Médico pode estar envolvido em morte de João Leocádio

José Carlos Falcão e Silva, denunciado no Linha Direta da Globo, teria ligação com morte de prefeito.

Jornal O Estado do Maranhão

Atualizada em 27/03/2022 às 14h17

SÃO LUÍS - A prisão do médico ginecologista José Carlos Falcão e Silva, esta semana, em uma barreira policial no Piauí, pode causar uma reviravolta nas apurações da morte do prefeito do município de Buriti Bravo, João Leocádio. Entre 2004 e 2005, José Carlos, usando apenas o sobrenome “E Silva”, trabalhou para a prefeitura daquele município, mas não recebeu o seu pagamento. Quando o prefeito morreu, o médico desapareceu da cidade.

Conforme informações vindas de Buriti Bravo, João Leocádio teria uma dívida de pelo menos R$ 50 mil com o médico José Carlos e vinha sendo pressionado para efetuar os pagamentos. Foragido da Justiça, o médico não podia se fixar em nenhuma cidade por muito tempo, tampouco poderia buscar seus direitos trabalhistas na Justiça.

Cabe à polícia, antes de entregar o preso à Justiça do Paraná e Mato Grosso, investigá-lo sobre suas ligações com o prefeito João Leocádio. Esta investigação, se já ocorre, está em total sigilo, já que nenhuma autoridade se dispõe a tratar do assunto. O caso João Leocádio é dado como encerrado com os indiciamentos de Marco Antônio Alves, o Marcão, como autor do crime de execução; Wytamar Gomes, como a pessoa que deu fuga a Marcão e o ex-prefeito Wellington Coelho, como o mandante do crime. Os acusados negam o crime e garantem serem inocentes.

Inquiridos pela polícia, durante as investigações, Wytamar confessou ter participado da morte de João Leocádio a convite de Antônio Marcos que por telefone lhe propôs até R$ 20 mil, dias antes do crime.

Acareados, em maio de 2005, Wytamar e Marcos negaram todo o relato que haviam feito anteriormente. Wytamar disse que havia mentido, por nervosismo e assustado com a presença da polícia. Marcão, desde o início, negou qualquer participação no crime.

O médico

Apesar de não haver nada, inicialmente, que ligue João Leocádio a José Carlos Falcão e Silva, a própria história de vida do médico lhe aponta como um homem frio e capaz de cometer um crime bárbaro.

José Carlos foi condenado a 12 anos de reclusão no Paraná, pela morte do vendedor Adhemar Bornia, de quem havia comprado alguns equipamentos. O crime teria acontecido quando a vítima foi fazer a cobrança. Na ocasião Falcão alegou legítima defesa.

Posteriormente, o médico teria matado seu próprio irmão mais novo, João Alves, em uma emboscada. Ele negou o crime, mas ficou provado e foi condenado a 16 anos de reclusão.

Falcão fugiu das condenações e continuou a atuar como médico em outros estados. Em Mato Grosso, ele é acusado de duas lesões corporais em pacientes. Apesar de ser ginecologista, o médico teria se apresentado em cidades com outras especialidades.

Ele estava no Maranhão desde 2004 e além de trabalhar em Buriti Bravo, esteve em Benedito Leite e São João dos Patos, além de Uruçuí, no Piauí.

Caso Leocádio

No dia de sua execução, 10 de março de 2005, João Leocádio estava armado com um revólver desde o período da manhã. Ele chegou em sua casa para almoçar, mas recebeu uma ligação e saiu. Antes, teria ido ao quarto, onde pegou no guarda-roupa um envelope com R$ 5 mil. A polícia apurou que o dinheiro teria sido dado ao seu motorista, a quem estava em dívida. O fato, porém, ficou nebuloso.

Quando foi encontrado, cerca de três horas mais tarde, o prefeito estava deitado de bruços sobre sua arma e chegou a ser cogitada a possibilidade de um suicídio, o que nunca foi aceito pela família Leocádio.

As investigações foram tumultuadas e passaram a acontecer em sigilo de justiça, por solicitação do então presidente do inquérito, delegado Hagamenon Azevedo, na época na Deic. Ele trabalhou com os dados recebidos no município e conseguiu prender o suposto executor e seu auxiliar.

As apurações se estenderam por mais tempo que o normal e Hagamenon Azevedo teve que solicitar mais prazo à Justiça. Mais de um ano após o início das investigações, o delegado foi destituído da presidência da apuração, sob a alegação de que teria feito sua parte.

Os autos, então, foram repassados ao delegado Paulo Márcio Tavares, que atuava na delegacia reginal de Santa Inês. Coube a ele a investigação para apontar o mandante do crime. Mais uma vez os autos foram encaminhados e antes de serem enviados à Justiça, os delegado José Maria Melônio e Daniel Brandão passaram a investigar o caso, que foi concluído em relatório.

Por se tratar de segredo de Justiça, o relatório final do inquérito não foi divulgado à imprensa, ficando esta responsabilidade para a Justiça de Buriti Bravo, que não se pronunciou.

A sociedade, porém, teve acesso pela imprensa e ainda durante as investigações, mesmo em segredo de Justiça, a dois relatórios. Um deles feito por um perito criminal dava conta que o prefeito poderia ter sido vítima de dois tiros e não somente um.

O outro relatório apontava o ex-prefeito Wellington Coelho como amigo de Marcão e por conseqüência principal suspeito de ser o mandante do crime. Os dois responsáveis pelos relatórios passaram a responder a inquérito administrativo devido a divulgação de fatos que tramitavam em segredo de Justiça.

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