FÉLIX ALBERTO

Elas nunca foram tão bolsonaristas

Mas por que não querem ou não gostam de ser chamadas de bolsonaristas ou de bolsomínions essas pessoas? É uma incógnita.

Félix Alberto

- Atualizada em 13/01/2023 às 10h15
Félix Alberto é poeta e jornalista.
Félix Alberto é poeta e jornalista. (Ipolítica)

Conheço algumas pessoas – poucas, é verdade – que pensam como bolsonaristas, agem como bolsonaristas, falam como bolsonaristas, defendem as mesmas causas dos bolsonaristas, mas, pasmem!, sentem-se insultadas quando são chamadas de bolsonaristas. São tipo a Jovem Pan: fazem um malabarismo colossal para se julgarem independentes. Na interpretação política delas, o bolsonarismo é bom, mas é mau. Entendem? 

Há certa vergonha entre elas. Mas não há medo. São inteligentes, bem relacionadas. Nem sempre essas pessoas estão dispostas a assumir, fora da bolha delas, a defesa da misoginia, do preconceito, do modelo de cultura de Regina Duarte e Mário Frias. Nem sempre falam abertamente de suas antipatias por temas como ciência, vacinas, questões climáticas, urnas eletrônicas e estado democrático de direito. A terra, conforme amigos dizem nos grupos de Whatsapp e Telegram, não é comprovadamente redonda. 

Mas aqui, fora da bolha, não toleram ser associadas ao bolsonarismo. São liberais de direita. O bolsonarismo é uma chaga do passado, talvez. Dizem elas que a economia do Brasil nunca esteve tão bem como nos últimos quatro anos. Paulo Guedes fez o País andar para o futuro e por isso mesmo é, assim como elas, um liberal com visão de mundo. O mercado internacional o reconheceu como tal. 

O Brasil, segundo essas pessoas que abominam a pecha de bolsonaristas, estava melhor até dezembro. Dividido, com a massa de esquerdistas acuada, mas bem melhor. O País cresceu, dizem. Só não admite quem não quer enxergar. E olha que estivemos por dois anos sob o império do vírus chinês, argumentam. 

Elas têm o DNA do bolsonarismo. Para elas, as eleições de 2022 não foram legítimas. Taí um Alexandre de verdade, o Garcia, a lhes dar razão! Lula não venceu. E, se venceu, cadê a prova, o voto impresso auditável?, questionam. Mas aqui fora insistem em se esquivar do ranço bolsonarista.  

Na opinião dessas pessoas que hoje fogem do bolsonarismo, tudo fora armado pelo STF e TSE, principalmente pelo ministro Alexandre Moraes, que agiu ao arrepio da lei. Porque desconhece o Direito. Ele, sim, deveria estar preso porque é o maior terrorista da história, e não os heróis patriotas do 8 de janeiro. 

Essas pessoas não se intimidam em afirmar que, com Lula no governo, um condenado legalmente preso pela toga de Sérgio Moro, inevitavelmente o Brasil vai se transformar numa Venezuela. O comunismo é só uma questão de tempo. E, não tardará, pai vai casar com filha. 

Asseguram que não existiu terrorismo no último dia 8 de janeiro. Foram manifestações pacíficas, de gente do bem, ordeira. Mas, se houve, foi obra (aqui “obra” é escatologia em estado puro, não jogo semântico) da esquerda infiltrada. Quebraram algumas coisas, destruíram obras de arte, é verdade, mas não do jeito que a Globo mostra. 

Mas por que não querem ou não gostam de ser chamadas de bolsonaristas ou de bolsomínions essas pessoas? É uma incógnita. Talvez porque assim se sentirão no meio da manada que reza nos muros dos quartéis, que clama pela ajuda dos óvnis, que se joga na frente de um caminhão, que marcha no asfalto sob a chuva. O que não seria de bom tom para pessoas inteligentes. E Jair Boldonaro, em quem essas votaram, era só um presidente doidinho, falastrão! 

Não desistiremos, dizem essas pessoas sensatas, inteligentes e bem relacionadas que eu conheço. Pelo menos enquanto Alexandre Moraes estiver aí, enquanto Lula não cair.  Querem apenas ser ouvidas. Pregam intervenção das Forças Armadas urgente! E isso não é golpe, é liberdade, elas estão convictas. São a favor da liberdade, acima de tudo! De armas em punho e camisa verde e amarela, rogam a Deus, pátria e família! 

Mas não são bolsonaristas, por favor. Não as insultem. 

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