Estado Maior

CPI apresenta apontamentos que pouco mudarão sistema de transporte de São Luís

Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Municipal apontou ex-gestores públicos como responsáveis para o caos no sistema de transporte; iniciativa privada não foi colocada em xeque.

Ipolítica

São quase 200 páginas que apontam o ex-prefeito Edivaldo Júnior como responsável pelos problemas no sistema de transporte de São Luís
São quase 200 páginas que apontam o ex-prefeito Edivaldo Júnior como responsável pelos problemas no sistema de transporte de São Luís (Jailson Budu)

SÃO LUÍS - As expectativas em relação à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Transportes de São Luís, que estava acontecendo na Câmara Municipal, não foram alcançadas. O problema no sistema de transporte acabou fazendo o mais simples: responsabilizando ordenadores de despesa devido ao processo de licitação e seu consequente contrato.

Acontece que, ao apontar como um dos culpados o ex-prefeito Edivaldo Júnior (PSD) e outros membros da gestão passada, os membros da CPI, inevitavelmente, deveriam também incluir todos os parlamentares que votaram a favor da licitação no sistema de transporte. Afinal, o processo teve avanço com a anuência dos vereadores da capital.

Culpar os ordenadores de despesa, ao que parece, é mais fácil do que enfrentar o empresariado de um sistema cheio de vícios que passam por mais lucros e menos serviço com padrões de cidadania conforme rege o contrato.

Culpar o ex-prefeito é mais fácil do que identificar a apontar os erros que o atual prefeito de São Luís, Eduardo Braide (sem partido) deixou a cidade por 12 dias sem qualquer coletivo na rua e outros 43 dias com apenas um percentual dos ônibus que circulam em São Luís.

Depositar o caos atual no sistema de transporte público na gestão anterior, acima de tudo, é apagar o acúmulo de problemas que vem de tantas outras administrações de prefeitos da capital.

Longe de achar que a apuração feita pelos vereadores membros da CPI é totalmente descartável, mas – ao que parece – por questões política e para mostrar resultado, buscou culpados de um lado somente.

Mas são muitas páginas com as impressões dos vereadores após suas apurações de mais de seis meses. Há ainda 7 mil páginas somente com a licitação e os contratos firmados entre a Prefeitura e os empresários.

Também no relatório consta a relação de problemas com possíveis soluções para tentar melhorar o mínimo o sistema de transporte da capital.

Agora é com o Ministério Público Estadual que receberá o relatório da CPI. Se tiver elementos com dados concretos, possível o órgão acionar os culpados. Resta saber se haverá qualquer manifestação já que durante todo o processo de greve dos rodoviários, o Ministério Público foi praticamente ausente.

Sem pizza

Mesmo buscando culpados do lado mais fácil, a CPI dos Transportes não pode ser vista como uma comissão que acabou em pizza.

Isto porque não cabe aos vereadores indiciar qualquer dos apontados como responsáveis pelo caos no sistema de transporte público.

Quem, na verdade, terá o poder de deixar o trabalho dos vereadores escorrer pelo ralo é o Ministério Público.

Revisão

No relatório da CPI há o pedido de revisão dos quatro contratos que regem o Sistema de Transporte Público de São Luís.

Isto, claro, deve ficar a cargo da Prefeitura de São Luís, que – até o momento – se demonstra incapaz ou sem vontade de fiscalizar a execução do contrato.

E, apesar de ser passível de adequações, a gestão de Eduardo Braide também demonstra não ter interesse ou competência para fazer qualquer tipo de mudanças.

Falta fiscalização

Como foi posto no próprio relatório, a licitação foi uma “peça nova” em uma “carro velho”. A afirmação não pode ser considera totalmente verdadeira.

Explica-se: por longos anos, o sistema de transporte público de São Luís foi regido por um contrato precário e cheio de vícios.

A licitação veio para mudar isto, mas para que todas as cláusulas dos contratos sejam cumpridas, é necessário fiscalização, o que não vem ocorrendo.

Ofensa I

Estão sendo preparadas ofensivas pontuais do grupo do senador Weverton Rocha (PDT) contra o pré-candidato do PSC, Lahesio Bonfim.

A ideia é mostrar que o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes não é tão conservador como ele se apresenta.

E um argumento que será usado são os inúmeros partidos de esquerda que Lahesio já foi filiado. O ex-prefeito já foi do PT, PDT e PSB. Quando foi conveniente, foi do PSDB.

Ofensiva II

A trajetória partidária maior de Lahesio foi no PDT. Quase 15 anos. Até sua vice na Prefeitura de São Pedro dos Crentes, Wanessa Arruda, era do PDT.

Somente depois das desavenças com o ex-governador Flávio Dino (PSB), que Bonfim buscou outras legendas como o PSL, PTB e agora PSC.

O passado com bandeiras vermelhas de Bonfim deverá ser usado contra ele. Resta saber se este passado não pode é contribuir para que simpatizantes da esquerda não o busquem como uma opção de quem já foi das legendas mais tradicionais deste grupo político.

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