Marcos Silva

A democracia mais forte que o conservadorismo e sua vertente neofascista bolsonarista

A vitória da democracia nas eleições de 2022 resultou da capacidade de construção da Frente ampla dirigida por Lula e pelo PT. Mas foram de fundamental importância as atitudes do Ministro Presidente do TSE Alexandre de Moraes que não capitulou ao golpismo

Marcos Silva

- Atualizada em 19/01/2023 às 11h34
Marcos Silva é assistente social, historiador, sociólogo/mestre em Desenvolvimento Socioespacial e Regional
Marcos Silva é assistente social, historiador, sociólogo/mestre em Desenvolvimento Socioespacial e Regional (Ipolítica)

O saudoso Sociólogo Carlos Nelson Coutinho em Prefácio ao livro de Leila Neto “CONSERVADORISMO CLÁSSICO: Elementos de caracterização e critica” na sua edição de 2014, nos informa que o pensamento conservador moderno surge a partir das posições do Irlandês Edmund Burke sobre a revolução francesa, opondo-se ao movimento revolucionário. Ou seja, uma clara defesa da ordem teocêntrica e o modelo de sociedade política dominada pelos monarcas, no entanto, do ponto de vista econômico é defensor de uma economia liberal. Esse pensamento é visto como a base de influência para manutenção do regime de monarquia constitucional na Inglaterra, além de ser definido por Coutinho como o nascimento do pensamento neoliberal. 

Os conservadores aproveitando-se das crises no modo de produção capitalista e na insuficiência da política neoliberal em assegurar uma estabilidade econômica que garanta o pleno emprego, universalização das políticas públicas e a execução de políticas de proteção social. Além de que em muitos países os níveis de desigualdades aparecem de forma crescente. Pois tais correntes nos países desenvolvidos acusam os estrangeiros pelas crises econômicas em seus espaços territoriais, assim um setor impulsiona um discurso de nacionalismo extremo e dão origem a uma política neofacista. Além do mais, algumas dessas correntes se escondem por traz de falácias de Pátria, Família e Deus acima de tudo. 

De tal forma que os conservadores modernos reforçam posturas de homofobia, machistas, racistas, autoritárias, antidemocráticas e condenam as posições de defesa do Estado de bem-estar social, direitos humanos, socialistas, comunistas e todas as posições de esquerda. No Brasil a partir do ano de 2018 uma corrente política caracterizada como bolsonarista apoiada em pessoas ligadas aos generais da reserva das forças armadas brasileiras, em alguns pastores evangélicos, em um setor do agronegócio com práticas na exploração das terras indígenas e uma postura de desprezo ao meio ambiente, além claro que movido por um ódio aos diferentes e a defesa de posições golpistas. 

O certo é que a onda neofascista que ronda o mundo é resultado da crise do neoliberalismo e, sobretudo da grande crise dos anos de 2007 e 2008, assim como foi o fascismo resultado da crise do liberalismo nas décadas de 20 e 30 do século XX. Portanto, o caso brasileiro com a eleição de Bolsonaro em 2018 não se trata de uma situação isolada. Os seguimentos ditos neoconservadores no Brasil têm suas deformações e se apoiaram primeiramente nas mobilizações de 2013 e na onda da operação lava jato a época conduzida pelo juiz Sergio Moro e membros do ministério público federal com a cantiga de combate a corrupção e a busca desesperada para criminalizar a esquerda brasileira em especial a maior organização da classe trabalhadora da América Latina, o PT.

No rito neofascista eram necessárias a propaganda antissocialista e anticomunista e a tentativa de incorporar a imagem de corrupção ao PT e aos setores de esquerda. Assim foi construído o golpe contra o governo da Dilma Rousseff em 2016 e a condenação de Lula em 2018 para facilitar a vitoria do Bolsonaro ao governo federal em aliança com os neoliberais, objetivando as privatizações das estatais, a retirada de direitos dos trabalhadores e a entrega do petróleo do Pré-Sal no Brasil para as empresas estrangeiras.   

Vale destacar que todo esse processo foi estimulado por uma onda de dissimulação das Fake news (mentiras) e a propagação de ódio as instituições públicas com os constantes pedidos de intervenção militar na condução do governo federal.

A vitória da democracia nas eleições de 2022 resultou da capacidade de construção da Frente ampla dirigida por Lula e pelo PT. Mas foram de fundamental importância as atitudes do Ministro Presidente do TSE Alexandre de Moraes que não capitulou ao golpismo e as pressões neofascistas dos grupos bolsonarista.  Porém a corrente política de sustentação do Bolsonaro ao ser derrotado nas urnas passou para uma prática terrorista em busca de evitar a posse do presidente eleito democraticamente com mais de 60 milhões de votos. 

Após a posse de Lula os bolsonaristas foram para o tudo ou nada, assim culminou com uma mobilização de quase 100 ônibus para Brasília juntando em torno de 5 mil pessoas compostas por familiares de membros das forças armadas, policiais militares, policiais civis, guardas municipais, pastores evangélicos, políticos do Partido liberal (PL) partido do Bolsonaro e do Valdemar da Costa Neto, além de algumas pessoas sem noção e simplesmente motivadas pelo ódio ao pensamento político de esquerda. Decerto ainda existiu aqueles e aquelas que embarcaram nas caravanas neofascistas como quem iria para um passeio esbanjar seu ódio a democracia e aos direitos humanos.

Evidente que todos financiados por empresas e políticos contrários ao governo de Frente Ampla do Lula. O resultado dessa mobilização todos já sabem, pois foi um quebra-quebra nos prédios das instituições da democracia brasileira. Ou seja, o ódio e a desconfiança ao processo eleitoral pregado pelo gabinete do ódio e pelo próprio Bolsonaro estimularam uma ação de danos ao patrimônio público nunca visto antes na história do Brasil. A situação foi tão grave que alguns dos seguidores do Bolsonaro tentaram a todo modo afirmar que a quebradeira tinha sido realizada por “infiltrados de esquerda”, tese essa levada abaixo pelos próprios celulares com os vídeos publicados nas redes sociais a cada segundo pelos dos “defensores da família, da pátria e da liberdade”. 

Portanto, o neofascismo bolsonarista construiu um terceiro turno das eleições presidenciais e perderam mais uma, mas claro que não estão destruídos. Então, o caminho agora é a União e a Reconstrução do país e por dentro da democracia as forças de esquerda devem impulsionar o desenvolvimento nacional com respeito ao meio ambiente e a responsabilidade social, assegurando a expansão das políticas públicas em particular do saneamento básico, a garantia de assistência social para quem dela necessita e assim nunca mais voltar à escuridão dos tempos do governo Bolsonaro.

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