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COLUNA
Vítor Sardinha
Vítor Sardinha é escritor e tabelião no Maranhão, pós-graduado em Direito e vice-presidente do Moto Club. Assina coluna dedicada à reflexão sobre o tempo presente.
Vítor Sardinha

Mais de seiscentas vezes, e hoje outra vez

O Superclássico não envelhece. Ele se renova a cada geração, mantendo intacta a capacidade de mobilizar a cidade inteira.

Vítor Sardinha

Há clássicos que nascem grandes. Outros se tornam gigantes pelo tempo. O Superclássico Maranhense pertence à segunda categoria: cresceu jogo a jogo, grito a grito, até se transformar em um dos confrontos mais disputados do futebol brasileiro. São mais de 600 partidas entre Moto Club e Sampaio Corrêa, um número que não cabe apenas na estatística - ele se espalha pela memória afetiva de São Luís e de todo o Maranhão.

Hoje, mais uma página será escrita. É dia de Superclássico no Castelão, e não é um encontro qualquer. O duelo vale a liderança do campeonato, e isso muda o peso do ar, o tom das conversas, a forma como a cidade caminha. Quando o Papão entra em campo para um jogo assim, o passado não fica para trás: ele acompanha, empurra, cobra e protege.

 
 

O Castelão sabe. Ele já assistiu a muitos desses mais de seiscentos capítulos. Já foi palco de tardes épicas, noites sofridas, vitórias arrancadas na raça e derrotas que ensinaram mais do que machucaram. Hoje, o estádio se prepara para outro momento decisivo, daqueles que definem mais do que três pontos — definem posições, narrativas, destinos.

O Moto chega com a serenidade de quem entende o tamanho do confronto e com a fome de quem quer permanecer no topo. Liderar um campeonato, especialmente em um clássico dessa dimensão, é um ato de afirmação. O Papão não disputa apenas a ponta da tabela; disputa o direito de conduzir o ritmo da competição, de se impor diante de um rival histórico, de lembrar que grandeza também se mede pela permanência.

Mais de seiscentos jogos significam mais de seiscentas histórias cruzadas: pais que ensinaram filhos a torcer, vozes que se perderam no tempo, camisas guardadas como relíquia. O Superclássico não envelhece. Ele se renova a cada geração, mantendo intacta a capacidade de mobilizar a cidade inteira.

Hoje, quando a bola rolar, o torcedor rubro-negro não verá apenas onze jogadores. Verá décadas. Verá resistência. Verá aquele espírito antigo do Moto Club, que sabe crescer nos momentos decisivos. Cada dividida será disputa de presente; cada avanço, uma conversa direta com a história.

Se o apito final confirmar a liderança do Papão, não será apenas mais uma vitória em um clássico centenário. Será a prova de que, mesmo depois de mais de 600 encontros, o Superclássico ainda encontra novas formas de ser decisivo - e que o Moto Club, mais uma vez, soube ocupar o lugar que lhe pertence.

Porque há jogos que passam. E o Superclássico continua pra sempre!


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