantes na Vila Maranhão

As ações de monitoramento continuam e está prevista nova vistoria nesta terça-feira (10), segundo a Secretaria de Meio Ambiente.

Imirante, com informações da TV Mirante

Atualizada em 10/02/2026 às 08h15

SÃO LUÍS – Algumas famílias da Vila Maranhão, em São Luís, foram obrigadas a deixar suas casas após relatarem problemas de saúde associados ao forte odor de fertilizantes despejados irregularmente na região. Dezenas de moradores afirmam sofrer com coceiras na pele, agravamento de doenças respiratórias e desconforto constante. 

Além disso, a comunidade relata poeira frequente, manchas na vegetação e alteração na cor da água, que apresenta tom esverdeado. A Justiça determinou a retirada emergencial dos moradores após constatar risco ambiental no local.

Impactos do despejo de fertilizantes no meio ambiente

Segundo o geólogo Marcelino Farias, fertilizantes como sulfato de amônia e ureia podem liberar resíduos gasosos prejudiciais à saúde humana. Ele alerta que os efeitos podem surgir tanto a curto quanto a longo prazo.

Desastre ambiental na Vila Maranhão leva MP-MA a adotar medidas

Diante da situação, a Justiça atendeu a um pedido do Ministério Público do Maranhão (MP-MA) e concedeu, na quinta-feira (5), uma medida liminar reconhecendo a existência de um desastre ambiental ativo na Vila Maranhão.

Comunidade da Vila Maranhão relata poeira frequente, manchas na vegetação e alteração na cor da água. (Foto: Reprodução)
Comunidade da Vila Maranhão relata poeira frequente, manchas na vegetação e alteração na cor da água. (Foto: Reprodução)

Produtos químicos provenientes  da Empresa Valen Fertilizantes

A informação sobre o vazamento de produtos químicos altamente poluentes (sulfato de amônia e uréia) provenientes da empresa Valen Fertilizantes e Armazéns Ltda. chegou ao MP-MA na última terça-feira (3), tendo sido confirmada por relatório técnico da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e por autos de notificação e embargo da Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação (Semurh).

O relatório técnico n° 10/2026 da Sema identificou que a origem do vazamento foi identificada em maquinários recém adquiridos pela empresa, que se encontravam no terreno, sem proteção. As chuvas teriam levado o material tóxico para fora dos limites da empresa, espalhando-se pela comunidade próxima.

O documento atesta a contaminação hídrica e recomenda a “retirada das pessoas da área afetada até que o produto seja retirado”, evidenciando que a permanência dos moradores é insustentável e perigosa.

A Semurh, por meio da Blitz Urbana, constatou que a Valen Fertilizantes realizava uma obra de grande porte sem a apresentação de alvará de construção. Além da ausência de licença, a obra foi embargada por “indícios de risco à segurança”. Também foi verificado que a canaleta de águas pluviais (de chuva) da empresa não tinha nenhum tipo de tratamento, funcionando como um vetor direto de poluição para o ambiente externo.

Justiça determina retirada de famílias

A decisão da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís determina que a empresa Valen Fertilizantes e Armazéns Ltda. retire e realoque, em até 24 horas, as famílias que vivem na área de risco. Os moradores deverão ser hospedados em hotéis ou imóveis alugados pela empresa por, no mínimo, 30 dias. A delimitação da área ficará sob responsabilidade da Defesa Civil e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).

A empresa também deverá fornecer água potável em quantidade e qualidade adequadas no prazo de 24 horas. Em até cinco dias, deverá disponibilizar uma equipe multidisciplinar com médicos, psicólogos e assistentes sociais, além de custear exames clínicos e toxicológicos das pessoas expostas.

Entre outras medidas, a Justiça determinou a retirada imediata de maquinário contaminado, a instalação de barreiras físicas em até 48 horas e a apresentação de um plano de contingência no prazo de 10 dias. A Valen está proibida de retomar qualquer atividade relacionada a fertilizantes até obter autorização dos órgãos competentes.

O caso chegou ao MPMA na última terça-feira (3) e foi confirmado por relatórios técnicos da Sema, além de notificações e embargo emitidos pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação (Semurh).

Retirada do material contaminado e nova vistoria

Uma nova vistoria está prevista para esta terça-feira (10), segundo a Sema. Uma equipe técnica acompanha a retirada do material contaminado da área e o odor dos fertilizantes não estava mais ativo. Leia a nota na íntegra:

"A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) informa que vem adotando um conjunto de medidas em relação ao caso dos fertilizantes na Vila Maranhão. A primeira medida foi identificar a fonte da contaminação e garantir que esta fosse cessada.

De forma paralela, a equipe da Sema realizou vistoria na área afetada para dimensionar os danos. Para tanto, além do levantamento visual, foram feitas coletas de água em vários pontos de acúmulo superficial e em poços residenciais.

De imediato, foram emitidos autos de notificação e intimação em desfavor da empresa responsável, determinando uma série de ações mitigadoras e de recuperação, além de instruções para que a empresa retirasse as pessoas do local até a recuperação total da área, e providenciasse o fornecimento de abastecimento de água potável até a conclusão da análise laboratorial, prevista para esta segunda-feira (09).

A equipe técnica da Secretaria está acompanhando a retirada e a destinação do material contaminado, bem como a recuperação da área pela empresa responsável pelo dano. No sábado (07), boa parte do material já havia sido retirada, sendo constatado pelos técnicos que o odor dos fertilizantes não estava mais ativo.

As ações de monitoramento continuam e está prevista nova vistoria na terça-feira, dia 10".

A empresa Valen disse que não vai se pronunciar.

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