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COLUNA
Rogério Moreira Lima
Engenheiro e professor, foi coordenador Nacional da CCEEE/CONFEA e vice-presidente CREA-MA (2022). É membro da Academia Maranhense de Ciência e diretor de Inovação na Associação Brasileira de
Rogério Moreira Lima

Agrocomputação, Profitec e o pioneirismo da UEMA reconhecidos por unanimidade

Aprovação do Confea consolida estratégia acadêmica da universidade

Rogério Moreira Lima

No dia 10 de dezembro de 2025, o Plenário do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) aprovou, por unanimidade, a inserção do título de Tecnólogo em Agrocomputação no Sistema de Informações Confea/Crea (SIC) e na Tabela de Títulos Profissionais do Confea. A deliberação, formalizada por meio da Decisão Plenária Confea nº 2.576/2025, representa um marco institucional relevante e projeta a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) como protagonista na antecipação de demandas tecnológicas estratégicas para o setor agropecuário.

Mais do que um reconhecimento formal, a decisão evidencia a maturidade do diálogo entre a universidade pública e o Sistema Confea/Crea. Ao incluir o curso na Tabela de Títulos Profissionais, o Confea esclarece que seus egressos passam a receber o título de Tecnólogo(a) em Agrocomputação, enquadrado no Grupo 1 – Engenharia, Modalidade 2 – Eletricista, Nível 2 – Tecnólogo, com atribuições regulamentadas pela Resolução Confea nº 1.073/2016 e pelo art. 3º da Resolução Confea nº 313/1986, sempre respeitados os limites da formação acadêmica. Trata-se de um ponto fundamental para assegurar segurança jurídica ao exercício profissional em uma área marcada pela convergência entre computação, automação e ciências agrárias.

Esse reconhecimento não surge de forma isolada. Ele está diretamente associado ao Programa de Formação Profissional Tecnológica (ProfiTec), criado pela UEMA como uma política estruturante de ampliação do acesso ao ensino superior tecnológico. Instituído pela Resolução nº 1.016/2018 – CONSUN/UEMA, o ProfiTec foi concebido para atender demandas sociais e produtivas específicas, especialmente no interior do Maranhão, por meio de cursos presenciais de menor duração, mas com forte aderência às transformações tecnológicas e ao mercado de trabalho.

A proposta do ProfiTec vai além da formação acelerada. Ao estruturar cursos tecnológicos alinhados às realidades regionais, o programa contribui para a inclusão educacional da juventude maranhense, ao mesmo tempo em que fortalece cadeias produtivas estratégicas. É nesse contexto que se insere o Curso Superior de Tecnologia em Agrocomputação, criado e autorizado conforme os critérios da Resolução nº 875/2014 – CONSUN/UEMA, que disciplina a proposição de novos cursos na instituição.

O Tecnólogo em Agrocomputação é formado para atuar na identificação e no tratamento de problemas do contexto agrário por meio de soluções computacionais, integrando conhecimentos de computação, automação e ciências agrárias. Sua formação contempla o desenvolvimento e a aplicação de sistemas informatizados voltados à agricultura de precisão, à automação de processos produtivos e à utilização racional de recursos naturais, sempre considerando aspectos técnicos, econômicos e socioambientais.

No que se refere às atribuições profissionais, a Decisão Plenária do Confea reforça a observância estrita ao marco normativo vigente. Assim, o Tecnólogo em Agrocomputação atua na elaboração de orçamentos, padronização, mensuração e controle de qualidade, condução de trabalhos técnicos, condução de equipes de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção, execução de instalação, montagem e reparo, operação e manutenção de equipamentos e instalações e na execução de desenho técnico, conforme estabelece o art. 3º da Resolução Confea nº 313/1986, sempre dentro dos limites de sua formação.

Com duração de três anos, o curso é ofertado nos campi da UEMA em Balsas e Grajaú, regiões diretamente vinculadas ao agronegócio maranhense. A escolha desses territórios reforça a lógica do ProfiTec de interiorização do ensino superior e de conexão entre formação acadêmica e desenvolvimento regional.

A aprovação unânime do Confea, portanto, não se limita à criação de um novo título profissional. Ela sinaliza o reconhecimento de uma estratégia acadêmica consistente, construída com planejamento, rigor técnico e alinhamento às transformações em curso no setor produtivo. O pioneirismo da UEMA, materializado no ProfiTec e no curso de Agrocomputação, demonstra que a universidade pública pode exercer papel ativo na formulação de respostas qualificadas aos desafios tecnológicos contemporâneos, com responsabilidade institucional e compromisso social.

Nesse cenário, a decisão do Confea evidencia a sinergia entre a UEMA e o Sistema Confea/Crea, reforçando que qualificação e habilitação profissional caminham lado a lado. Cabe à universidade formar e qualificar o profissional, estruturando cursos coerentes com demandas técnicas e sociais, enquanto o Sistema Confea/Crea habilita o egresso, definindo atribuições e limites de atuação com base em critérios legais e técnicos. Quando essa articulação ocorre de forma transparente e cooperativa, garante-se profissionais capacitados, segurança técnica, credibilidade institucional e proteção da sociedade, consolidando um modelo de ensino e fiscalização que serve ao interesse público e ao desenvolvimento sustentável.


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