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COLUNA
Vítor Sardinha
Vítor Sardinha é escritor e tabelião no Maranhão, pós-graduado em Direito e vice-presidente do Moto Club. Assina coluna dedicada à reflexão sobre o tempo presente.
Vítor Sardinha

A guerreira que não solta a espada

Que coragem não é negar o sofrimento, mas atravessá-lo com dignidade e coragem!

Vítor Sardinha

Reprodução.
Reprodução. (Maria Isabel Oliveira / O Globo)

Chamam-na de guerreira há décadas. O apelido nasceu muito antes da sua maior batalha, antes do diagnóstico positivo, antes da invasão ao corpo das sessões de quimioterapia, antes mesmo das cirurgias que a vida lhe trouxe a enfrentar. No Maranhão, dizer “Roseana” sempre foi dizer resistência. Agora, esse nome carrega outro campo de batalha - mais silencioso, mais íntimo, infinitamente mais duro.

Desde que revelou o diagnóstico de câncer de mama triplo negativo, Roseana Sarney passou a lutar longe dos palanques, dos discursos longos, das multidões. A guerra acontece no corpo. E, sobretudo, na alma. É ali que a coragem precisa acordar todos os dias, mesmo quando o tratamento maltrata, quando o espelho devolve um rosto cansado, quando a esperança precisa ser reconstruída em pequenas doses.

Ser guerreira, nessas horas, não é vencer sem dor. É levantar mesmo sem força. É agradecer mesmo com o corpo fragilizado pelo tratamento. É reconhecer a dureza da travessia sem permitir que ela roube a fé. O câncer exige uma bravura que não se aprende em livros nem se herda de sobrenomes: exige persistência silenciosa.

No Maranhão, terra de mulheres que sustentam o mundo com mãos firmes e olhar sereno, essa luta ganha sentido coletivo. Quantas guerreiras anônimas enfrentam a mesma doença nos hospitais públicos, nos corredores frios, nas casas simples? Quando Roseana expõe sua fragilidade, ela também ilumina essas histórias invisíveis. Sua luta não é apenas pessoal; é símbolo!

Ela fala de reações, dores constantes, fraqueza, mal-estar e fadiga intensa. E não há nada de frágil nessa fortaleza que é o corpo feminino. Em tempos em que se confunde força com dureza, ela mostra que força também é permitir-se ser cuidada. Que coragem não é negar o sofrimento, mas atravessá-lo com dignidade e coragem!

O câncer, sobretudo quando agressivo, impõe uma pedagogia cruel. Ele ensina a desacelerar, a ouvir o próprio silêncio, a aceitar ajuda. No Maranhão, terra onde tantas mulheres carregam o peso da casa, do trabalho, da família e da própria história, essa luta ganha outra camada. Não é apenas a dor de uma pessoa pública; é o espelho de tantas outras mulheres guerreiras em batalhas anônimas da vida!

No fim, talvez seja isso que o Maranhenses reconhecem tão bem: algumas batalhas não se vencem rápido. Elas se enfrentam com paciência, esperança e uma coragem que não faz barulho. Roseana segue em luta: Bela, forte e altiva! Já venceu inúmeros desafios. Será que alguém ainda tem dúvida de que, nesta batalha, já temos uma vencedora - sem espada?


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